Lousada: Salomé Ferreira percorre o mundo para divulgar terapia de apoio a autistas relacionada com música

Lousada: Salomé Ferreira percorre o mundo para divulgar terapia de apoio a autistas relacionada com música

“Musicoterapia e autismo. Campos de comunicação e afeto”. Este é o livro editado por Gustavo Gattino, de nacionalidade brasileira, que veio viver para Lousada. É escrito por vários autores, entre eles a lousadense Salomé Ferreira, que assina um dos capítulos e que espera que a apresentação do livro na sua terra Natal esteja para breve.

Enquanto isso não acontece, esta obra – e os seus autores – têm percorrido o país e até várias partes do mundo, depois de terem feito vários estudos de caso “que envolvem desde o atendimento a crianças e jovens com autismo até sessões de terapia para os pais dessas crianças”. Ou seja, explicar o autismo foi um dos seus objetivos, mas o cerne da questão é a forma como a música e o sentimento que a mesma espoleta nos portadores de autismo pode atenuar a doença.

O trabalho que Salomé desenvolveu veio a ganhar um reconhecimento cada vez maior, o que permitiu à lousadense receber convites para correr o mundo a apresentá-lo. Em 2013, foi a organizadora do congresso Ibero-americano de investigação em Musicoterapia, em Lousada, que, até hoje, acontece de dois em dois anos.

Este ano, o congresso está a desenvolver-se no Brasil, local que albergou a apresentação do livro “Musicoterapia e autismo. Campos de comunicação e afeto”, no dia 29 de agosto, em São Paulo, onde vendeu todos os 75 livros disponíveis no próprio dia. A obra foi também já lançada em Santa Catarina, no dia 6 de setembro.

Salomé dá aulas de musicoterapia no Brasil e muitos foram os alunos que quiseram o livro da sua professora. Para a vereadora da Câmara Municipal de Lousada, Cristina Moreira, Salomé é vista como “um exemplo”, ao “espalhar sucesso no Brasil”.

Ao Jornal A VERDADE, Salomé Ferreira explicou de que modo é que a musicoterapia e o autismo se cruzam: “Desde o início da sistematização da musicoterapia, na década de 50 do século passado, observou-se um grande interesse de crianças e adultos com o diagnóstico de autismo por música. Esses indivíduos conseguiam interagir e expressar emoções de uma forma completamente diferente em comparação com outras atividades. Em outras palavras, a música servia como uma forma de comunicação importante que permitia uma melhor comunicação para esta população”.

A lousadense prossegue com a mesma explicação ao referir que, “atualmente, os estudos de neuroimagem mostram que pessoas dentro do espectro do autismo tem um processamento de emoções semelhante às pessoas com desenvolvimento típico para o processamento da música. Além disso, eles têm um processamento superior para compreensão de melodias”.

Por isso mesmo, a autora sublinha que “a música desperta um interesse especial nesta população especialmente pelas dificuldades neurológicas destes indivíduos para o processamento de palavras, o que não acontece na música. Nesse sentido, a música acaba por ser mais interessante que a linguagem verbal no contexto do autismo”, revelou.

Ao longo do processo de escrita do livro, Salomé viveu várias experiências relacionadas com o tema em questão. Destas, a mais marcante foi “ver o impacto da musicoterapia no contexto familiar”, tanto na criança, como nos que a rodeiam: “Não apenas a criança mostrava mudanças positivas nas suas respostas, mas também observou-se mudanças nos outros membros da família. A partir dos atendimentos de musicoterapia, a família ficou mais unida e conseguia resolver as suas problemáticas de forma coletiva”, recordou.

Para os pais que têm crianças autistas, a lousadense aconselha que “procurem intervenções terapêuticas o mais rápido possível”, uma vez que, “quanto mais cedo as intervenções forem iniciadas, maior a chance da criança desenvolver os seus distintos comportamentos e habilidades de uma forma complexa”. Neste campo, “a musicoterapia representa uma grande alternativa dentro das diferentes intervenções terapêuticas devido ao grande interesse dessa população por música”, defendeu.

Porém, Salomé assegura que a musicoterapia pode ser um instrumento diário importante não só para os pais, mas também para quem lida diariamente com os autistas: “A musicoterapia pode incluir cuidadores e familiares, de modo que essas pessoas podem utilizar a música no quotidiano de diferentes formas. A música pode ser usada na transição de atividades, na hora de relaxar, em situações de stress para o indivíduo e também ajuda no estabelecimento das rotinas diárias”, finalizou.

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