Feira Franca trouxe milhares de visitantes a Baião na manhã desta sexta-feira

Feira Franca trouxe milhares de visitantes a Baião na manhã desta sexta-feira

O dia arrancou bem cedo em Baião esta sexta-feira, dia 23 de agosto, com o grupo de Zés P’reiras “São Tiago de Queimada” e a Banda de Música da Associação de Várzea a darem o mote, pelas 07h30, para mais uma jornada das Festas Concelhias e de S. Bartolomeu.

Esta manhã, para além da Missa Vespertina realizada às 09h00, foi dia de Feira Franca. A par das dezenas de feirantes que vendem ao público produtos tão diversificados como vestuário ou sementes, decorreu também a Mostra de Gado.

Após concentrarem-se no espaço situado à entrada da vila, junto do posto de abastecimento de combustível, os produtores e respetivos exemplares das raças arouquesa e maronesa participaram no desfile do gado e dos carros de bois antigos até à Praça Heróis do Ultramar, realizando-se de seguida a entrega de prémios.

Todos os anos, a Feira Franca é paragem obrigatória para milhares de visitantes, tanto de Baião como dos concelhos envolventes. No caso dos baionenses, o certame – bem como as próprias festas – é o ponto alto do verão, sobretudo para aqueles que, por motivos de força maior, tiveram de abandonar a terra que os viu nascer e assentar raízes noutras paragens.

É o caso de Maria Amélia, de 65 anos, que fez as malas para o Brasil há 46 anos, como o sotaque denuncia. Contudo, esse cenário vai mudar nos próximos anos, já que vai regressar definitivamente dentro em breve. No entanto, enquanto a decisão de voltar não se concretiza, as saudades forçam-na a vir passar férias a Baião desde que imigrou, para tomar parte na Feira e nas festas em que participa “desde sempre”: “Toda a vez que venho a Portugal venho aqui, porque a feira e as festas daqui são a paixão da gente”, refere com orgulho.

Para além da animação e, claro, dos preços baixos, Amélia revela que vem à feira, sobretudo, para “reencontrar a família”: “Encontro aqui família e amigos, e a minha amiga até reclama porque todo o mundo me conhece”, relata entre risos.

Do outro lado da banca de venda, demos de caras com João Oliveira, feirante de 70 anos nascido em Vila Boa de Quires (Marco de Canaveses). Para o marcoense, a Feira Franca é local de negócio há já 38 anos. “É muito tempo”, recorda com saudosismo o negociante, que considera esta “uma feira de tradição, que atrai muita gente”, o que se traduz num lucro “um pouco maior do que o normal”.

Mais abaixo, na Mostra de Gado, também não faltam populares a admirar o largo número de exemplares de bovinos, juntando-se assim aos produtores e aos trabalhadores das tasquinhas, que têm por missão matar a sede e aconchegar o estômago das gentes que madrugaram para ali estar.

Entre eles, encontrámos António Mesquita, de 58 anos. Habitante de Louredo, povoação situada nos arredores de Baião, diz vir à feira desde que se lembra, numa altura em que o percurso hoje feito de automóvel se fazia a caminhar: “Venho a pé desde pequeno, desde os cinco / seis anos, porque não havia outro meio de transporte”, percurso que demorava “por volta de uma hora”.

“A tradição” e o facto de “ver os prémios e os touros” com os quais foi criado é, para António, aquilo que “a Festa de S. Bartolomeu tem de melhor”. Apesar de agora ser só visitante, ele próprio chegou a participar no concurso com o respetivo gado, tendo inclusive conseguido arrecadar “primeiros, segundos e terceiros prémios”.

Quem também não perde uma edição da Mostra de Gado são Aventino Monteiro (53 anos) e Augusto Carneiro (82), ambos naturais do lugar do Ingilde. Aventino diz vir “todos os anos desde pequenito” e que, na altura, vinha a pé: “Que remédio!”, refere bem disposto. “E não é longe!”, intrometeu-se Augusto, dando um exemplo da distância que percorria naquela tempo, que faria qualquer atleta profissional corar de vergonha: “Na altura, íamos à Feira de Cinfães comprar gado e vínhamos a pé!”.

Também o próprio Augusto não perde uma edição da feira do gado desde que tem memória – e a razão é simples: “Eu tenho amizade a este gado, também já criei muito,” referiu, ele que ia com os seus exemplares “a Baião, a Cinfães, a Mesão Frio”, …

Quando questionado sobre o que a Feira Franca de Baião tem de especial, Augusto também não perde tempo na resposta: “As outras feiras já não têm gado nenhum. Têm ovelhas, porcos, às vezes torinos, mas mais nada”, explicou. E o gado vem a terras baionenses “de além Douro: de Cinfães, de Resende”, … Por isso mesmo, Augusto vem “sempre, todas as vezes”.

Naturalmente, não podíamos ir embora sem falar com os criadores de gado. Assim, aproximando-nos com a devida cautela dos imponentes bois que por ali paravam, abordámos Joaquim Ribeiro, baionense de 50 anos que vai a concurso com a raça arouquesa na Feira Franca há cerca de dez anos.

Contudo, já antes de se ter tornado criador, não faltava a uma edição: “Venho desde pequenino, porque fui criado nisto”. Natural da freguesia de Viariz, tinha de “atravessar a serra” para ali chegar naqueles tempos, percurso que calcorreava ao longo de duas horas. “Hoje em dia, com os carros, é muito mais fácil”, afirmou.

Para terminar, Joaquim Ribeiro garante que faz questão de participar no certame porque “a Feira de S. Bartolomeu tem um nome muito forte a nível nacional, atraindo muita gente de concelhos vizinhos, dada a sua fama”.

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