Bagagem pelo Mundo: Luísa Pereira emigrou para a Alemanha com sabor “Agridoce” no coração

Bagagem pelo Mundo: Luísa Pereira emigrou para a Alemanha com sabor “Agridoce” no coração

Luísa Pereira é natural de Paredes de Viadores, em Marco de Canaveses e, desde os 24 anos que está na Alemanha. Sempre foi apaixonada pela gastronomia portuguesa mas preocupada com a influência que a alimentação tem no dia-a-dia das pessoas.

Por isso, decidiu ir estudar Nutrição Humana e Qualidade Alimentar após terminar o secundário. Os sabores e as propriedades nutricionais acompanharam-na até hoje. Emigrada em Frankfurt, foi trabalhar para um mercado português, o Portugiesisch Lebensmittel Geschäft. Diariamente, passam-lhe pelas mãos os sabores portugueses, que ajudam a esquecer que não é por Marco de Canaveses que está.

Interior do Aveirense Portugiesische- Lebensmittel Gresehaft

Deixou a cidade do Marco de Canaveses após o seu namorado ter emigrado. Apaixonada e certa de que era ao lado dele que deveria estar, Luísa largou tudo e foi ter com ele. Hoje, são marido e mulher. Tal como as flores dão os seus rebentos, também este casal viu na Alemanha o solo perfeito para largar a sua semente e fortalecerem as raízes do amor com a chegada de um bebé.

Mas nem tudo foi assim tão positivo. Tal como a comida, também a adaptação de Luísa ao novo país foi “agridoce”. Um país novo, pessoas novas, uma língua “extremamente difícil”, um trabalho diferente e uma rotina fora do habitual. O lado “amargo” adveio destes fatores mas o facto de estar ao lado da pessoa que ama deu o toque “doce” à emigração.

Luísa Pereira com o marido e o filho

A ajudar na adaptação esteve também o facto de haver uma cultura de emigração na família de Luísa Pereira. O pai, desde que ela era pequena, que esteve emigrado na Alemanha. Habituou-se desde cedo a perceber o que era a emigração, mas no lado inverso da bancada: sentia as saudades do seu pai que, mesmo que ela precisasse do seu abraço ou quisesse simplesmente andar de balouço enquanto ele a empurrava, sabia que era um desejo que só se realizava de tempos a tempos. “Entretanto, o meu pai mudou para França e continua lá até hoje. Também os meus tios, alguns primos e cunhado estão de bagagem pelo mundo”, explicou. Ainda assim, quando emigrou, Luísa deixou para trás alguns dos seus familiares, amigos e os seus pais.

“Não foi fácil mas, ao início estranha-se, depois entranha-se”, constatou.

A vez de fazer as malas bateu-lhe à porta há seis anos e ainda permanece por lá. Olha para a Alemanha com “bons olhos” pela qualidade de vida que lhe oferece. “A zona onde vivo é um lugar calmo, com bastante vegetação, o que me fez sentir uma tranquilidade que se assemelhava à minha terra”, salientou.

Alemanha

Recentemente, teve de aprender uma nova linguagem, isto é, a do seu bebé.  “O Rodrigo foi a minha maior aventura aqui. O facto de enfrentar toda a gravidez cá, desde ir às consultas e ter de perceber o que diziam, em alemão, os médicos, até ao dia do parto, tive muito medo de não me conseguir desenrascar”, contou. A dificuldade em torno da língua era constante, até perceber que a do seu filho, ao início, parecia ainda menos descodificável, brincou.

Mas hoje, aos 30 anos, Luísa diz que já consegue tratar dos seus assuntos sozinha, pois já se adaptou a ambas as línguas. Uma, reflete-se no dia-a-dia como a mais natural linguagem de uma mulher, “a conversa de mãe para filho”. A outra, aos poucos e poucos vai sendo cada vez mais normal. A lei da maternidade fê-la gostar ainda mais da Alemanha, isto porque permite estar em casa com o novo rebento no mínimo um ano e, no máximo, três. “Dois destes anos são remunerados, é um bom país para se ter filhos”, explicou.

Para fomentar os momentos entre família, o comércio está encerrado aos domingos, algo que agrada especialmente a Luísa Pereira. “Valorizam muito o conceito ‘família’, os pais e os filhos têm, pelo menos, um dia por semana para puderem estar todos juntos, independentemente da profissão”, explicou.

Em todo o caso, Luísa Pereira e a sua família pensa no dia do regresso. Embora goste da qualidade de vida que a Alemanha lhe proporciona, adora Portugal e o Marco de Canaveses. “Por isso, o meu pensamento aqui é aproveitar para me orientar, não é chapa ganha, chapa gasta”, frisou. Até porque sente “muita falta da família, dos amigos, algo que as videochamadas não resolvem na sua totalidade, mas ajudam”.

“Anseio todos os dias por colocar de vez a bagagem no meu país, embora saiba que, nesse dia, este país [Alemanha] também me vai deixar saudades”, disse, mostrando que no sue coração já guarda muito do que a Alemanha lhe deu. Até lá, vai tentar aproveitar a natureza que lhe faz transitar, em memória, para o Marco de Canaveses, assim como sentir o cheiro e o paladar dos produtos portugueses que lhe passa pelas mãos.

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