Saúde Para Todos: Stress e Risco Cardiovascular, Como se relacionam?

Saúde Para Todos: Stress e Risco Cardiovascular, Como se relacionam?

O stress é um factor de risco cardíaco. Apesar de não existirem estudos definitivos que o certifiquem, a prática médica assim o evidencia: quanto menos stress, menor risco de sofrer um acidente cardiovascular. E vice-versa.

Apesar de não ser formalmente considerado em 2019 um factor de risco cardíaco de acordo com as recomendações da ACC/AHA Guidelines on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease de 2019, sob o ponto de vista clínico e da prática médica recomenda-se desde há vários anos prestar atenção a este processo que, ao instalar-se de forma habitual na nossa vida quotidiana, pode acabar por afectar a nossa saúde cardio e cerebrovascular.

Alguns autores consideram que os factores de risco cardiovascular clássicos não conseguiram explicar por completo estas doenças e que, em virtude desta circunstância, “o stress deve ser considerado um novo factor de risco de doença cardiovascular”.

A relação causal e vinculativa entre o stress e o risco cardiovascular demorou décadas a ser demonstrado. E foram apenas estudos epidemiológicos realizados após grandes crises e catástrofes que revelaram que o stress mental acaba por desencadear doenças cardiovasculares. Acontecimentos como os terramotos de Atenas (1981), Los Angeles (1994) e Hyogo (1995) provocaram um aumento entre duas a cinco vezes da mortalidade não traumática devido a problemas cardiovasculares. E nos atentados contra as Torres Gémeas de Nova Iorque, o que as autoridades sanitárias detectaram foi um incremento no número de disparos dos desfibrilhadores cardíacos automáticos implantados nesse grupo de doentes para restabelecer a sua actividade cardíaca.

Um factor de risco a controlar

Para o Texas Heart  Institute, os factores de risco cardiovascular dividem-se em dois grupos: os principais, aqueles cujo efeito de aumentar o risco cardiovascular já foi bem demonstrado (hipertensão arterial, colesterol elevado…), e os contributivos, aqueles que podem dar lugar a um maior risco cardiovascular mas cujo papel exacto não foi ainda totalmente definido. Nesta categoria entrariam as hormonas sexuais, os contraconceptivos orais e, claro está, o stress.

Este último é o que suscita maior interesse na população em geral, tendo em conta que o nível de consumo de ansiolíticos disparou na última década em Portugal, superando a média de consumo de muitos países europeus, segundo o último relatório da Agência Portuguesa do Medicamento (Infarmed).

Neste documento é referido que um em cada três indivíduos tomou ansiolíticos no último ano. Obviamente que a crise decorrente da situação económica e laboral terá contribuído para muitas das situações de stress em múltiplos âmbitos.

Apesar de haver cada vez mais médicos conscientes de que o  stress constitui um factor de risco cardiovascular, ainda não foram demonstrados os efeitos do stress emocional, dos hábitos comportamentais e estilo de vida e do estado socioeconómico no risco de sofrer uma doença cardíaca ou um ataque cardíaco.

Como costuma dizer um conhecido cardiologista “todos nós enfrentamos o stress de maneiras diferentes. Quanto e como nos afecta o stress depende de cada um de nós”.

 

Sintomas de alarme

  • Dores frequentes de cabeça, musculares e viscerais.
  • Fadiga habitual.
  • Aumento da temperatura corporal.
  • Sudorese contínua.
  • Mal estar gastrointestinal (diarreia, indigestão).
  • Secura da boca e garganta.
  • Consumo excessivo de alimentos.
  • Consumo de tóxicos.
  • Insónia.
  • Tics nervosos, irritabilidade, pânico, défice de concentração e memória, medos, fobias, mau humor…
  • Sensação de fracasso.
  • Disfunção sexual.
  • Problemas laborais
  • Conduta anti-social.

Como lutar contra o stress

A luta contra o stress para que não acabe afetando o coração deve ser abordada, integrando a esfera pessoal e social, e deve implicar, além de outros o cardiologista, a enfermeiros, psicólogos e nutricionistas. O tratamento inclui medidas farmacológicas e, sobretudo, não farmacológicas.

 

Não farmacológicas. O objetivo é melhorar a qualidade de vida mediante a melhoria do bem estar físico.

 

Exercício físico. Não está apenas indicado no controlo do stress, mas também para evitar outros fatores de risco cardiovascular, como a obesidade, a hipertensão arterial, o colesterol alto, etc.

Para pacientes não treinados o com fatores de risco ou doença cardiovascular recomenda-se a realização de exercício físico dinâmico, como a natação, a bicicleta ou a marcha, que exercitam a grupos musculares amplos durante largos períodos de tempo.

 

Alimentação. É fundamental ter uma dieta equilibrada rica em verduras, frutas e fibras, e baixa em gorduras e açucares. Deve ser limitado o consumo de tabaco, café e álcool, uma vez que estas substâncias são potenciadoras de stress.

 

Sono suficiente. Para a renovação celular é preciso dormir no mínimo 7 horas por dia. O stress é a primeira causa de insónia ou de má qualidade do sono. Existem múltiplas opções para melhorar a sua qualidade, como as técnicas de relaxamento.

 

Psicoterapia, técnicas de relaxamento ou respiração e meditação. Todos os dias, mais profissionais de saúde reconhecem os benefícios de técnicas como o yoga, o taichí ou pilates, que têm demostrado a sua utilidade para reduzir o stress e melhorar a pressão arterial, a circulação e o sistema imunológico.

 

Farmacológicas. Quando o paciente tem um quadro de stress agudo, os médicos podem recorrer à prescrição farmacológica de betabloqueantes, antidepressivos, ansiolíticos e hipnóticos. Os betabloqueantes contribuem, ao diminuir o efeito das catecolaminas no coração, na redução da frequência cardíaca basal e máxima e da tensão arterial, contribuindo para que a resposta ao stress agudo e crónico seja menor.

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