Pimenta na Língua: O blogue de Marta Moreira, a jovem de Lousada que fala da sociedade “sem medo”

Pimenta na Língua: O blogue de Marta Moreira, a jovem de Lousada que fala da sociedade “sem medo”

Já ouviram falar em “Pimenta na Língua”? esta expressão deu lugar a um blogue de crónica social e política, “num registo desvinculado e despretensioso. Ou pelo menos, assim o pretende ser”. Quem o diz é a própria autora, Marta Moreira, natural de Lousada.

Nesta página encontra-se comentários sobre tudo: “Feminismo, política, o universo laboral, a música, o ensino, os problemas da minha geração”, diz a autora. “Pimenta na Língua” é, assim, um espaço que surgiu para Marta Moreira exteriorizar aquilo que vê e sente sobre o que a rodeia.

A ideia surgiu na sequência das redes sociais, local onde percebeu que “as palavras têm muita força”. Considera-se uma pessoa “muito ativa e interventiva” e, com aquilo que escrevia, “foi suscitando muitas reações e muito vincadas”. Em 2015, o Pimenta na Língua estava no ar, com o objetivo de que ele seja “útil, que acrescenta algo a quem contacta com ele”, pelo menos salienta que é nisso em que quer acreditar.

Marta, autora do blogue “Pimenta na Língua”

“Não sei se o faz ou não, e procuro não pensar muito nisso (porque tento não levar as coisas demasiado a sério; acho que se não o fizesse não conseguiria escrever mais nada!); importa-me mais essa tentativa, esse querer”, frisou.

A ideia é discutir temas que saltem do espaço mediático. E dá o exemplo: “escrevi há muito tempo uma crónica que se chamava ‘Da intimidade e outros demónios’, que discorria acerca do que é isso duma relação amorosa que, lá está, nos acrescente); outras vezes é exatamente o oposto: tentar olhar as polémicas do momento sob uma perspectiva que ainda não tenha sido explanada (como quando escrevi sobre as últimas eleições autárquicas, por exemplo)”.

Questionada sobre o facto de haver ou não censura atualamente, a autora do blogue disse que “não, pelo menos qui em Portugal. “Parece-me que hoje em dia se cai com frequência nesse erro de obliterar o significado histórico de algumas palavras. Gritamos “lobo” demasiadas vezes e depois quando é a sério já ninguém acredita, e isso é, a meu ver, um dos motivos que justificam o aparecimento destas figuras abjectas enquanto líderes mundiais (Trump, Bolsonaro, Salvini, Órban, enfim, e muitos outros)”, referiu.

Confessa que noutras partes do mundo ainda há vítimas de censura e, pelo respeito que lhes guarda, não afirma que em Portugal se possa dizer que haja censura.

“Agora, se me pergunta se a um homem é “permitido” mais que a uma mulher? Sem dúvida”, e aqui assume-se feminista. “Ainda educamos as meninas para serem recatadas, dóceis: não dizer palavrões, não ser demasiado assertiva, não se intrometer em determinados domínios. Uma mulher que o faça facilmente é apelidada de brejeira, histérica, arrogante (entre outros insultos mais criativos)”.

E adianta que, pior do que isso, “ é frequente cair-se no erro de considerar que uma mulher que exprime opiniões vincadas sobre esta ou aquela matéria está na realidade a mimetizar um homem da sua vida (o pai, o marido, o namorado, o irmão, etc.), sinal inequívoco de como o patriarcado ainda é uma forte condicionante social”.

É por tudo isto que escreve. E já escreveu em quatro anos 60 crónicas. E os “frutos” que o blogue lhe trouxe também já foram alguns, confessa: “a nível profissional assinalo, evidentemente, a colaboração com a Revista RUA, de Braga, desde o início deste e as críticas que recebo com regularidade por parte de pessoas com as mais diversas proveniências. Mas para além disto, já me aconteceu uma coisa muito curiosa: como um dos leitmotiv das minhas crónicas é o universo laboral, já cheguei a sofrer retaliações pelo que escrevia num emprego (que felizmente entretanto abandonei!), ao mesmo tempo que tive dezenas de pessoas a recorrer a mim para se aconselharem face a situações semelhantes de abusos no contexto laboral”.

No futuro, Marta espera que “Pimenta na Língua” dê origem à escrita regular de crónicas em jornais regionais e nacionais, e que seja o arranque para o seu segundo romance. “Portanto, lá no fundo os objectivos continuam a ser os mesmos que me moveram inicialmente: conseguir oportunidades que me permitam, através daquilo que penso e que escrevo, impactar a vida das pessoas; acrescentar!”.

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