Baião: Calvário de Filipe Mota tem fim à vista

Baião: Calvário de Filipe Mota tem fim à vista

Após um longo período de receios e incertezas, tudo aponta para que o caso de Filipe Mota venha a ter um final feliz. O baionense, recorde-se, viu ser-lhe diagnosticada em abril de 2018 aplasia medular, doença cuja cura requer um transplante de medula óssea.

Depois do choque inicial, o morador do lugar de Ingilde, em Campelo e Ovil, enfrentou ansiosamente, em conjunto com a família, meses de espera na esperança de encontrar um dador compatível, período no qual se realizaram no concelho várias ações de solidariedade para com a causa de Filipe.

Em fevereiro deste ano, a espera terminou: o tão desejado dador compatível apareceu finalmente. Seguiram-se meses de exames e de mais um sem fim de transfusões de sangue até 9 de maio, o dia da operação.

A expetativa entre família e amigos era grande, mas, em conversa com o Jornal A VERDADE, Filipe assegura que a intervenção “correu bem, dentro dos possíveis”, apesar de algumas consequências desagradáveis decorrentes da quimioterapia. “Foram dois ou três dias um bocadinho complicados”, revelou o baionense.

Apesar de, por tudo o que enfrentou, Filipe preferir guardar algumas reservas em relação ao futuro, a verdade é que, “em princípio, o corpo está a aceitar a medula”. “Há um valor que tenho de subir para que a medula comece a funcionar normalmente e eu possa ir embora”, adiantou, acrescentando de seguida que “os valores continuam a subir bem, dentro do normal”.

Desde que foi operado há cerca de 40 dias, Filipe Mota tem estado internado no hospital. Esse período de espera longe de casa tem sido “um bocadinho complicado, mas tem de ser”. “Antes quero ficar mais uma semana e não ter de vir depois de urgência”, referiu, antes de revelar a data em que, em princípio, vai voltar para junto dos seus: “em princípio, vou ter alta na próxima semana”.

Devido ao problema de saúde de que padece, o corpo de Filipe está consideravelmente vulnerável a infeções, pelo que tem de ter cuidados especiais no que ao contacto com outras pessoas diz respeito. Tal medida estende-se à esposa, a qual, a recomendação do médico, tem sido a única a visitar o baionense. “A minha esposa tem de trocar de roupa e usar um fato descartável para vir ter comigo. Optámos por ela ser a única a vir, pois não quisemos arriscar”, afirmou.

A exceção ocorreu na semana passada, quando Filipe recebeu a visita de uma das filhas para lhe levantar a moral. “Veio a minha filhota na sexta, porque eu estava muito em baixo. São muitos dias aqui fechado e ela veio para me animar”, explicou.

Depois de meses em que a incerteza em relação ao seu futuro era uma realidade diária, Filipe Mota sente agora “um alívio muito grande”. “A esperança é sempre a última a morrer”, afirmou em alusão ao período de espera pelo dador compatível, a quem volta a deixar profundos agradecimentos. “Ter encontrado um dador no espaço de meio ano foi muito bom, há gente que espera muito mais”, acrescentou satisfeito.

Quando questionado sobre qual a primeira coisa que vai fazer quando sair finalmente do hospital, Filipe não hesita na resposta: “abraçar as minhas filhas”. “Foi muito tempo longe delas, tenho muitas saudades”, concluiu.

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