De Bagagem pelo Mundo: De Cinfães para a Suíça, Ana Alves viajou pela independência e amor

De Bagagem pelo Mundo: De Cinfães para a Suíça, Ana Alves viajou pela independência e amor

Emigrar nunca esteve nos planos de Ana Alves. Sentia-se bem por Cinfães. Embora tenha nascido na Russia e por lá permanecido até aos cinco meses de vida, foi Cinfães a terra que a viu crescer, aprender a ler e a escrever. Montou até o seu próprio negócio. Tinha uma loja de roupa e sentia-se bem na relação que a sua profissão permitia criar com os outros.

Vivia na casa da mãe, em Cinfães, onde o verde era a cor que predominava com a vista para os campos, e o cheiro das flores do Jardim Fonte dos Amores a faziam sonhar com uma vida feliz e cheia de sucesso. Mas economicamente Ana não se sentia feliz. Com o amor a fortalecer a relação com o namorado, a ânsia por uma casa e uma vida a dois crescia a olhos vistos, assim como a vontade de ter mais independência. Foi toda esta conjuntura que a fez preparar a bagagem e partir.

Sentaram-se os dois no jardim e chegaram à conclusão de que iriam dar um passo importante nas suas vidas. Ana ficou ainda um tempo em Cinfães, enquanto o namorado foi até à Suíça em setembro do ano passado. Faz agora um ano. Preparou aquele que seria o “ninho do amor” para ambos, e Ana foi ter com ele em janeiro.

Depois de esperar ansiosa quatro meses pelo dia da partida, quando a hora chegou, “o momento tornou-se inesquecível”. Preparava-se para “um recomeço” mas “deixar tudo para trás não cabia na bagagem nem a dor no coração”. A realidade em que vivia estava prestes a dissipar-se e outra a emancipar-se.

Preparou a mala. “Roupa quentinha, fotos, panelas, talheres, cortinas para a nova casa. Mas na bagagem invisível levei os cheiros, a força, os abraços, as palavras de incentivo”, confessou Ana Alves, com a emoção demarcada na voz.

“Foi assustador ao início. Mas o Hélder (namorado) já tinha feito alguns amigos, já tinha trabalho, e até já integrava uma equipa de futebol”, disse, orgulhosa do facto de Hélder ter ficado em primeiro nos melhores jogadores de Friburgo, onde residem. Mas Ana não teve logo trabalho o que a obrigou a ficar muito tempo sozinha em casa e as saudades da casa, de Cinfães e da família bateram à porta mal se passaram as primeiras 48 horas na nova cidade.

“Depois, com a ajuda de um casal amigo português, conseguimos estabilizar cá, e começamos a traçar os nossos objetivos e a conquistar a nossa independência”, constatou Ana Alves, frisando que nunca vai conseguir agradecer ao casal amigo por todo o apoio prestado. A bagagem invisível foi-lhe dando o suporte para aguentar com toda a turbulência dos primeiros instantes.

“Ela ia tirando os medos e receios da bagagem para se sentir mais ‘à larga’. A minha mãe cabia na minha bagagem invisível e eu podia com ela”, frisou.

Mais tarde trouxe consigo um ser que lhe dava alento. A sua cadela. Essa coube na bagagem física. No entanto, devido às leis vigentes da Suíça, no verão teve de regressar para Portugal. “Foi outro momento de despedidas. Mas estou certa de que assim que eu mude para uma casa com maiores dimensões ela vai voltar”, disse com um tom de esperança.

Na ausência do que mais lhe faz falta, vai admirando o “lado bom do país, como a neve, as pessoas que, apesar da correria, parecem felizes”. Gosta também de andar pelas ruas e ouvir o “nosso português”. Mas sobretudo Ana gosta das oportunidades que a Suíça lhe dá, e é por isso que se mantém por lá, mesmo com as dificuldades que a língua lhe acarreta no dia a dia, com as saudades dos pais, e a vida cara.

Para já, vai manter-se pela Suíça, fazendo do whatsapp o seu melhor amigo para colmatar as saudades.

 

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