Bagagem pelo Mundo: Fernanda Ferrador apaixonou-se por João na apanha dos morangos em França

Bagagem pelo Mundo: Fernanda Ferrador apaixonou-se por João na apanha dos morangos em França

Fernanda Ferrador deixou Baião para emigrar com o pai. Foi, como tantos outros, à procura de uma vida melhor, e de uma oportunidade de emprego.

Partiu amparada pelas “asas” do seu pai, que já tinha viajado anteriormente numa carrinha de nove lugares, também na experiência de emigrante. Foi com a esperança bem embrulhada na sua bagagem, com a sorte “engarrafada” num frasco de plástico, para que nunca se partisse.

Foi assim em 2003. As memórias estão bem vivas. “Pudera”, disse, Fernanda Ferrador, “deixou uma ferida grande aberta pela dor que cravou no coração”. As saudades não matam, mas moem. E essas, foram persistentes. Só o trabalho foi apaziguando a dor, até porque lhe trouxe o amor.

Fernanda Ferrador começou a trabalhar numa quinta. Este foi o seu primeiro contrato de trabalho ( e que contrato). Foi colher morangos e, por lá, colheu também o amor da sua vida. Entre morangueiros e de 40 trabalhadores, Fernanda e João Morgado eram os únicos trabalhadores solteiros. Ele lisboeta e ela baionense, trocaram olhares e o amor deu-se.

As conversas cruzaram-se em tardes de trabalho, até que um dia, entre a apanha dos morangos, e com um empurrão do chefe, as mãos tocaram-se e os seus corações bateram mais forte. Fernanda Ferrador sabia que tinha chegado a hora: o amor aconteceu.

“Hoje continuamos juntos e já temos três filhos. França trouxe-me muito. Um amor que triplicou”, disse Fernanda Ferrador.

16 anos depois, a vida mudou mas o amor continua igual. “Talvez mais forte. Assim como as saudades da terra”, disse.

Em termos laborais, Fernanda nunca deixou a apanha de morangos, mas entretanto teve de conciliar com outros empregos ao mesmo tempo. “Fui fazer limpezas, depois fui para uma fábrica embalar fruta para supermercados, mas acabei por voltar à colheita de morangos porque é o único trabalho onde consigo conciliar o trabalho com o tempo para as crianças”.

Fernanda gosta desse tempo mas há certas situações que não tolera, como a discriminação que diz que já sentiu por lá. “Somos tratados muitas vezes como escravos, fazemos o trabalho que os franceses não querem fazer, mesmo nos cargos administrativos somos postos de parte por causa de sermos portugueses”, afirmou.

Por causa disso, começaram a fazer planos para regressarem definitivamente a Portugal, para montarem o seu próprio negócio. Esperam que seja “para breve”, embora não saibam para quando irão marcar a passagem de regresso definitivo.

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