Cinfães: Associação Cultural Serpa Pinto retomou funções e em setembro realiza almoço africano

Cinfães: Associação Cultural Serpa Pinto retomou funções e em setembro realiza almoço africano

Serpa Pinto. A vida deste aventureiro nascido na freguesia de Tendais, no concelho de Cinfães, em 1846, dava um livro. Não só um livro, como deu origem a um museu no concelho que o viu nascer, e uma associação destinada ao estudo da sua vida e obra.

Não era um homem comum, porque os comuns não costumam atravessar a pé África, acompanhado por uma cabra e um papagaio, contam os testemunhos históricos que chegam até hoje. Em 1877 explorou a zona oeste de Angola. Em 1879 já estava a atravessar as bacias do rio Congo e do Zambeze. Esta parte da sua história poderia ser uma página de um livro com mais de cem outras, cuja pesquisa contou com a ajuda da Associação Cultural de Serpa Pinto.

Esta associação, de âmbito cultural, fica localizada no concelho de Cinfães, que há mais de um século viu Serpa Pinto nascer. Foi criada em 2007 tendo por objetivo promover o conhecimento, estudo e cooperação entre culturas com ligação a Serpa Pinto.

A Associação Cultural Serpa Pinto esteve alguns anos sem exercer as suas funções, por falta de quem tomasse conta do projeto. Mas agora sangue novo tomou conta dos seus objetivos e já não faltam projetos e ambições. São cinco pessoas ao comando e que pretendem criar atividades que envolvam a comunidade que possui conhecimento sobre Serpa Pinto, a fim de que o conhecimento sobre a vida e passagem terrena deste cinfanense aumente. Ao mesmo tempo, “esta é uma forma de eternizar Serpa Pinto”, e para isso tentam levar a sua história de vida aos mais velhos, mas também aos mais novos, “para que não esqueçam quem saiu da sua terra para conhecer o mundo”, conta Ester Vaz, presidente da associação.

Esta associação tem vindo a desenvolver trabalho diário. Para isso conta com três elementos, que já estão aposentados, “e que têm mais tempo para se dedicarem ao projeto”, e ainda a dois elementos mais novos, que ainda estão no ativo, “mas que muita vida dão a esta associação”.

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Organizam colóquios, palestras e atividades que visam cruzar conhecimentos, num intercâmbio de saberes, onde Serpa Pinto dá o mote para que aconteçam. “Somos nós que convidamos pessoas, que consideramos especialistas em determinadas áreas cientificas, não apenas na área da história, mas também no cruzamento com outras áreas de estudo”, adiantou Ester Vaz. O Tema “Serpa Pinto” leva a voar por áreas como a música, a gastronomia, a dança, a sociologia, a geografia, entre outros.

Na última palestra, realizada em julho, o tema foi “Mundividências africanas em contexto moçambicano” com recurso aos escritos de Mia Couto visto que a literatura se liga com Serpa Pinto na medida em que a escrita tem origem moçambicana, local onde há raízes idênticas às que Serpa Pinto encontrou durante a travessia em 1877 e 79.

A Associação quer atingir todo o público e desmistificar a ideia de que pertencer a Associação Serpa Pinto “não é coisa para velhos”. Por isso, as próximas atividades “estão a ser pensadas para um público eclético, para que as pessoas possam escolher as atividades que mais vão ao encontro dos seus interesses”.

Para setembro já está a ser preparada uma dessas atividades. Se há lugar em que a idade não importa, nem a classe social, é à mesa. No próximo dia 21 de setembro, vai realizar-se um almoço africano, “que é já uma marca desta associação”, visto que já se realiza desde a sua fundação.

Embora o almoço já não se realize faz alguns anos, “tendo em conta que a associação esteve parada”, a nova direção achou que seria uma boa forma de assinalar o seu recomeço.

Os pratos que vão ser apresentados (dois) vão trazer os sabores africanos, “porque Serpa Pinto quando andou por Angola e Moçambique foi conhecendo esta gastronomia e é uma forma de através da gastronomia, fazer-se tributo a Serpa Pinto”. A associação está a prever que haja cerca de 60 a 70 pessoas no almoço, que é aberto à comunidade, mas que tem um custo associado, avisa Ester Vaz. A inscrição pode ser feita através do email da associação acserpapintocinfaes@gmail.com, ou via telefone, através do 961521761. 

Associação espera melhores condições no espaço físico

Além de todo o trabalho que descrevem como “visível”, há ainda outras tarefas que têm vindo a ser desenvolvidas “mas que não são tão visíveis como as outras”, afirmou Ester Vaz, referindo-se ao trabalho no na sede da associação.

O espaço fica sediado Vila Viçosa, a caminho da Serra de Montemuro. “No verão, ainda conseguimos lá estar, mas chega a Novembro e já não há hipótese, não aguentamos o frio por lá. O espaço precisa e obras e estamos a reunir condições para as fazermos”, frisou.

Para tal, estão a recorrer ao mecenato, para que possam ter apoios para reforçar o espaço, e salvaguardar também o material. Estamos a trabalhar numa  proposta para a melhoria no edificado”, confessou.

Há sonho com parceria com a Câmara e Museu

A Associação Cultural de Serpa Pinto considera que a colaboração mais ativa com a câmara municipal de Cinfães, assim com o Museu de Serpa Pinto, seria uma mais valia para o concelho.

“O nosso projeto ganhará ainda mais valor se colaborarmos com outras entidades. O Museu de Serpa Pinto faz um trabalho de exposição interessante, e a colaboração com aquilo que conseguimos descobrir de novo sobre este homem pode ser enriquecedor na medida em que não dispersamos o conhecimento, condensamos os esforços”, referiu Ester Vaz.

Também no que respeita à câmara municipal, a presidente da associação salientou que a colaboração ainda mais ativa poderia vir a ser “produtiva”, nomeadamente para tornar o povo cinfanense mais consciente do trabalho desenvolvido por Serpa Pinto.

“Vamos propor à câmara municipal geminação de Cinfães com antiga cidade de Serpa Pinto em Angola, sei que ainda há lá muitos vestígios sobre Serpa pinto mas com intervenção da câmara municipal. É importante este intercâmbio de entidades“, revelou Ester Vaz ao Jornal A VERDADE, concluindo que está convicta de que, daqui a uns anos, a associação “estará a trabalhar diretamente com estas entidades”. 

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