De Bagagem pelo Mundo: Pedro Matos emigrou para a Alemanha para conseguir ser músico

De Bagagem pelo Mundo: Pedro Matos emigrou para a Alemanha para conseguir ser músico

Pedro Matos tem 46 anos e é natural de Lousada. A música corre-lhe nas veias, e é por ela que corre várias partes do mundo. Aprendeu a tocar guitarra em pequeno e essa paixão ficou-lhe no sangue.

O ritmo nunca mais o largou até que foi estudar música no conservatório e chegou a fazer da música profissão, após tirar a licenciatura nesta área.

No entanto, ser músico em Portugal “não é fácil”, afirma, e isso fez com que tivesse de começar a procurar outras saídas. Desistir da profissão, logo à primeira, não era uma opção.

Por isso, decidiu agarrar nas malas e na guitarra e fazer-se à vida, antes que a vida se fizesse a ele.

Pedro Matos emigrou. Foi há 20 anos que partiu para a Alemanha. Após dois semestres do curso superior em Erasmus neste país, Pedro soube que era o lugar ideal para estudar, trabalhar e amar. E assim foi.

Emigrou. A palavra não era nova no dicionário familiar. “Tanto da parte materna como paterna tenho alguns familiares na Suíça, França, assim como aqui na Alemanha”, explicou.

Ainda assim, no início estranhou – como quase todos os emigrantes – e as saudades bateram à porta da nova casa, da nova vida. A Alemanha era diferente, em parte para melhor, em parte para pior.

“Bem, no início eu notei que estruturalmente a Alemanha era bem mais organizada, tanto ao nível dos transportes públicos como o funcionamento das instituições em geral”, começou por explicar.

Também salientou que há mais benefícios sociais mas que, em contrapartida, no que toca às relações sociais, os alemães não sorriem, não dizem o “olá dona Maria” a cada esquina, algo que, afirma, sente falta.

Mas o facto de estar a concretizar o sonho de viver numa grande cidade ajudou Pedro Matos a esquecer o lado menos bom e a focar-se no lado bom e nos seus objetivos.

“Aqui em Düsseldorf é onde está concentrado o maior número de filiais de empresas internacionais na Europa. Também é a segunda capital mundial da indústria do Marketing & publicidade (que engloba o design gráfico e a comunicação multimédia), cidade também muito ligada à moda, artes em geral, assim como à maior feira de exposições do mundo”, disse agradado.

Por lá, só falta mesmo a comida mãe, o cabrito com batatas assadas (até porque diz não gostar de salsichas). Mas foi também durante os convívios à mesa que fez bons contactos artísticos. Hoje, é músico e a Alemanha deu-lhe muitas oportunidades.

“Em Portugal eu não consegui ser profissional pela precariedade do mercado musical português, enquanto aqui eu já viajei por toda a Europa, fazendo concertos e festivais e, há bem poucos anos, eu era músico profissional mas, por motivos familiares, tive que reduzir os concertos e viagens para me dedicar mais à família”, frisou.

Fez uma especialização para conseguir um part-time numa área que lhe desse mais calma e tempo para a família, mas sem nunca abandonar a música:  “Para complementar a redução de concertos tive que arranjar um part-time numa área que nunca imaginei trabalhar – medicina. Neste momento sou músico e assistente hospitalar”.

A Alemanha trouxe-lhe também as duas maiores aventuras da sua vida. Por um lado, converteu-se ao cristianismo. “Foi aqui que eu me converti ao cristianismo e comecei a traçar outros rumos para a minha vida no sentido espiritual. Isso, fez com que abrisse o meu coração e entrasse na segunda maior aventura da minha vida: as minhas duas filhas”, contou.

Pelos dois rebentos, Pedro Matos gostava de regressar a Portugal para que pudessem passar mais tempo com sua família e aproveitar alguns dos maiores prazeres que Pedro afirma viver em Lousada.

Por enquanto, vai regressando quando pode. E, nesta época de regresso de emigrantes, já não se para de contar os dias. “Vou frequentemente à Aparecida e a Lousada, ainda há uns meses fui beber um delicioso Licor Beirão com uma pedra de gelo ao Sunny Side Bar, em Lousada. Simples. Parece simples, mas são coisas tão boas”.

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