Ana Fernandes e Carla Fernandes: As melhores alunas do agrupamento de Lousada em científicas e profissional

Ana Fernandes e Carla Fernandes: As melhores alunas do agrupamento de Lousada em científicas e profissional

Ana Sofia Fernandes e Carla Adriana Fernandes. Estes foram os dois nomes dados pelo Agrupamento de Escolas de Lousada, quando questionadas de quem eram as duas melhores alunas.

A direção da escola sugeriu estes dois nomes, Ana tem média de 19,2 valores, foi a melhor aluna a concluir o curso de ciências e tecnologias em 2018/2019. Já “soltou as asas” da aprendizagem que a uniam a este agrupamento e hoje está a estudar Medicina, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

Já Carla Adriana Fernandes foi a melhor aluna dos cursos profissionais deste agrupamento. Segundo a subdiretora, Conceição Carvalho, também há excelentes alunos no profissional e que se revelam “autênticos sucessos no mundo do trabalho”. Por isso, quiseram que a entrevista recaísse sobre o percurso destas duas alunas que, disse, deixa o agrupamento de orgulho.

Interesse pela anatomia humana incentivou Ana Fernandes a lutar por uma grande média

“Sempre quis ser médica”. A precisão das palavras revelou no primeiro instante de entrevista o quão certa está Ana Fernandes do que será o seu futuro profissional. Sempre lutou por conseguir entrar no curso que ambicionou desde criança: Medicina. Este ano teve a boa nova de que ficou colocada na sua primeira opção, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

Na sua infância, ainda chegou a achar que o seu futuro passaria por estar em cima de um palco, a soltar a sua voz entoando bonitas melodias. “Nada disso, foi só mesmo ideias de crianças”, disse Ana, achando agora graça ao facto de algum dia ter achado que poderia vir a ser cantora.

Depois, soube que teria de se dedicar intensamente aos estudos porque o seu grande objetivo era perceber como funcionava o corpo humano com o objetivo de poder ajudar quem sofria de maleitas. É certo que nem sempre se dedicou à escola “com unhas e dentes”. Quando entrou para o primeiro ciclo, não se adaptou facilmente. Tinha muitas saudades da mãe, do conforto da sua casa. “Lembro-me de chorar imenso nos primeiros tempos e de fazer birras com os meus pais porque só queria ficar em casa, mas lá me fui habituando, fui fazendo amigos, convivendo com pessoas novas e comecei a gostar do ambiente e a olhar de outra forma para toda essa nova etapa”, constatou.

Ao recordar o caminho que durou 12 anos até conseguir entrar em medicina, Ana afirma que se conseguiu chegar até aqui “foi pelas relações e amizades” que conseguiu estabelecer durante este percurso. Durante esses anos, os pais sempre a apoiaram nas suas decisões, até porque dizem que Ana é uma pessoa muito determinada e se já tinha metido na cabeça que era medicina que iria seguir, a decisão certamente não iria mudar. E não mudou. Mas até lá foram lançando os alertas dos “espinhos” da profissão. “Sempre me apoiaram e continuam a apoiar a 100%”. Isso, disse Ana, foi muito importante para se manter focada e motivada.

Além do apoio dos pais, a melhor aluna do agrupamento de escolas de Lousada, salienta que o mais importante é ter o objetivo bem traçado e não dispersar as forças. Foi gerindo o tempo que tinha, entre as aulas, o período de revisão, mas também os momentos de lazer, como a leitura, a visualização de uma série, ou estar com os amigos e família.  Com uma boa organização, Ana Fernandes diz que é fácil encontrar tempo para o descanso no meio de tanto cansaço.

“Considero que para manter boas notas, o mais importante e eficaz não é, de todo, passar o dia a ‘marrar’. Assim, a meu ver é mais importante percebermos qual é método de estudo que melhor se adequa a nós, nenhum método é melhor do que o outro”, explicou, dando o exemplo a quem ainda permanece no ensino secundário.

Agora, já aluna do ensino superior, salienta que vai continuar a ter as mesmas metas e métodos de estudo, até que estes resultem com ela. Já conseguiu ser a melhor aluna da sua escola, algo que a deixou ser “muito importante” e a deixar “muito orgulhosa” e com um sentimento de gratidão para com os seus docentes. Agora, quer repetir o êxito no ensino superior e, mais tarde, enquanto médica.

“Neste momento, tenciono dar o meu melhor ao longo do curso e ambiciono ter a possibilidade de aprender o máximo sobre os mais variados temas que o mesmo me permitir. Num futuro mais distante espero ter as competências necessárias para ajudar pessoas, e espero que esse trabalho me realize tanto pessoal como profissionalmente”, concluiu.

Carla Fernandes optou pelo ensino profissional e mal acabou os estudos arranjou emprego

Ser aluna de excelência e ter médias acima de 17 não é só para quem segue científicas ou humanísticas. Carla não queria seguir para o ensino superior, quis antes lutar pela excelência para conseguir arranjar um bom emprego mal terminasse o ensino secundário. E assim foi. Hoje está a laborar mas pretender voar bem mais alto assim que alguma porta se abrir.

Mas para chegar aqui foi preciso muita dedicação e horas de estudo, assim como de prática. A importância que dava à sua vida académia foi crescendo a cada ano que passava. Considera que houve três fases diferentes na escola: “A primeira foi do 1º ao 4º ano, a segunda do 5º ao 9º ano, mas foi a partir da transição para o secundário que realmente comecei a sentir a escola e os conhecimentos que ela me dava de uma maneira mais profissional, em termos de um futuro próximo”.

Os primeiros anos escolares não foram muito bem-encarados por Carla Fernandes. Foi uma criança feliz, que nunca precisou de ir para creches ou infantários. Foi direta da casa para a escola, mas se isso lhe trouxe vários anos de conforto, também acarretou dificuldades no que respeita à conivência com outras crianças. Consoante o fator “novidade” foi passando, Carla foi-se adaptando à escola, assim como estabelecendo laços com os colegas que, aos poucos, se tornaram amigos.

O gosto pela aprendizagem foi também crescendo. Os anos foram passando e foi ambicionando ser polícia. Mas a verdade é que diz que, com as suas características físicas, não seria a profissão ideal para ela, brincou.

“Os meus pais sempre me deram liberdade de escolha, nunca tentaram influenciar-me em nada, apenas me diziam para seguir aquilo que eu quisesse e que mais gostasse de fazer”, disse. E isso ajudou-a a perceber que, como polícia não era uma opção tendo em conta a sua estrutura física, talvez a enveredar pelo curso profissional de comércio lhe abriria portas.

Foi fazendo o curso, sem nunca dispensar, a par do estudo, uma boa alimentação. Também a ajudava dançar. No final das aulas, durante sete anos, aprendeu a distribuir os seus tempos livres para conseguir ir até à academia de dança e conseguir fazer as suas obrigações escolares, sem que isso a prejudicasse.

“Penso que, inconscientemente, são atitudes que atualmente me fazem ter um à vontade diferente para conciliar as tarefas do meu dia a dia mediante o tempo que tenho”, explicou.

Ver que conseguiu ser uma das melhores alunas e que a escola a reconhece como tal deixa-a feliz. “Significa sentimento de dever cumprido, no âmbito profissional, assim como no pessoal, pois em determinados momentos, ao longo dos três anos de curso, abdiquei de muitas coisas pessoais em prol deste objetivo que eu pretendia alcançar, e que felizmente se concretizou com sucesso, e acima das minhas expectativas”, constatou.

Agora que concluiu os estudos no curso profissional diz que não se arrepende. Até porque “uma das grandes vantagens do ensino profissional é o facto de nos envolvermos mais diretamente no mundo do trabalho e nos dar uma abertura e preparação diferentes, mais vantajosa para aquilo que podemos vir a encontrar no final do curso, se optarmos por prosseguir de imediato para o mundo do trabalho”.

Confessa que ainda não está a fazer o que sempre quis, mas espera que o esforço e dedicação que lhe valeu a média de 17 valores façam com que surja a oportunidade de sonho, na área de formação. “Gostava de ter o meu próprio negócio, no mundo da moda”, ambiciou.

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