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Bagagem Pelo Mundo: Com 22 anos, Marco Pereira foi para o frio da Suécia para descongelar sonhos

Bagagem Pelo Mundo: Com 22 anos, Marco Pereira foi para o frio da Suécia para descongelar sonhos

Marco Pereira é um jovem. Tem apenas 22 anos e é natural de Lousada. Tal como todos os jovens, tem “o mundo à sua espera” e muitos sonhos e ambições por cumprir. 

Tentou começar por realizar alguns deles em Portugal, nomeadamente no que dizia respeito à sua vida profissional. Fez o 12.º ano, como o seu pai e a sua mãe sempre lhe disseram. “Completa os estudos. A vida é sempre mais fácil para quem tem armas para lutar”, ouviu várias vezes dos mais velhos que o rodeavam. Tinha o exemplo do irmão mais velho, que já tinha emigrado, porque não conseguiu um futuro viável profissionalmente em Portugal. 

Assim o fez. Estudou até ao 12.º ano, aplicou-se para ter as tais armas para lutar. E lutou. Começou por trabalhar na área hoteleira, em Lousada. Luzes, música e copos fizeram parte do seu “habitat natural” muitas noites, mas com 22 anos Marco quis ir mais além.

Continuar a trabalhar num bar não era o que o fazia sentir realizado, embora o conforto de estar em Lousada, perto da sua casa, fosse um fator que Marco Pereira até gostasse: Tinha o carinho da mãe, o calor da sua casa, o cheiro de quem entra em casa após um dia de trabalho árduo e tem o seu prato preferido pronto à sua espera. Pena que hoje esta é apenas uma recordação. 

Marco Pereira emigrou há cerca de oito meses. Um período insuficiente até para nascer um bebé. “Prematuridade” é a palavra que prevalece ainda a esta aventura pela que o jovem lousadense enveredou. 

Pegou na bagagem, movido pelos sonhos e ambições, e foi até à Suécia, mais precisamente em Sundsvall, uma pequena cidade a 4 horas de Estocolmo. O seu coração gelou com a sua decisão, a par da sua família. Marco é o filho mais novo. Os seus pais já viram o rebento mais velho seguir este percurso, e agora viram o mais novo. O frio ainda permanece nos seus corações, e não só. 

Todo o seu corpo sente o frio neste novo país (e nesta época do ano, em que em Portugal, por norma, faz calor, ainda lhe dá mais vontade de regressar). “Desde o primeiro dia que cheguei à Suécia senti logo o frio. Estava habituado a um clima diferente, o que tornou a adaptação mais difícil”, disse. 

Mas se a temperatura era algo que com um casaco a mais se ia resolvendo, as saudades da família nem com a chama da lareira conseguia derreter esta barreira humana que transcende todas as outras que Marco Pereira teve de enfrentar nesta nova aventura de vida. “Não foi nem é nada fácil”, revelou. 

Quando chega a casa, após um dia de trabalho, e pousa a marmita em cima do sofá, por vezes dá por si sentado a deambular pelos pensamentos: “Deixei tudo em Portugal. A família, os amigos. Só trouxe a roupa e as saudades comigo. Trago muitas memórias. Deixei a minha família a chorar à porta de casa enquanto eu saia, também a chorar, com a bagagem na mão, sem saber a data do regresso”

Sempre que estas memórias invadem a sua mente, Marco limpa as lágrimas, porque essas já estão “cansadas”, de tantos dias a saudade “bater à porta”. Liga o computador e faz uma videochamada para ver quem deixou em Portugal. “Agora já nos adaptamos, mas no início era muito doloroso”, salientou.

No entanto, Marco afirmou que ajudou na sua adaptação o facto de que as suas expectativas em relação à imagem que tinha do país. “Li muito antes de vir para aqui. As pessoas são muito civilizadas, são humildes, honestas e muito simpáticas. Deram-me uma grande ajuda”, constatou. 

Hoje, já passados os primeiros meses de emigração, Marco diz que gosta de estar pela Suécia. O país fez com que alguns dos seus sonhos começassem a ser tornados realidade. Foi conquistando alguns objetivos, como ter um trabalho com condições que cumprissem as metas que delineou. 

Hoje, trabalha parque eólico, na parte elétrica, uma área completamente diferente do que fazia. “Mas gosto muito do que faço”, refutou. Por esse motivo – e porque lhe compensa financeiramente estar na Suécia – Marco vai manter-se por lá. “Quem sabe um dia volte para portugal, mas não me parece que vá acontecer para já”, disse. 

Enquanto esse dia não chega, vai-se habituando a aproveitar as coisas boas que a Suécia lhe dá: “Gosto das pessoas, da forma como me tratam, estão sempre disponíveis para ajudar o próximo”, diz. 

Só a gastronomia é que não o agrada assim tanto. Vai de dois em dois meses a Portugal, e por lá fica três dias. “Tiro a barriga de misérias”, afirma, matando as saudades, quer da família, quer da comida. São estes três dias, que tem bem marcados no seu calendário, que lhe dão alento para continuar a sua caminhada na Suécia. “São eles que me movem, sinto mesmo muita falta do meu país, da minha família, amigos, comida, de tudo. Nada faz apagar as saudades”, revelou. 

Por isso é que frisou que, caso o país lhe desse as condições profissionais que a Suécia lhe dá, “não pensava duas vezes” em fazer a sua vida em Portugal. “Mas não vejo isso a acontecer tão cedo. Por isso, Suécia, és o meu país por enquanto”.

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