Felgueiras, Lousada, Paredes e Penafiel assinam medidas para preservar rio Sousa

Felgueiras, Lousada, Paredes e Penafiel assinam medidas para preservar rio Sousa

Hoje, foi um dia “histórico” para a defesa do Rio Sousa. Com nascente em Friande, no concelho de Felgueiras, e um percurso de 65 quilómetros que se estende até Gondomar, o rio tem sido alvo de poluições. Já não vai a banhos como antigamente nas águas do rio mas hoje ficou a pretensão dos municípios de Felgueiras, Lousada, Paredes e Penafiel de que, pelo menos, haja um aumento da qualidade da água, fauna e flora do Rio Sousa.

Para tal, estes quatro municípios assumiram publicamente um acordo com vista à preservação, vigilância e recuperação de diversas zonas do Rio Sousa. Foram concordados 10 pontos de trabalho entre os municípios. Vai ser criado um grupo de trabalho multidisciplinar e intermunicipal para o desenvolvimento de um plano integrado de proteção no Rio Sousa.

“Praticamente todos os cursos de água foram vítimas da evolução industrial e o Rio Sousa não escapou. Agora o caminho é ir adotando medidas” em articulação conjunta entre municípios e fazer com que as mesmas saiam do papel, para “devolver a vida ao rio”, tal como salientou o presidente da câmara de Penafiel, Antonino de Sousa, e com o qual todos os demais intervenientes no protocolo corroboraram.

Nuno Fonseca, presidente da câmara de Felgueiras, lembrou que proteger os rios é uma responsabilidade que cabe “a todos os municípios mas também a todos os cidadãos, que devem não poluir, se começarmos por esse principio acho que estamos num bom caminho”.

Para o presidente da câmara de Paredes, Alexandre Almeida, a cooperação entre municípios revela-se muito importante para todos, em especial para o que representa: “Tudo o que a gente faça no rio estará sempre condicionado pelo que será feito a montante, por fiscalizações em possíveis focos em Felgueiras, em Lousada, em Penafiel, e por isso haver esta estratégia é extremamente importante para a defesa do Rio Sousa”. Caso a qualidade da água melhorasse, apostar no turismo na zona sul do concelho ou na prática de canoagem seriam dois casos possíveis no município, constatou.

Para Pedro Machado, as gentes do seu município estão “empenhadas na defesa do rio”, assim como “o município, que tem investido em vários projetos de defesa do Rio Sousa”. Deu destaque ao projeto Guarda Rios, que conta com 450 voluntários, ao Lousada Charcos que conta com mais 600, e ainda ao investimento no que respeita ao estudo científico do rio. Frisou ainda que a maior necessidade é “acabar com as descargas ilegais mas que as ETAR’s não são a causa da poluição”. 

Municípios acordam em 10 medidas

O trabalho conjunto entre os municípios vai permitir o “desenvolvimento de plano educativo integrador e contínuo, focado no rio Sousa e no seu património natural e cultural, num contexto de educação para a cidadania e ação cívica”.

O rio Sousa vai ser também monitorizado “em parâmetros básicos para aferição da saúde ecológica e qualidade da água, tanto quanto possível, em cada município”. Neste ponto inserem-se parâmetros como a biodiversidade, condição do domínio público hídrico, composição química da água, existência de descargas e depósitos ilegais, entre outros.

A vigilância e fiscalização são pontos que os municípios assumiram reforçar.  Ao mesmo tempo, propõem-se a detetar e controlar a vegetação infestante ou vegetação exótica com caráter invasor, e ainda a “proteção e adensamento da vegetação ripícola, com plantação de árvores ou arbustos adequados à realidade local”, explicam.

Com este compromisso, os municípios afirmam agora que vão promover ações de limpeza de resíduos/lixo, assim como procederem à desobstrução/desassoreamento do leito, eliminação de depósitos ilegais de inertes, entulhos, e outras situações similares, sempre em ação fundamentada do ponto de vista técnico e científico.

No que respeita às margens do rio, o plano visa a estabilização e renaturalização das mesmas e, adiantam, “sempre que possível com recurso a técnicas de engenharia natural” para minorar os impactos negativos.

Os municípios afirmaram que está a ser avaliada a hipótese de que este protocolo venha a ser integrado pela Associação de Municípios para que “haja um rigor maior no seu cumprimento. Em vez de ser cada município a fazer a avaliação, vamos procurar que a associação assuma o compromisso de fiscalizar”, explicou Antonino de Sousa, presidente da câmara de Penafiel.

No que respeita ao investimento monetário, os autarcas dizem que não se trata de “um investimento avulto. O mais caro serão as limpezas das margens, que exige muitos recursos humanos”.

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