Baião: Populares manifestaram-se contra tourada sob a batuta do maestro Victorino de Almeida

Baião: Populares manifestaram-se contra tourada sob a batuta do maestro Victorino de Almeida

Na tarde desta sexta-feira, dia 23 de agosto, teve lugar uma tourada em solo baionense, realizada a par das Festas Concelhias e de S. Bartolomeu. Sob a designação “Há Toiros em Baião”, a iniciativa realizou-se pelas 17h30 numa praça de touros improvisada junto à vila.

Paralelamente ao evento, decorreu, a algumas dezenas de metros do recinto, uma manifestação de populares contra a realização da tourada. Foram várias dezenas de pessoas oriundas de diversos locais a exibir cartazes e gritar palavras de ordem, numa demonstração de revolta e, simultaneamente, tentativa de demover os populares que se dirigiam à praça de touros.

Um dos elementos presentes na manifestação era uma cara bem conhecida da esfera pública portuguesa: Victorino de Almeida. O compositor e maestro não poupou nas críticas, vincando ser “consabidamente contra uma atividade que reflete uma atração doentia por uma coisa muito perigosa: os cornos“.

“Os ‘cornófilos’ são pessoas que não resistem à atração pelo corno e, portanto, a ‘cornofilia’ é a sua doença”, ironizou Victorino de Almeida, acrescentando que esta atividade é “perigosa para eles e também para os cavalos”.

O maestro descreveu ainda a tauromaquia como uma tradição “repelente”, comparando-a à “tradição da violência doméstica”, sendo “defendida como tal por quem a pratica”.

Também presente e de cartaz em riste esteve Bebiana Cunha, candidata pelo PAN do distrito do Porto às eleições legislativas. Em nome do partido, a partidária de 33 anos fez questão de tomar parte na manifestação para “mostrar que a nossa cultura pode ser uma cultura sem violência”, considerando que “é precisamente altura de dar esse passo, pois são cada vez mais pessoas que querem pôr fim aos eventos tauromáquicos no país”.

As vozes dos manifestantes subiam de tom sempre que pais se dirigiam à tourada com crianças pela mão. “A organização das Nações Unidas já recomendou a Portugal que as crianças e jovens não assistam a estes eventos, pois está cientificamente provado que a exposição a eventos com caráter de violência faz com que as pessoas reproduzam comportamentos violentos”, justificou Bebiana Cunha.

Neste âmbito, a candidata acrescenta que “uma criança tão pequena como as que já vimos passar para a tourada é, obviamente, muito mais frágil do ponto de vista psicológico e são muito, indubitavelmente, mais suscetíveis a estes eventos e à reprodução de eventos violentos”. Por essa razão, considera que, “nesta altura, já não devia ser permitido a crianças e jovens assistir a eventos tauromáquicos”.

Do outro lado da ‘barricada’, junto à praça de touros, encontrámos dois populares a favor da tourada dispostos a responder às acusações dos manifestantes, mas que preferiram manter-se incógnitos. “Nós gostamos dos animais e isto é uma tradição”, refere um dos indivíduos, que responde às acusações da tauromaquia ser uma prática violenta para os animais pelo facto de “as farpas ficam só na pele do touro”.

Já o segundo popular, considera que “cada um tem direito à sua opinião e a manifestar-se, mas com respeito e com educação”. “Têm direito a estar ali a manifestar-se, mas não acho correto que digam: és uma cobarde! Passámos com um filho e, mesmo que não venha participar na tourada, tratam mal a pessoa – e não têm direito de fazer isso”, criticou.

O mesmo indivíduo realçou ainda que, se os manifestantes querem “mudar a opinião das pessoas, não é no dia nem no local  da tourada que o devem fazer. Pelo contrário, vão ficar mais revoltadas e têm mais vontade de lhes mostrar que aquela não é a melhor forma de manifestarem a opinião deles”, sublinhou.

Durante o evento, em declarações ao Porto Canal, Luís Santos, membro da organização, justificou a realização da tourada no sentido de “continuar a cultivar uma tradição”: “Esta é uma parte cultural do nosso património. A identidade do povo português também reside na tauromaquia, de modo a que trazê-la a locais remotos – fora do Ribatejo e do Alentejo – é uma dádiva”, afirmou.

O organizador acrescentou ainda àquele órgão de comunicação que o direito à manifestação não significa que o espetáculo em decurso pudesse ser perturbado, o que, segundo Luís Santos, se veio a verificar: “As pessoas têm direito de se manifestarem desde que não perturbem o espetáculo, o que não é o que está a acontecer”, criticou.

Segundo o Porto Canal, um dos seus repórteres de imagem presentes no local foi agredido por um membro da organização enquanto filmava. A GNR, que tinha a respetiva força de intervenção pronta a entrar em ação se necessário, tomou conta da ocorrência. Quando os ânimos acalmaram, o alegado agressor terá pedido desculpa ao referido repórter.

Deixar um comentário

O seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios marcados com um *

Cancelar resposta