Bagagem pelo Mundo: Lokas é médica e já fez três missões. Em outubro parte para ajudar os rohingyas

Bagagem pelo Mundo: Lokas é médica e já fez três missões. Em outubro parte para ajudar os rohingyas

Um resgate de 40 pessoas africanas, que navegavam a bordo à procura de um porto seguro para viver, de um lugar para desembarcar, foram socorridas no dia 18 de julho por um grupo de que integraram um missão humanitária. Diante delas estava Ana Paula Cruz, mais conhecida por Lokas, uma jovem de 27 anos, nascida em Celorico de Basto, médica, que tem no seu coração a missão de ajudar a salvar refugidos.

Ao mesmo tempo que os cuidávamos a bordo – cuidando da espera, cuidando das dores por curar, trazendo ar fresco a cicatrizes antigas – permanecíamos ausentes na fronteira mais mortífera do mundo. Porque essa espera não só priva cada um deles de um porto seguro mas também priva as equipas de resgate de voltar à zona onde outras pessoas poderão precisar de ser salvas”, descreveu sobre a experiência. Horas mais tarde, Lokas não viu notícias sobre a chegada dos 40 refugiados a Lampedusa. “Morreram no caminho”, disse. 

Esta foi uma das experiências que a jovem de Celorico de Basto viveu. Mas esta não foi a única. Já esteve em Moçambique, Angola, Grécia, e Bangladesh. Não foi para estes locais movida pelo sonho de ganhar dinheiro, nem para conhecer paisagens, mas antes de salvar vidas. Já fez três missões humanitárias e a 21 de outubro vai numa licença sem vencimento e parte rumo ao Bangladesh (directamente ao campo de refugiados de Cox’s Bazar).

“Vai ser um sonho tornado realidade”, confessa. Lokas sempre quis ajudar a comunidade dos rohingyas. “São um dos povos mais discrimados do mundo, num claro exemplo de limpeza étnica”, afirmou António Guterres, Secretário Geral da ONU. Esta minoria islâmica, num país maioritariamente budista, o Myanmar, cujo exército mata, viola e pega fogo às casas dos rohingyas. Anseia ter esta comunidade por perto, “de os abraçar, de sentir que lhes consigo dar alguma coisa”.

Sabe que vai chorar imenso quando for, quando vir com os seus próprios olhos o genocídio que fazem ao povo Rohingya. “Vai ser horrível”, confessa, mas sabe que não ir até quem precisa – e afirma que este povo é um dos que mais precisa no mundo segundo a sua pesquisa – é um ato de “hipocrisia” com o qual não quer compactuar. “É fecharmo-nos nos nossos pequenos problemas”, frisou.

“Relembro que um milhão de rohingya continua a viver no maior campo de refugiados do mundo. Relembro que o genocídio continua no Myanmar. Relembro que agora com as chuvas intensas da época das monções cerca de 50 mil pessoas foram afetadas nos campos, sendo que mais de mil famílias perderam a sua ‘habitação’ e que quatro pessoas morreram, incluindo duas crianças que morreram afogadas. relembro só que o mundo continua a não lhes ser casa”, explanou, mostrando e afirmando que tem consciência do mundo em que vive.

A bagagem que vai fazer para partir vai carregada da pesquisa que faz dos povos. Faz sempre isso antes de ir, até porque Lokas afirma ser uma jovem médica com necessidade de se manter sempre informada sobre a realidade do mundo. Já quando, em 2015, foi para Moçambique para tentar fazer a diferença na vida de quem lá estava, sabia que para lá não levava telemóvel, que não ia utilizar as redes sociais. Partiu apenas com quatro T-Shirts na mala. Não importava o que levava consigo pois o seu objetivo era apenas “vacinar as crianças, uma grande carência neste local, assim como dar cursos de primeiros socorros nas escolas”. Lokas viveu em Moçambique momentos intensos e sabe hoje que a sua presença ajudou muitos jovens a olhar o futuro.

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Em jeito de aviso para quem tem a ânsia de, tal como ela, enveredar em missões, Lokas avisa que é “semear sem saber se vai colher”. Por isso, também ela sabe que vai partir em outubro sem saber os frutos que vai conseguir plantar diante do povo rohingyas. “Vou movida pela esperança que vou fazer algo por eles, isso é o mais importante”, salientou.

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