Publicidade

banner-festas-do-marco-2019-700x394
Banner-Expomontemuro-2019-700x315

Dia Mundial do Dador de Sangue: “Ser dador é dar um pouco de si aos outros”

Dia Mundial do Dador de Sangue: “Ser dador é dar um pouco de si aos outros”

Hoje, dia 14 de junho, assinala-se o Dia Mundial do Dador de Sangue, um ato que ajuda a salvar vidas. Pelo menos é isso que pensa o presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS), Carlos Alberto, que é dador há 30 anos.

São cerca de dois litros de sangue que Carlos Alberto doa por ano. De três em três meses, dirige-se ao Hospital de Santo António, no Porto, para realizar mais uma dádiva de sangue. Tinha cerca de 20 anos quando começou a doar.

“É um ato que não custa nada. De cada vez que o faço, penso que estou a ajudar alguém, como um dia eu também poderei precisar de ajuda”, salientou o presidente do Conselho de Administração do CHTS.

Estava ele no Grupo Amorim quando foi, arrastado com os restantes colegas de trabalho, fazer uma dádiva de sangue numa carrinha móvel que se deslocou ao local. Sem grande informação sobre o que era participar neste ato, sentou-se no cadeirão, levantou a camisa, e esperou que a enfermeira lhe colocasse a agulha para realizar a colheita. A falta de informação naquela época era um problema latente. Isso fez com que Carlos Alberto não comesse o suficiente antes da dádiva de sangue e se sentisse mal. “Foi uma vez que serviu de exemplo mas como tinha profissionais ao meu lado correu tudo bem. Informei-me após essa situação do que se deve fazer antes de doar sangue”, constatou. A partir desse dia, todo o procedimento se repetiu, mas com a informação à mistura.

Embora saliente que “havia menos informação e sensibilização para se ser dador de sangue antigamente”, o certo é que Carlos Alberto considera que “nunca é demais falar do assunto, mesmo nos dias de hoje”.

O presidente refere ainda que, nos meios mais pequenos, em que não há na proximidade um centro de recolha de sangue – como é o caso de muitos municípios da região – as pessoas “só doam quando as carrinhas de recolha de sangue vão ao local”. Mas nem isso o faz doar menos vezes. Após um bom pequeno-almoço, vai quatro vezes por ano ao Hospital de Santo António – visto que no CHTS não se fazem recolhas. Depois de feito o teste às suas tensões e os demais procedimentos habituais, doa o seu sangue, na esperança que esteja a salvar uma vida. Todos os dias afirma convencer mais gente a fazer a mesma coisa até porque, diz que “não custa mesmo nada, e o sentimento de gratidão compensa”. 

Carlos Alberto, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa

Talvez por isso, embora o CHTS não seja um centro de recolha de sangue, tencionam ajudar a fomentar as dádivas na sociedade do Tâmega e Sousa. “Levar a possibilidade de doar sangue à nossa população, sem que tenham de ir ao Porto, pode aumentar o número de dadores”, explicou Anunciação Ruivo, diretora do Serviço de Imunohemoterapia (Serviço de Sangue) do CHTS. Dessa forma, no dia 23 de outubro, este centro hospitalar vai organizar uma campanha de colheita de sangue através da colocação de uma unidade móvel do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, no Hospital Padre Américo.

Aumentar o número de dadores é uma necessidade, principalmente no que concerne a jovens dadores. “Há uma tendência em Portugal, a par do mundo Ocidental, de um envelhecimento da população. Neste momento, são as pessoas mais idosas que doam mais sangue, o que se pode vir a tornar um problema”, constatou Anunciação Ruivo. Se a maioria da população dadora se aproxima dos 65 anos – idade em que se deixa de ser dador, mesmo que não haja problemas de saúde – Portugal poderá deixar de ser autosuficiente no que concerne ao sangue disponível.

“Além de ser muito importante que os mais novos comecem a ser os principais dadores de sangue, é necessário que haja políticas de utilização de sangue”, salientou a diretora do Serviço de Imunohemoterapia. Em Portugal, dão-se os primeiros passos para economizar o sangue. E fazem-no, explicou Anunciação Ruivo, através de novas formas de tratamento de doenças, como é o caso da anemia (em que Portugal tem um elevado número de doentes, acima da média da União Europeia). “O CHTS foi um dos nove hospitais que integrou um projeto piloto, cujo objetivo consistia em curar anemias (as possíveis) sem o recurso a transfusões de sangue, colmatando a patologia de outras formas, como a administração de ferro”, explicou Anunciação Ruivo. Esta é também uma forma de evitar que os anémicos passem por um “transplante líquido”, como é o caso das transfusões de sangue.

Para esta diretora, que lida com a transfusão de sangue diariamente, “o futuro da medicina transfusional do mundo civilizado está em fazer estas opções económicas”, embora saliente que no CHTS nunca lidou com a falta deste recurso que nem a inteligência artificial consegue produzir. “Já nos anos 90, quando comecei a trabalhar nesta área, se falava que se iria produzir sangue artificial, à semelhança do que acontece com outros órgãos, mas até hoje tal não aconteceu”.

Anunciação Ruivo, diretora do Serviço de Imunohemoterapia (Serviço de Sangue) do CHTS.

Embora estas sejam questões ainda sobre o olhar da investigação, há factos incontornáveis em relação à dádiva de sangue para  Anunciação Ruivo: “Doar sangue é darmos de nós aos outros, até porque hoje somos nós a dar, mas amanhã poderemos ser nós a precisar de receber”, constatou.

A motivar ainda mais a necessidade de aumentar o número de dadores está a vinda crescente de outras culturas, como a africana e a brasileira para Portugal. “O tipo de sangue é, por vezes, diferente, o que requer que tenhamos uma maior variedade de tipo de sangue armazenado, de modo a fazermos frente às necessidades de toda a população”, alertou.

Neste Dia Mundial do Dador de Sangue, faça como Carlos Alberto e uma percentagem da população portuguesa: Doe sangue, pela certeza de um futuro mais saudável para todos. Poderá estar a salvar uma vida.

Publicidade

Banner-Festival-Francesinha-Felgueiras-700x446

Deixar um comentário

O seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios marcados com um *

Cancelar resposta