Marcador de Livros: 1793

Marcador de Livros: 1793

Autoria de Maria Manuel Magalhães

Título: 1793
Autor: Niklas Natt Och Dag
Editor: Suma de Letras

N.º de Páginas: 352

Sinopse: 
No seu romance de estreia, 1793, Niklas Natt och Dag pinta um retrato convincente do final do século XVIII em Estocolmo. Através dos olhos dos diferentes narradores, o verniz em pó e a pintura da época são retirados para revelar a realidade assustadora, mas fascinante, escondida além dos factos secos dos textos de História.

Com um pé firmemente cravado na tradição literária e outro na literatura de suspense, Natt och Dag cria um género inteiramente novo de thriller histórico sugestivo e realista. Retrata a capacidade de se ser cruel em nome da sobrevivência ou da ganância — mas também a capacidade para o amor, a amizade e o desejo de um mundo melhor.

 

A minha opinião: 

Vencedor do Prémio Livro do Ano na Suécia, e publicado em mais de 35 países, 1793 conquistou-me primeiro pela capa, depois pela sinopse.

Sou fã assumida de dois géneros literários: o romance histórico e o thriller. Quando um livro reúne estes dois géneros que mais poderá um leitor querer?

Niklas Natt och Dag estreia-se com um romance perturbador e que relata uma Estocolmo para mim desconhecida, mas muito avançada para aquele tempo.

No entanto, também nos deparamos com hábitos enraizados um pouco por toda a Europa, como as tabernas cheias de homens bêbados, que resultavam em confrontos muitas vezes demasiado violentos, a falta de higiene e o menosprezo pela mulher. É ainda o tempo da condenação à morte, onde esse dia é festejado por todos e em que ninguém quer perder pitada do que vai acontecer com o criminoso. Nem mesmo as crianças.
De facto, como é sabido, o dia da condenação é um momento de festa, mas este facto é de tal forma retratado pelo autor, que poderá afetar os leitores mais sensíveis. As cenas descritas são demasiado gráficas e foi a parte que mais me chocou no livro.

Estamos no século XVIII e deparamo-nos com um corpo mutilado que aparece misteriosamente no rio. E é nesta altura que conhecemos um dos protagonistas da historia: um guarda completamente atípico (será?) que, apesar das constantes bebedeiras, sente curiosidade em descobrir quem é aquele homem.

Depois de a autópsia revelar alguns factos chocantes, Mickel Cardell, o guarda também ele com um braço mutilado fruto de um confronto na Guerra Russo-Sueca, fica surpreendido ao saber que o homem foi mutilado ainda em vida e com um espaçamento significativo entre as excisões.

A acompanhar Cardell surge Cecil Winge, advogado que trabalha com a polícia, um homem com mais responsabilidade e intelecto. Juntos vão fazer uma parelha improvável, mas que vai dar os seus frutos.

O autor cria ainda outros cenários na narrativa, que vão sendo relatados por outras personagens, que nos vão fazendo perceber  o desfecho de toda a história. Gostei imenso de conhecer a dupla Cardell e Winge, este último mostrando um enorme amor pela sua mulher, pensando primeiro nela e só depois nele próprio. Mas a personagem que mais me marcou foi Anna Stina, uma rapariga forte e destemida, um pouco invulgar na época.

A descrição detalhada da época, as cenas chocantes com que nos vamos deparando ao longo da leitura e as personagens ricas em mistério, fazem com que este livro resulte muito bem e se transforme numa leitura memorável. Recomendo sem reservas.

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