Penafiel: Quarta Jornada de Pneumologia do CHTS debateu silicose e tuberculose

Penafiel: Quarta Jornada de Pneumologia do CHTS debateu silicose e tuberculose

Decorreu na passada sexta-feira, dia 17 de maio, a quarta Jornada de Pneumologia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS). O evento, que teve lugar no Penafiel Park Hotel, ficou marcado pela importância da prevenção e diagnóstico precoce das doenças pulmonares.

O encontro contou com a participação de profissionais da especialidade, entre médicos e enfermeiros dos cuidados de saúde primários e área hospitalar, e outros profissionais de saúde.

Maria do Céu Póvoa, diretora do Serviço de Pneumologia do CHTS, abriu o evento recordando que a “silicose e a tuberculose são doenças mais prevalentes nos concelhos de Marco de Canaveses e de Penafiel”, salientando ainda “o papel vital da Medicina Geral e Familiar na área da pneumologia”.

Tomando da palavra, Alexandra Rabaçal, vereadora da Câmara Municipal de Marco de Canaveses, falou sobre as políticas de saúde do município, preocupações e eixos estratégicos para “implementar medidas que possibilitem o envelhecimento saudável, vidas saudáveis e o exercício da cidadania em saúde”.

Também presente na sessão de abertura, Susana Oliveira, vice-presidente da Câmara Municipal de Penafiel, lembrou que a “a tuberculose é um problema de saúde pública em todo o mundo, Portugal tem a pior taxa da Europa Ocidental e na região Norte, a sub-região do Tâmega e Sousa, continua superior à média nacional”.

“Ninguém gosta de fazer parte dos piores, é um combate difícil. Penafiel continua empenhado em trabalhar para fazer face a esta situação, com estratégias que visam a prevenção e o diagnóstico precoce, medidas para a melhoria das condições socioeconómicas e de trabalho”, explicou a autarca.

A diretora clínica do CHTS, Filipa Carneiro, começou a sua intervenção felicitando o “Serviço de Pneumologia pela organização da jornada, pela diferenciação do Serviço e pelo grande trabalho na comunidade, onde a assistência ao doente é cada vez mais inter e multidisciplinar”.

De acordo com a diretora clínica o facto do CHTS estar localizado numa “zona endémica da tuberculose”, acaba por resultar “num problema de saúde pública”. “O exercício da cidadania e a promoção da saúde estão ligados, servindo assim esta reunião para promover a saúde enquanto cidadãos e profissionais de saúde”, concluiu.

Além dos naturais desafios que se colocam à área da Pneumologia, tendo em conta as taxas de prevalência das patologias na área de influência do CHTS, Carlos Alberto, presidente do Conselho de Administração do centro hospitalar, destacou também a participação dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) nesta sessão de trabalho, pois “permite que estas pessoas se conheçam e que consigam fazer um trabalho mais articulado, de maior partilha e proximidade para melhor servir os mais de 5% da população portuguesa, pelos quais também temos a responsabilidade de tratar bem”.

A primeira mesa redonda foi dedicada à silicose, uma doença pulmonar que resulta da inalação de pequenas partículas de sílica decorrentes do corte ou perfuração de solo, areia, granito ou outros minerais.

Francisco Cadarso, pneumologista do CHTS, referiu que “a silicose é a patologia mais notificada no Norte, corresponde a 85% das notificações de doenças respiratórias profissionais. Felgueiras, Marco de Canaveses, Penafiel e Vila Nova de Gaia são os municípios com mais notificações, ou seja, são concelhos mais industriais”.

De acordo com Carlos Carvalho, médico de Saúde Pública, “a silicose potencia o aparecimento da tuberculose, são duas patologias que partilham fatores de risco explosivos”.

A tuberculose é uma doença infeciosa causada pelo bacilo de Koch. A pulmonar é a forma mais frequente da doença e de contágio mais fácil, mas também pode atingir outros órgãos. Um doente com silicose tem um maior risco de desenvolver tuberculose.

Importa referir que a tuberculose é a doença infeciosa que mais mata no mundo. Portugal registou menos casos em 2017, mas ainda está acima da média europeia. A incidência no país é de 17,5 casos por cada cem mil habitantes, enquanto na União Europeia não vai além dos 10,7 por cada cem mil. Os dados constam do mais recente relatório do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a Europa, divulgado em março deste ano.

“A maior taxa de tuberculose é nos grandes centros urbanos, Porto e Lisboa. No Norte, a maior taxa é no Vale do Sousa Sul e Baixo Tâmega. Em Penafiel é 76 por cem mil habitantes e no Marco de Canaveses é 59, uma taxa bastante superior à nacional”, revelou Carlos Carvalho.

Os trabalhadores da indústria da pedra apresentam uma taxa de incidência superior à população em geral. Entre 2012 e 2017, foram notificados 74 casos no Marco de Canaveses e em Penafiel.

A apresentação sobre a experiência da Unidade de Saúde Familiar de Resende finalizou este painel dedicado à silicose.

A segunda mesa redonda foi sobre a tuberculose e falou-se de “problemas de diagnóstico, rastreio, tratamento e retramento na vertente hospitalar” e sobre as competências dos Centros de Diagnóstico Pneumológico (CDP).

Ficou, mais uma vez, patente a importância da diminuição do período de tempo entre o aparecimento de sintomas e diagnóstico da tuberculose para reduzir o risco de transmissão da doença na comunidade.

“Muitos não sabem o que é o CDP”, afirmou Tânia Guimarães, médica do CDP de Penafiel. “O CDP é a unidade funcional responsável pelo diagnóstico, prevenção e tratamento da tuberculose”, explicou.

A tuberculose é tratável, mas o seu tratamento dura seis meses, o que dificulta a adesão à terapêutica e a deslocação diária para fazer a toma observada direta (TOD), obrigatória para prevenir a transmissão na comunidade.

 “Se falarmos todos a mesma linguagem, logo na suspeita de tuberculose, será mais fácil resolver este problema”, evidenciou a especialista, garantindo que “é preciso partilhar a responsabilidade do tratamento entre o doente e a equipa de saúde”.

No final da manhã, ainda se abordou a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) e Laura Simão, pneumologista do CHTS, apresentou a atualização GOLD 2019.

“GOLD é a sigla para Diagnóstico, Gestão e Prevenção da DPOC. É um documento que vai sendo atualizado com novos estudos e evidências para que todos, mundialmente, possamos falar a mesma linguagem quando falamos de DPOC”, referiu a especialista.

À tarde realizaram-se ainda dois workshops, um sobre doenças pulmonares obstrutivas,  técnica inalatória e uso de dispositivos e outro sobre a apneia obstrutiva do sono.

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