74 casos de tuberculose identificados em Marco de Canaveses e Penafiel nos últimos cinco anos

74 casos de tuberculose identificados em Marco de Canaveses e Penafiel nos últimos cinco anos

No âmbito da quarta jornada de Pneumologia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS), foi apresentado um levantamento do número de casos de tuberculose que surgiram, em Marco de Canaveses e Penafiel, de 2012 a 2017.

Segundo a diretora clínica, Filipa Carneiro, houve 75 casos diagnosticados com esta doença, o que a fez afirmar que o centro hospitalar que representa está inserido uma “zona endémica da tuberculose”. No que respeita às doenças que serviram de mote  para a jornada – a silicose e a tuberculose – os oradores salientaram que Portugal tem a pior taxa da Europa Ocidental e na região Norte, a sub-região do Tâmega e Sousa, continua superior à média nacional.

A influenciar os dados da região está a ligação com a indústria da pedra, tendo em conta que se verificou, segundo a diretora clínica, uma maior incidência de doenças como a tuberculose e a silicose em profissionais desta área face à restante população.

A silicose é uma doença pulmonar que resulta da inalação de pequenas partículas de sílica decorrentes do corte ou perfuração de solo, areia, granito ou outros minerais. A tuberculose é uma doença infeciosa causada pelo bacilo de Koch. A pulmonar é a forma mais frequente da doença e de contágio mais fácil, mas também pode atingir outros órgãos.

Francisco Cadarso, pneumologista do CHTS, referiu que “a silicose é a patologia mais notificada no Norte, corresponde a 85% das notificações de doenças respiratórias profissionais. Felgueiras, Marco de Canaveses, Penafiel e Vila Nova de Gaia são os municípios com mais notificações, ou seja, são concelhos mais industriais”.

De acordo com Carlos Carvalho, médico de Saúde Pública, “a silicose potencia o aparecimento da tuberculose, visto que são duas patologias que partilham fatores de risco explosivos”.

Tendo em conta estes indicadores, os oradores alertaram para a importância da diminuição do período de tempo entre o aparecimento de sintomas e diagnóstico da tuberculose para reduzir o risco de transmissão da doença na comunidade.

Deixar um comentário

O seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios marcados com um *

Cancelar resposta