Melhores alunas de Felgueiras alcançaram média de 19,8 mantendo o equilíbrio através do ballet

Melhores alunas de Felgueiras alcançaram média de 19,8 mantendo o equilíbrio através do ballet

Média de 20 valores era a meta de Catarina Silva e Leonor Martins, ambas alunas da Escola Secundária de Felgueiras. Não correram para alcança-la, porque estudar requer calma e um percurso que dura, no mínimo, 12 anos. Mas a verdade é que cortaram a fita com “tesoura de ouro”, ou não tivessem ambas 19,8 valores de média final do ensino secundário.

Catarina Silva começou a gostar da escola a simular que era professora

Aos seis anos, Catarina Silva não sabia muito bem o que se fazia na escola. Já sabia que nos dicionários se descobriam os significados das palavras, mas como não sabia ler, pedia aos pais que lhe dissessem o que dizia naquel compêndio de significados: “instituição que fornece o processo de ensino para discentes (alunos), com o objetivo de formar e desenvolver cada indivíduo em seus aspectos cultural, social e cognitivo”. Mas que coisa difícil, pensava Catarina Silva, aquando da entrada para o primeiro ano.

O beijinho de “boa sorte” que a mãe lhe dava todas as manhãs ajudava a que a carga que colocava às costas para ir para as aulas parecesse mais leve. E ver a escola, espaço que passaria a ser a sua segunda casa, “era uma novidade, e tudo o quer era novidade despertada uma grande curiosidade” na Catarina.

A mãe dela era professora e, sendo assim, embora não tenha bem viva a memória se entrou com o pé direito ou esquerdo no seu primeiro dia de aulas, lembra-se bem que “nas tardes em que não tinha escola, gostava de ir para um sala de aula e juntamente com uma amiga simular aulas e era essa a nossa brincadeira”.

Das brincadeiras da sala de aula saiu a certeza de que não queria ser professora, mas antes médica. “Desde nova que sempre tive um objetivo bem definido, tornar-me médica, e desde muito nova me mentalizei que tinha de me esforçar para conseguir, não só ser uma profissional, mas, mais do que isso, uma boa profissional”, realçou.

Em casa os pais só queriam que o sorriso rasgado de Catarina fosse perpétuo, como o amor que afirmam sentir pela filha, “seja qual for a sua profissão”. Por isso, só a incentivaram a estudar e a ser boa na sua escolha. E é esse o motivo pelo qual Catarina não deixou passar em branco nesta entrevista a oportunidade de lhes agradecer “por nunca terem imposto uma direção” para o seu futuro e terem permitido que fosse ela própria a tomar as decisões. “Acredito que esse é um fator de extrema relevância para sermos bem sucedidos, porque só nós nos conhecemos verdadeiramente e somos capazes de perceber aquilo que possivelmente nos permitirá ser pessoas realizadas”, frisou.

Mas até colocar o pézinho na universidade – e em medicina, curso onde ficou colocada na primeira fase de acesso ao ensino superior – Catarina calçou no seu pé a sapatilha de ponta para dançar ballet, a atividade que lhe permitiu saber concentrar-se, lidar com a pressão, com os outros, e com o cair e levantar, mas sobretudo equilibrar. E é esse equilíbrio que Catarina afirmou ser o mais importante para os jovens alcançarem, tal como ela, o sucesso.

“Aconselho vivamente que percam de facto bastante tempo a estudar, mas nunca se esquecendo que é possível e aconselhável terem atividades que gostem. Outra coisa que é fundamental e raramente falada é a importância de tirarem todas as dúvidas! Penso que muitos alunos não colocam dúvidas porque têm medo de se expor e se fragilizar perante o professor”, constatou.

Catarina está em medicina, a meta alcançada depois de um percurso recheado de “pedrinhas no sapato”. Agora que vai prosseguir os estudos – e ainda tem uns bons anos para “queimar as pestanas” até arrecadar o canudo – tem uma certeza: “os professores ambicionam o nosso sucesso, nunca o contrário e tal como nós, alunos, também eles sofrem quando não conseguimos o que queremos e ficam felizes com as nossas conquistas”.

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo”, disse com um sorriso no rosto, de quem conquistou o que sempre quis e está agora a saborear os primeiros resultados.  Esses sonhos passam, por exemplo, por abraçar um ou mais projetos de voluntariado, por exemplo nos médicos sem fronteiras, fazer ERASMUS ou outros projetos internacionais e viajar, contou.

Leonor Martins viu no ballet o segredo para o sucesso

Leonor odiava o infantário. Não queria muito ir para a escola, até porque pensava que ia ser outra vez a mesma coisa. Lembra-se que a primeira vez que chegou à primária ia com ar de frete mas que, para espanto de todos – em especial para os seus pais – adorou a experiência. Sociável, começou a fazer os seus amiguinhos e a ganhar gosto por aprender. Colocou então um objetivo: “Vou ser boa aluna”. E não é que Leonor acabou o 12.º ano como uma das melhores alunas de Felgueiras. Durante o seu percurso houve algo que se manteve constante: uma amizade que hoje se mantém e que inclusive continua agora na Universidade. “Espero que perdure”, ambicionou.

Mas nem sempre Leonor quis ser médica. Gostava da área do cinema e, por isso, queria ser atriz, entrar pela via da encenação era algo que lhe pareceu muito bem. Mas pelo caminho, o sonho desvaneceu. Diz que acordou desse mundo do “glamoroso” e mergulhou entre livros e reações químicas tão típicas de quem segue o mundo das ciências. “Tinha acabado de descobrir uma nova paixão”, e essa, ainda dura!

Entre reações químicas e números, e a correria matinal, Leonor sabia que o momento em que estava na sala de aula era para estar com “cabeça tronco e membros”. Assim como as horas das refeições, “que eram feitas com calma, a acompanhar com algo que me desse prazer, como ver uma série ou ouvir música”. Depois sim, a aluna voltava ao estudo.

Estes momentos de pausa e relaxamento era importante para manter-se equilibrada. Também ela andou no ballet, atividade que a acompanhou desde o infantário até ao secundário. Mais do que um hobbie, encontrou ali uma família. O ritual de preparação para os espetáculos e exames era uma rotina da qual ainda hoje sente falta. “Foi bastante importante ter esta vertente na minha vida, até para o meu sucesso escolar, pois permitia-me descontrair e aliviar a mente. Arrependo-me de ter desistido a meio do secundário por pensar que não teria tempo, era uma atividade que só me beneficiava. Apesar disso, envolvi-me em voluntariado e em atividades desportivas como o vólei”, contou.

Mas hoje sente que todo o seu esforço e todas as atividades que conjugou foram uma mais valia para o seu sucesso e fez com que cumprisse o seu objetivo: “superar a mim mesma”.

“O êxito escolar devo-o sobretudo às pessoas que me acompanharam: aos meus pais, aos meus professores. Sem eles nunca teria ganho disciplina para executar os meus objetivos. Foram os meus professores, que ao acreditar no meu potencial, me ensinaram a importância de estar atenta nas aulas e a ter um estudo consistente”, salientou.

Uma alimentação saudável, fazer exercício físico, estar atentos nas aulas e rever a matéria em casa é o conselho que deixou aos que ainda estão a estudar.

O seu objetivo para já é manter a excelência académica na faculdade e talvez envolver-se em ações de voluntariado. “Gosto de levar as coisas com calma e ainda estou a iniciar este novo percurso, por isso não tracei nenhum objetivo a longo prazo. Há muito para conhecer e esta fase é sobretudo sobre redescobrir-me e os meus interesses”, constatou.

Uma certeza ambas estas alunas têm: por mais que o sapato esteja a magoar, para a frente é que é o caminho. Isso, aprenderam ambas com o ballet, e o caminho hoje, é risonho.

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