Especial Marchas de S. joão Alpendorada: Carcavelos sai à rua com nova direção e 45 pares na mão

Especial Marchas de S. joão Alpendorada: Carcavelos sai à rua com nova direção e 45 pares na mão

Todos os anos, a tarefa repete-se: arranjar marchantes para que cada marcha cumpra o seu desejo de sair para a calçada que cobre a freguesia de Alpendorada, Várzea e Torrão. Para uns, esse é um problema, mas para a Marcha de Carcavelos este problema não se debateu este ano.

A marcha de Carcavelos existe há mais de 20 anos. Há frente da marcha estava Maria Conceição Vieira Ferreira e o seu marido, Adriano Bragança. Tal como a lei da vida obriga, foram-se cansando do árduo trabalho que dá concretizar o sonho de ter uma marcha. Sem forças, foram aguentando muitos anos esta tarefa com medo que não houvesse quem pegasse na marcha depois de se ausentarem do cargo. Até que, após o S. João de 2018, a notícia foi anunciada. Os responsáveis pela marcha saíram e, nesse momento, toda a população temeu que a Marcha de Carcavelos tivesse chegado ao fim.

Elsa Teixeira e o seu marido, Renato Ferreira, foram convidados pela Junta de Freguesia de Alpendorada, Várzea e Torrão para assumirem o comando, assim como aconteceu com Célia Couto e Maria Isabel Couto Soares. A junta não queria mais uma marcha a acabar e lançou, tal como às demais marchas, o desafio. Só em abril do presente ano é que os pilares para aguentar a caminhada da marcha foram criados.

“Sempre fomos ligados à marcha. Fui muitos anos na marcha, a minha família também, e a minha filha de 16 anos já vai na marcha há 15”, contou Célia Couto. Há uma ligação intrínseca com a Marcha de Carcavelos por parte do sangue novo que constitui a atual direção e que tanto tem honrado estava Maria Conceição Vieira Ferreira e o seu marido, Adriano Bragança. Foi esse o motivo que os levou a aceitar o desafio.

As tarefas estão repartidas: O Renato trata da barraca que vão montar no recinto da festa para servirem refeições e angariam dinheiro que faça frente às despesas da marcha; Elsa tem dado apoio à parte logística da marcha com a ajuda das suas colegas Célia e Maria Isabel. Como não tinham experiência, foram convidar um coreografo e ensaiador, assim como os músicos.

Embora cada um tenha o seu trabalho, o certo é que há sempre um pouco do dia dedicado à marcha. Aproveitam as horas de almoço, juntam um bule de chá, e foi neste ambiente que lá foram conversando e chegando a um consenso sobre o que seria a marcha este ano. O tema ficou definido com facilidade, confessam. “As Margens do Rio Tâmega”, que avistam das suas casas, servirão de tema este ano. “Tentamos ser modestos, não apostar em algo demasiado complexo porque sabemos que não temos a mesma experiência dos anteriores dirigentes”, explicou Célia Couto.

Enquanto as costureiras cosem as linhas e vão ultimando os modelos que os marchantes vão vestir, é em casa de Célia que se vê montado um verdadeiro atelier. É neste espaço, recheado de materiais para artes plásticas, que se fazem os adereços e pormenores que vão enfeitar a Marcha de Carcavelos.

 “Embora tenhamos começado tarde em relação às outras marchas, o certo é que, poucos dias da festa, a parte das roupas, músicas e coreografias já estão quase prontas”, explicou Elsa Teixeira. O que mais os preocupa é a cozinha que têm de montar para servir, com a mesma qualidade de sempre, as refeições a partir de dia 15 de junho.

Agora, o grupo de trabalho vai começar a “entrar pelas noites dentro” para conseguirem terem tudo pronto a tempo. Mas isso não os melindra, pelo contrário. Estão felizes pelo simples facto de que a marcha não acabou, ao contrário do que viram a acontecer com outras marchas em redor.

Gente não lhes falta. “Acho que temos muita gente, principalmente jovens e crianças”, explicou Célia Couto. Ao todo são 45 pares, ou seja, cerca de 90 pessoas a marchar. Dos 8 aos 60 anos, há marchantes de todas as idades. Uns vieram arrastados pelos amigos, outros pelas namoradas, e outros são filhos que continuam a geração dos seus pais. “Foi difícil mas começou a surgir muita gente, chegamos a ter de dizer que não a algumas pessoas, porque já não tínhamos capacidade para albergar mais gente”, constatou Elsa Teixeira.

Satisfeitos com o conseguido até então, fica apenas a promessa de que, enquanto houver forças, a marcha de Carcavelos não irá acabar.

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