De Bagagem pelo Mundo: Emigrantes vivem Dia de Portugal com tradições e saudade no coração

De Bagagem pelo Mundo: Emigrantes vivem Dia de Portugal com tradições e saudade no coração

Amanhã, dia 10 de junho, celebra-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Celebra-se igualmente o dia da Língua Portuguesa, do cidadão/da nacional e das Forças Armadas.

São celebrações que dizem respeito a todos os portugueses que se viram obrigados a emigrar, que tiveram de colocar a Língua Portuguesa em segundo lugar, mas sem nunca esquecerem a sua nacionalidade.

Foi para honrar Portugal, e pelas Forças Armadas, que muitos outros tiveram de abandonar o país. Foi o caso de Ademar Rodrigues que, aos 67 anos, recorda o tempo em que teve de deixar Baião e rumar para África, ingressado nas Forças Armadas Portuguesas.

Também Ademar deixou para trás a sua esposa, os seus filhos, em 1976. Toda a sua família estava em Baião, enquanto Ademar estava a longos quilómetros de distância. E, ao contrário daquilo que é ser emigrante agora, nesta altura a comunicação era difícil. Não havia redes sociais, nem o Skype. Eram apenas algumas chamadas nas centrais. Ademar conta que a sua esposa ficava à espera da hora em que poderia voltar a ouvir a voz do seu amado. Assim como os filhos que, cheios de saudades, ansiavam por poder partilhar as suas aventuras com o seu progenitor. A partir de 1963, o 10 de Junho tornou-se numa homenagem às Forças Armadas Portuguesas, numa exaltação da guerra e do poder colonial, que tantas pessoas levou para longe, tal como fez com Ademar Rodrigues, natural de Baião.

Ademar Rodrigues

Mas quem parte de Portugal rumo a outros países do mundo dá valor a Portugal. Muitas são as comunidades portuguesas que se formam pelo mundo, pela vontade de reviver o que de melhor há em Portugal.

Exemplo disso é Luísa Pereira, natural de Marco de Canaveses, que emigrou para França e foi trabalhar para um mercado onde todos os produtos vendidos são portugueses. Também é a gastronomia aquilo que, a par das saudades da família, os emigrantes mais sentem falta.

Luísa Soares trabalha num mercado português

Em França, realizam-se feiras, festas, festivais de música e comércio que fazem, por exemplo, Diana Santos recordar a cidade de Lousada, local que a viu nascer e que teve de abandonar há três anos. Também trabalhou numa estufa que a fez viajar pelos cheiros do seu Portugal, e do jardim da sua mãe. As videochamadas ainda não transmitem os sabores, os afetos das pessoas portuguesas, nem os aromas, o que aumenta ainda mais a sua vontade em regressar.

Diana Santos

Mas o certo é que, dos 30 emigrantes entrevistados na rubrica do Jornal A VERDADE, intitulada “De Bagagem Pelo Mundo”, a maioria emigrou por ver em Portugal falta de oportunidades de trabalho, ou uma remuneração correspondente às funções desempenhadas.

Tânia Carvalho, emigrante há seis anos na Suíça, afirma que não há local mais seguro do que Portugal. Diz-se uma amante do ar fresco e puro que por Castelo de Paiva respirava antes de emigrar, assim como das paisagens verdejantes tão típicas da região do Tâmega e Sousa.

Tânia não conseguiu, sem formação acima do 12.º ano, encontrar um local para trabalhar. Teve de deixar Castelo de Paiva e ir até à Suiça para conseguir o “ganha-pão” necessário para sustentar o seu filho Martim.

Fotografia: Tânia Carvalho com o seu filho Martim

Já Vítor Soares, natural de Penafiel, conseguiu entrar no curso de Multimédia, no Instituto Politécnico de Bragança. Depois de queimadas as pestanas e as fitas, deixou os livros pousados na estante do seu quarto, enquanto foi “arregaçar as mangas” no estágio numa estação televisiva. Com a amargura de percecionar o mundo de promessas falhadas com que os jovens têm de lidar em Portugal, e do quão difícil era ter uma oportunidade, Vítor percebeu que era melhor juntar aos livros o canudo que lhe valeu uma especialidade. A trabalhar fora da área, consegue tirar um salário bem mais alto do que estaria a receber se trabalhasse, como licenciado, em Portugal.

Vitor Soares

Este não é um caso isolado de jovens e adultos da região. Mas, por mais que saibam que por terras portuguesas é difícil encontrar remunerações laborais como no estrangeiro, todos querem voltar.

“Anseio todos os dias por colocar de vez a bagagem no meu país, embora saiba que, nesse dia, este país [Alemanha] também me vai deixar saudades”, disse Luísa Pereira, natural de Marco de Canaveses. Até lá, vai tentar aproveitar a natureza que lhe faz transitar, em memória, para o Marco de Canaveses, assim como sentir o cheiro e o paladar dos produtos portugueses que tem o prazer de encontrar na Alemanha.

Também Fernanda Magalhães, nascida em Molares, uma localidade pertencente a Celorico de Basto, e que partiu em 1993 para Hamburgo, em Alemanha, tem saudades das características únicas de Portugal.

“É, e sempre será, o cantinho” que a viu nascer, onde tem as suas raízes, onde viu e aprendeu o que era a agricultura, os bons cozinhados, e as gentes sem medo de mexerem na terra.

Por isso, os emigrantes da região afirmam que é importante continuar-se a festejar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, um dia em que eles também estão em festejos, longe de Portugal, mas perto dele no coração.

Fernanda Magalhães

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