Marco Pereira a jogar pelo Santa Clara foi considerado um Embaixador de Castelo de Paiva

Marco Pereira a jogar pelo Santa Clara foi considerado um Embaixador de Castelo de Paiva

Marco Pereira é natural de Castelo de Paiva e é o atual guarda-redes do Santa Clara, dos Açores, a jogar pela primeira divisão nacional. Para o vereador do pelouro do desporto José Manuel Carvalho, o guarda-redes é considerado um dos Embaixadores de Castelo de Paiva por elevar o nome do concelho e “ser um exemplo para todos os paivenses”.

“É com orgulho que o vemos nas maiores competições nacionais, a fazer bom futebol, mas sobretudo a manter o seu lado humilde que tanto o caracteriza”, frisou o vereador. O jogador, de 32 anos, nasceu no lugar do Paraíso, em Castelo de Paiva.

Deu os primeiros chutos na bola no campo do São Martinho, em Castelo de Paiva, numa altura em que não se sabia o que eram campos relvados. Cada pontapé que dava na bola via a areia a formar nuvens em seu redor. Soberbo com a bola, o seu primo António Correia – treinador naquela época – chateou-se vezes sem conta para que Marco Pereira passasse a bola aos seus colegas.

“Tendo em conta que queria sempre ter a bola consigo, lancei-lhe um desafio: ser guarda-redes”, contou António Correia. Foi aí que começou a dar cartas na baliza. “A equipa do Paraíso e de Real eram as equipas mais goleadas de sempre mas com um guarda-redes como ele, alto e com um remate forte, fomos à fase final”, relembrou o primo com o olhar a espelhar o orgulho.

Marco Pereira e o primo António Correia, responsável pela caminhada do jogador

A partir deste momento, não faltaram oportunidades futebolísticas a Marco Pereira. Durante a sua carreira passou por clubes como Arrifanense, que lhe deu a formação. “Considero que é na idade em que entramos para a formação que conseguimos cimentar conhecimentos, ajudando a evoluir como jogador mas principalmente como pessoas”, frisou o jogador do Santa Clara.

Foi com umas chuteiras compradas na feira e com um saco de produtos de higiene “dos mais baratos” que se pôs ao caminho. “Hoje em dia, os miúdos preocupam-me mais em ter uma chuteiras de 200 euros e um grande saco para irem aos treinos mas não é isso que nos faz ser diferentes”, constatou.

Sem chuteiras de 200 euros mas com a motivação na alma, Marco Pereira deixou Castelo de Paiva e os campos de pelado para ingressar no Boavista, onde esteve desde os iniciados. Por lá, afirmou, aprendeu a ser um melhor ser humano, a ouvir, a dar o tudo em campo. Mas foi por lá que bateram as maiores saudades da sua terra. “Foi a primeira vez que fiquei fisicamente longe da minha família e isso foi muito duro de aguentar”, relembrou. Porém, foi com a ajuda da sua equipa e treinadores que conseguiu superar e aprender a lidar com a distância.

Atualmente, integra a equipa do Santa Clara, que jogou no último jogo do campeonato nacional de futebol contra o SL Benfica. Esta partida “é para nunca mais esquecer” pela positividade que representou para o jogador paivense. “Estava um ambiente incrível, com o estádio repleto já a cantar vitória do Benfica”, contou. O jogo foi entendido como importante na medida em que “são estes jogos que dão visibilidade aos jogadores”.

Vereador José Manuel carvalho, Marco Pereira e entrevistador Ricardo Ramalho

Este foi um dos momentos mais altos na vida de Marco Pereira a jogar pelo Santa Clara, a contrastar com a chegada ao clube. Isto porque, salientou, o seu filho tinha apenas sete meses de vida quando Marco teve de viajar até aos Açores. “Foi o pior momento da minha vida, e pensei em desistir. Mas se ainda cá estou é graças ao apoio da minha mulher, da minha família, e do treinador e equipa, que nunca me abandonaram”, explanou.

Agora, já com o segundo rebento, é considerado um exemplo para os mais jovens. Marco Pereira foi convidado a participar na iniciativa da Câmara Municipal, intitulada “Conversas de Biblioteca”, onde dezenas de paivenses se juntaram para assistirem à conversa entre o guarda-redes e Ricardo Ramalho, que guiou o diálogo. Não faltaram curiosidades desvendadas pelo jogador. Uma delas é que, por mais dois anos, vai continuar nos Açores a dar tudo pelo Santa Clara. Embora tenha tido outras propostas, é lá que afirmou sentir-se “em casa”.

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