De Bagagem pelo Mundo: Daniel Ribeiro é camionista e tem conhecido o mundo com a sua profissão

De Bagagem pelo Mundo: Daniel Ribeiro é camionista e tem conhecido o mundo com a sua profissão

Daniel Ribeiro tem 31 anos. Há seis anos que a sua vida é passada fora de casa, e não, não é dentro de quatro paredes, mas sim antes dentro de um camião.

Deixou a cidade de Penafiel, local onde nasceu, para fazer aquilo que sempre sonhou: ser camionista e conhecer o mundo a viajar. “Desde que me lembro de ser gente que quis ser camionista”, disse Daniel.

Terminou a escola e foi logo tirar as cartas. Arranjou trabalho, e entrou no seu camião. Este espaço é a sua casa a maioria dos dias da sua semana e, por isso, é o espelho da sua personalidade. Lá, ninguém entra com calçado “para não sujar e não danificar o piso”. Há cortinados especiais que colocou ao seu gosto, para que tenha um ambiente mais pessoal e mais “à lá Daniel”.

Mas o camião deste penafidelense tem um elemento que não sai nem por nada: A nossa senhora de Fátima. Essa, acompanhou todas as suas viagens: já foi a Espanha, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Itália. Estes países fazem parte das rotas que faz, mas são os países onde passa a maioria do tempo. Portugal é um local de visita, como para qualquer outro emigrante.

Até porque é no camião que se passa toda a sua rotina, camião esse que passa os dias em rotas internacionais. Da rotina de Daniel, fazem parte os banhos diários, mas esses, nem sempre são tomados. Não que não queira, mas antes porque nem sempre há condições. “Quando não dá, lavo a cara num bidão próprio que o camião tem. Depois, bebo café, feito nas malas, e faço-me à estrada”. Depois de 4h30 a conduzir, Daniel tem de parar 45 minutos para descansar, fora isso, nove horas de descanso são obrigatórias. “Fazemos o jantar nas malas e vamos para a cama”. Assim se passam os dias.

E parece que há cada vez mais mulheres também nesta vida. Daniel disse que tem vindo a crescer o número de colegas do sexo feminino camionistas, e que o ditado de que as mulheres são más condutoras não passa de um estereótipo. “Há cada vez mais mulheres Sim. Nesta vida de motorista tem que se ter gosto. Andar nesta vida só por andar, seja homem ou mulher, nunca irá ser um bom profissional. Na minha opinião há mulheres melhores do que os homens”, expressou a sua opinião.

Sejam homens ou mulheres, o certo é que são os amigos que o ajudam a passar o tempo, principalmente nos dias em que está de regresso a Portugal e fica preso na neve. “Já me aconteceu parar devido à neve, em Burgos. Fiquei lá até a polícia dar ordens para andar”, recordou um dos episódios. Nessa altura, juntam-se os camionistas e ficam a conversar, para tentar acalmar a alma, que naquela hora”é pequena”.

De todos os países onde esteve, foi na Bélgica que mais gostou de estar. “É lá que faço 95% do meu trabalho. É uma cidade limpa, as pessoas são educadas. No que respeita ao desempenho da profissão de camionista, é também por lá que mais facilitam as nossas manobras”, disse.

Os mais perigosos na estrada, disse, são os franceses e também os portugueses. Quando Daniel chega a Portugal, sente a pressa de quem anda nas estradas portuguesas. Mas é sem pressa que quer viver cada momento que está cá, até porque são poucos. Tem uma filha com dois anos e já gosta de ir ao camião do pai. “Gosta do barulho do camião, e eu gosto de a colocar lá e andar a passeá-la”, disse, com o tom de pai babado notável na voz.

Parar esta vida de quem anda com a bagagem metida no camião, de lado para lado, a viajar pelo país em troca do seu ganha-pão, será para continuar. “Ainda sou novo, vou continuar nesta vida até me cansar”, garantiu.

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