Árbitro de elite de Baião é um dos melhores do mundo no futebol de praia

Árbitro de elite de Baião é um dos melhores do mundo no futebol de praia

É um dos árbitros da atualidade. Saiu de Santa Cruz do Douro, em Baião, para arbitrar jogos de futebol de praia em todo o mundo. António Almeida é um internacional da FIFA, muito respeitado no mundo do desporto, que chegou ao topo da carreira por mérito e que, apesar de ter ascendido ao lugar mais alto da arbitragem internacional, nunca esqueceu as origens.

Nos quatro cantos do mundo por onde passa em trabalho, António Almeida não se cansa de falar de Baião. Fá-lo com orgulho. É para o aconchego de Baião, a sua terra natal, que regressa sempre, depois de dirigir os jogos internacionais mais importantes da modalidade onde é especialista: o futebol de praia.

A carreira deste juiz de 43 anos começou em 2003 e, curiosamente, não foi no futebol de praia. Foi no futsal. Modalidade que praticou durante muitos anos, como federado na Associação Cultural e Recreativa (ACR) de Santa Cruz do Douro, freguesia onde ainda hoje vive e de onde é natural. Desde futsal e futebol de 5, o então atleta jogava na categoria de sénior e não faltava aos treinos. “O desporto sempre fez parte da minha vida desde miúdo”, começa por contar. “Fui muito feliz na ACR de Santa Cruz do Douro e desses tempos guardo muito boas recordações”, lembra.

As exigências da vida profissional acabariam por ditar a sua saída da associação, “com muita pena”. António Almeida é agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) – profissão que, aliás, junta com a da arbitragem, o faz ter constantemente “a vida em risco”, como costuma contar, divertido -, e, nessa altura, teve que assumir funções em Lisboa, a praticamente 400 quilómetros de Baião.

Na ida para Lisboa, “a disponibilidade diminui, mas o bichinho ficou. Sempre gostei de desporto. Gosto de me manter ativo”. A entrada na arbitragem acontece quando veio exercer funções de PSP para o Porto. “Um colega de nome Daniel, de Braga, que sabia desta minha paixão por estas andanças, inscreveu-me num curso de arbitragem. Ele nunca frequentou o curso e eu cheguei a árbitro internacional”, observou.

Desde aí, o seu percurso foi em escalada: “fui subindo de degrau em degrau, aos poucos”, conta. “Comecei pela 2ª categoria, no campeonato distrital e de seguida estive dois anos na 1ª distrital e na 3ª divisão nacional. Rapidamente passei para a 2ª divisão nacional e daí à primeira categoria nacional de futsal foi um pulo, onde estou há sete anos”, refere.

António Almeida frequentou o curso de árbitro de futebol de praia em 2007 e chegou a internacional em 2012. Depois disso, este baionense, que pertence à Associação de Futebol de Vila Real, nunca mais parou. Arbitrou campeonatos do Mundo e Campeonatos da Europa e esteve presente em vários jogos decisivos onde se destacam três grandes finais que apitou como 1º árbitro: Itália vs Rússia, dos primeiros Jogos Europeus 2015 em Baku, no Azerbaijão; do Egito vs Itália, dos Jogos do Mediterrânio 2016; e o Itália vs Espanha do Campeonato da Europa Sardenha 2018. Apesar de, em 2019, serem quatro os árbitros portugueses, internacionais, da modalidade de futebol de praia, é o único português da categoria de elite a receber as insígnias da FIFA. Ao longo dos anos foi ganhando o respeito e admiração dos colegas de profissão e, hoje em dia, é um dos profissionais mais credíveis no mundo da arbitragem.

Apitar um campeonato do Mundo é o sonho de qualquer árbitro, seja em que modalidade for“, conta, acrescentando: “cumpri um objetivo de carreira“.

A arbitragem tem-me dado coisas fantásticas. Tenho tido oportunidade de conhecer vários países e culturas e de aprender e estar ao lado dos melhores”, observa.

Um árbitro de elite que (também) apita jogos amadores

O sucesso não lhe subiu à cabeça. O árbitro vem frequentemente a Baião onde vive com a esposa e os seus dois filhos. É frequente vê-lo, sempre que tem disponibilidade, a apitar jogos amadores que integram o plano de atividades das várias associações ou coletividades do concelho de Baião ou dos concelhos vizinhos. António Almeida só diz que “não, se efetivamente não tiver disponibilidade”. É vê-lo com a mesma energia, vontade, profissionalismo e dinamismo a participar nos eventos da terra. “Gosto de ajudar sempre que posso e faço-o com todo o gosto. É importante nunca esquecermos de onde viemos, de onde somos e do que somos feitos. A humildade faz parte do percurso”, remata.

Um conselho aos jovens

Na juventude”, António Almeida lembra os tempos em que sonhava, “como todos os jovens sonham”. “Viver em Baião nunca limitou os meus sonhos: normalmente as pessoas do interior pensam que não têm as mesmas oportunidades das pessoas que vivem no litoral. Mito puro. Eu fui atrás dos meus sonhos. Com garra e vontade. Patamar a patamar cheguei ao topo, por mérito, sem passar por cima de ninguém”.

“Gostaria de vos confidenciar que viver em Baião sempre foi, aliás, um ponto a meu favor. Em todos os lados do mundo onde vou arbitrar jogos encontro baionenses e, raras vezes em que não me cruzo com nenhum conterrâneo, o facto de viver em Baião suscita muita curiosidade porque há sempre alguém que já ouviu falar das nossas belíssimas paisagens naturais ou do sabor inigualável e inconfundível da nossa gastronomia. É sempre um bom tema de conversa mundo fora e as pessoas que encontro, assim que digo que sou de Baião, tratam-me de forma muito fraterna e amiga”.

O juiz lembra, com nostalgia, uma das experiências mais marcantes da sua carreira, em 2015, “numa qualificação da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe em El Salvador, para o Campeonato do Mundo 2015”. “Era o único árbitro europeu presente na competição. Encontrei gente como a gente de Baião, que me abriu as portas. Fizeram-me sentir como se estivesse em casa”, recorda. “Ser de Baião é um orgulho”, diz.

Os números

Integra o painel dos 34 árbitros portugueses a quem a FIFA atribuiu insígnias.

No futebol de praia há apenas quatro árbitros internacionais. António Almeida chegou a ser o único e é árbitro FIFA de Futebol de Praia há seis anos.

Começou a apitar jogos há 15 anos como árbitro de futsal e há sete anos que é árbitro da 1.ª Categoria Futsal da Federação Portuguesa de Futebol.

António Almeida espera manter-se em atividade até ao limite de idade permitida. Como árbitro internacional, poderá fazê-lo durante mais três anos. A nível interno continuará a dirigir partidas até aos 48 anos.

Susana Ferrador
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