De Bagagem pelo Mundo: Em Bruxelas, Sérgio Leal mata saudades de Lousada através do hóquei e do S.L.Benfica

De Bagagem pelo Mundo: Em Bruxelas, Sérgio Leal mata saudades de Lousada através do hóquei e do S.L.Benfica

Sérgio Leal é de Lousada, mas há sete anos que teve de deixar de dormir diariamente aqui. Foi nesta altura também que teve de deixar de degustar a comida da mãe, de jogar hóquei, de sair com os amigos de infância. E tudo porque seguiu “o conselho de Passos Coelho, ao mandar os jovens do país emigrarem”.

Sérgio não conseguia arranjar trabalho. Embora gostasse de estudar e tivesse tirado o 12.º ano, o certo é que não tinha uma fonte de rendimento. Os 22 anos não eram apenas números. Sentia falta de ter o seu próprio dinheiro para começar a sua vida de adulto. Mas na falta de oportunidade, a única que lhe pareceu válida foi fazer a mala, apanhar um avião e partir.

Foi para Bruxelas em 2012. No início encarou a viagem como “uma aventura” mas rapidamente percebeu que a nova vida não lhe acarretava apenas o lado bom da adrenalina. Rapidamente veio a “ansiedade” de quem nada conhecia do outro lado do mundo, de quem ia “encontrar uma língua nova, pessoas novas”, ao mesmo tempo que as pessoas que mais amava ficavam em terra, enquanto as via diminuir de tamanho pela janela do avião onde partiu. “Mas era uma decisão já tomada”.

Foi ao olhar pela mesma janela que Sérgio Leal recordou os 22 anos passados em Lousada: “Uma infância excelente, com oportunidades de estudo, com muito desporto à mistura. Tantas noites a sair com os amigos que viviam perto da minha casa, jogávamos tanto futebol, tantas asneiras de criança foram feitas, tanta felicidade foi sentida”. Foi aí que percebeu que, mesmo sem estar perto, quando se tem saudade quase se sente os cheiros que mais marcam as vidas: “o cheiro dos nossos pais, da comida da nossa mãe, da nossa casa”. Mas ao mesmo tempo emergia uma vontade de conhecer uma nova cultura, de encontrar novas oportunidades.

E assim foi. A “escuridão” que diz ter sentido no início foi desvanecendo e dando lugar à “luz”. Depois de andar duas horas perdido na cidade para fazer um percurso que hoje faz em cerca de 20 minutos, foi “apalpando terreno”, habituando-se aos caminhos, e traçando o seu próprio rumo em Bruxelas. As saudades que sente da sua terra vão sendo derrubadas a ver o SL Benfica, tal como fazia em Portugal. Por outro lado, vai jogando hóquei, deporto que “adora” e que já praticava em Lousada com os amigos.

Se antes não sabia muito mais do que o português, agora sabe falar cinco línguas. “Encontrei a multiculturalidade em Bruxelas, encontrei pessoas de todos os cantos do mundo por aqui.  Foi muito enriquecedor”, explicou.

Só não se consegue adaptar muito bem ao frio que por lá se faz sentir, mas com mais uns casacos que colocou na bagagem vai colmatando esta dificuldade. Quando regressa a Portugal, admite que adora sentir o calor, a areia nos pés e ir até à praia. Mas não há nada que o console mais do que chegar a Lousada e estar com a sua família e os seus amigos.

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