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Marcador de Livros: Demência

Marcador de Livros: Demência

Autoria de Maria Manuel Magalhães

Título: Demência
Autor: Célia Correia Loureiro
Editor: Coolbooks

N.º de Páginas: 464

Sinopse: 
Numa pequena aldeia beirã, duas mulheres de gerações diferentes leem o seu destino nas mãos de um mesmo homem: Letícia foi vítima de um marido ciumento e manipulador, e Olímpia é a mãe extremosa desse agressor.

Mas quando Letícia regressa para assistir Olímpia, aos primeiros sinais de demência, os traumas que traz na bagagem ameaçam estilhaçar o silêncio conivente dos aldeões. Ainda que ostracizada, Letícia esforça-se por esquecer os tumultos do seu casamento, enquanto Olímpia pede ajuda ao amigo de infância, Sebastião, para reconstruir as próprias memórias e entender o que se passou com o seu único filho.

Demência traz-nos, através das vivências destas duas mulheres, a dura realidade de um Portugal rural e ainda tendencioso, e faz-nos repensar o significado de família e de comunidade, de inocência e de culpa.

A minha opinião:

Demência, assim como outros livros da Célia Correia Loureiro, já estava na minha wishlist do Goodreads há bastante tempo. Mas foi apenas depois de ter visto a opinião da Dora Santos Marques e da Silvéria Miranda, dos canais Books & Movies e de The Fond Reader respectivamente, que decidi, finalmente, lê-lo. O facto de ter sido publicado pela Coolbooks, como uma nova e cuidada edição também ajudou. A capa está belíssima e faz juz à temática do livro.

Célia tinha 19/20 anos quando escreveu este livro, um livro duro que retrata o dia a dia numa aldeia de interior, onde todos se conhecem, e é marcada por uma tragédia. Letícia foi vítima de violência doméstica. Fernando, um marido que todos julgam exemplar, batia em Letícia por tudo. Depois de anos a ser agredida, Letícia mata Fernando em legítima defesa. No entanto, e apesar de ter sido ilibada do crime, Letícia continua a ser a culpada de tudo.

Olímpia está a ficar demente. Depois de deixar praticamente os animais a morrer à fome, uma vizinha decide telefonar à nora da idosa dizendo-lhe que esta está a necessitar de ajuda. A nora é Letícia, que decide voltar à terra, para cuidar da sogra, que nunca gostou dela.

A vida não foi fácil para Letícia, sobretudo a partir do momento em que conhece Fernando. E depois que ele já não se encontra presente fisicamente, a sua presença, através do distanciamento de todos após o seu assassinato, continua latente na vida da jovem mulher. Ninguém, e quando digo ninguém é mesmo ninguém, que tenha compreendido a atitude de Letícia. Ninguém a questionou sobre o que a levou a cometer tal ato, condenando-a automaticamente. Infelizmente há muitas Letícias em Portugal e elas não existem apenas em pequenas aldeias. Elas estão mesmo ao nosso lado, sem que muitas vezes nem nos apercebamos de tal.

Pior ainda é que as mulheres ainda são apontadas muitas vezes como as causadoras e, portanto, merecedoras da violência exercida pelos seus companheiros. Certo é que as vítimas não são protegidas por quem deveria fazê-lo. E o que Letícia vai passar quando regressa à aldeia é prova disso.

E aí a autora conseguiu retratar muito bem o ambiente de uma aldeia fechada e em que todos se conhecem.

A par disso, retrata ainda melhor a forma como é lidar com uma pessoa que está nas primeiras fases de Alzheimer, na personagem de Olímpia. Apesar de sentir que se esquece constantemente das coisas, Olímpia ainda não se quer capacitar de que precisa de ajuda, recorrendo a post-its para se ir lembrando de coisas básicas do dia-a-dia. A degradação mental da idosa vai ser bem explanada ao longo do livro que acaba por ser ainda mais enriquecido com a entrada de Sebastião, um homem do passado de Olímpia que vai revelando aos poucos o que foi a vida da idosa quando ainda não era mãe de Fernando.

Este livro foi mexendo comigo em diversas ocasiões. Foi um livro que me colocou a falar sozinha, que me conseguiu fazer chorar noutras tantas. E é isso que gosto num livro, que de alguma maneira me toque.

Fantástico.

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