Baião: Associação Eco Simbioses procura apoios para implementar percurso pedestre no concelho

Baião: Associação Eco Simbioses procura apoios para implementar percurso pedestre no concelho

Aventurando-se pelo concelho de Baião e, particularmente, pela antiga freguesia de Ovil, caso se dirija em direção ao rio com o mesmo nome, é provável que passe por Vilarelho. Daquele lugar, é natural António Mota, autor de livros infantis que, em 2019, assinala 40 anos de carreira.

Uns metros mais abaixo da casa do escritor baionense – que ainda ali habita – encontra-se a antiga escola primária, edifício que, após ter estado em desuso por um largo período, foi recuperado pela autarquia. Hoje em dia, funciona como sede da Eco Simbioses – Associação Ambiental e Cultural do Vale de Ovil.

Criada em 2010, esta associação tem, desde agosto de 2018, Sara Pereira como presidente da direção, sendo Carla Pinto a tesoureira. Coube a ambas receber-nos naquele espaço, no qual não parece ter passado um dia desde que ali se davam aulas a crianças – uma delas foi, precisamente, Carla Pinto. Desde as secretárias aos pesos e medidas, sem esquecer o poster com o hino nacional colado na parede, não faltam artefactos que avivam a memória e a nostalgia de infância.

Foi envolvidos por aquele cenário que, uma vez recordada a saudade dos tempos de escola, Sara Pereira nos revelou quais os objetivos que motivaram a criação da Eco Simbioses: “decidimos criar uma associação pequenina, para fazer algumas atividades, sempre ligadas ao ambiente. Não havia nenhuma associação ambiental em Baião, portanto, começámos a pensar na parte do Carvalhal de Reixela e no que poderíamos lá fazer para ajudar na sua preservação”, conta a presidente.

No relato das anfitriãs, há um nome que salta à vista no que aos primeiros passos da associação diz respeito: Luís Geada. “É um entusiasta de tudo o que tenha a ver com o ambiente, do Carvalhal de Reixela, de caminhadas, de preservação… Foi ele que nos deu um ‘empurrãozinho’, porque nós, quando começámos esta atividade, havia muito poucas caminhadas aqui. Ele ia à frente e definia os percursos, para que nós pudéssemos organizar caminhadas durante o ano”, contou Carla Pinto.

A primeira ação do recém-criado grupo, porém, foi a “Limpar Portugal”, projeto que, em março de 2010, reuniu 100 mil voluntários por todo o país para efetuar uma recolha de lixo à escala nacional. No caso da associação em particular, esta iniciativa – que foi levada a cabo em conjunto com voluntários, o município e os Bombeiros Voluntários de Baião – incidiu sobre vários pontos do concelho, tendo sido recolhidas “largas toneladas de lixo”. “Até pusemos dísticos nos carros para podermos levar mais gente e a GNR deu-nos total aprovação. Foi uma coisa em grande”, recorda Sara Pereira.

Desde então, a Eco Simbioses tem vindo a crescer de forma sustentada. Atualmente, conta com mais de 80 sócios, “mas não têm as quotas atualizadas”, apressa-se a dizer a presidente entre risos, acrescentando que a organização “depende muito de trabalho voluntário”. Nos quadros da associação, entre direção, assembleia e conselho fiscal, estão envolvidas 15 pessoas, que têm por única motivação a salvaguarda do ambiente e do património da terra que, no caso de grande parte dos elementos, os viu nascer.

Com esse propósito no horizonte, a associação tem um objetivo maior para o futuro: a consolidação do percurso de 13 quilómetros pelo Vale de Ovil, que já está marcado e registado na Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal. “É um percurso circular, que começa na Praia de Outoressa, vai a Outoressa, Castelo de Matos, Carvalhal de Reixela e depois volta outra vez para a praia”, explica Sara Pereira.

Contudo, a conclusão desse objetivo tem vindo a apresentar alguns obstáculos, nomeadamente a manutenção permanente do percurso, as propriedades privadas que este atravessa e o facto das placas feitas pelas crianças de escolas do concelho serem constantemente roubadas. Por tudo isto, Carla Pinto afirma que este plano “não está posto de parte, está só em stand-by, processo que seria acelerado caso fosse criada “uma parceria que permita implementar o percurso, que é muito extenso”.

Enquanto o principal objetivo não é atingido, a Eco Simbioses vai continuar a dinamizar iniciativas em prol da defesa do ambiente e do património do Vale de Ovil. Neste campo, há dois eventos principais que, ao longo dos anos, têm vindo a ser impreterivelmente organizados: a Caminhada Noturna pela serra da Aboboreira/Sra. da Guia e a Caminhada ao Castelo de Matos e Carvalhal de Reixela, que trazem ao concelho cada vez mais visitantes.

É ainda parte integrante do calendário da associação, ano após ano, a Recriação da Desfolhada Tradicional, que se vai realizar já a 28 de setembro, na Casa da Juventude de Chavães. “Colocamos o milho na eira e, durante a desfolha do milho, colocamos as panelas numa fogueira lá fora com os rojões, as papas e o caldo verde, assamos a carne e fazemos o café na chocolateira. Depois, temos uma animação com música popular”, contou Sara Pereira em jeito de convite.

Esta é uma das muitas formas encontradas pela organização para, através do ‘boca-a-boca’, procurar angariar mais sócios e manter o contacto com a comunidade. Também com esses objetivos em vista, Carla Pinto dá conta do sentido de dever da Eco Simbioses em participar nas iniciativas públicas promovidas pelo município, tais como o desfile de carnaval ou as marchas de Santo António: “Gostamos do contacto com as pessoas e de dar a conhecer a associação. Mas, mais do que isso, sentimos o dever de participar porque somos apoiados por entidades públicas, com dinheiro que é dos contribuintes”, salientou.

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