De Bagagem pelo Mundo: “Deixar Celorico de Basto e emigrar há 23 anos não é o mesmo que emigrar agora”

De Bagagem pelo Mundo: “Deixar Celorico de Basto e emigrar há 23 anos não é o mesmo que emigrar agora”

Fernanda Magalhães nasceu em Molares, uma localidade pertencente a Celorico de Basto. Viveu em por lá até aos seus 17 anos. Foi para Santo Tirso depois de casar, cidade de onde o seu marido era natural.

Celorico “é, e sempre será, o cantinho” que a viu nascer, onde tem as suas raízes. As memórias do tempo que por lá viveu são imensas, desde o tempo de escola, onde fez as primeiras amizades, onde aprendeu a cair e a levantar. Os seus pais viviam da agricultura e, por isso, hoje sente falta do cheiro do campo, da terra molhada, da época das plantações e das gentes sem medo de mexer na terra.

As saudades chegam após 23 anos de vida de emigrante. Após alguns anos de se casar, o marido emigrou. Era hora de partirem juntos na aventura, com o filho mais velho, que tinha naquela data três anos.

Fizeram uma viagem que durou quase dois dias. “Nunca tinha ido a Lisboa, quanto mais fazer uma viagem de dois dias. Foi muito cansativo. Saímos de Guimarães eram 10 horas da manhã de dia 15 de junho de 1996 e chegamos à meia noite do dia seguinte”, recordou. O bebé portou-se bem na viagem, “dormiu a viajem quase toda”.

Foram até ao norte da Alemanha, mais precisamente até Hamburgo. Não sabia falar a língua deles e não conhecia ninguém. O estilo de vida era diferente. Não havia o cheiro do campo, não via agricultura como prática de subsistência. Mas sabia que era ali que tinha de ficar o tempo que fosse preciso.

Começaram tudo do zero. Não havia dinheiro para ir a Portugal. “Ficamos dois anos sem ir à nossa terra natal, porque eu arranjei logo trabalho mas o meu marido esteve de junho a setembro sem conseguir”, explicou.

“Só nos primeiros quinze dias dormimos no chão, nas almofadas das cadeiras de jardim. Foi um início muito duro”, disse.

Foi um início com muitos percalços e quase que viram a emigração acabar: “As coisas eram diferentes de agora. Deixavam-nos ficar por três meses, depois, se não tivéssemos trabalho tínhamos de ir embora”.

Mas o marido de Fernanda Magalhães conseguiu arranjar trabalho. Tudo se foi endireitando e conseguiram ficar. Pensavam que a sua estadia ia ser curta, mas já lá vão 23 anos desde que chegaram a Hamburgo pela primeira vez. Entretanto, nasceu mais um filho, que ainda anda na escola. “Enquanto ele não acabar os estudos, sabemos que não podemos pensar em voltar definitivamente”, salientou.

Por todos estes motivos, Fernanda diz que é mais fácil os jovens emigrarem agora do que em 1996. Até porque “hoje em dia têm a Internet a ajudar a colmatar as saudades, coisa que naquela altura não havia”.

Atualmente, a família de Fernanda Magalhães vem cerca de três vezes a Portugal durante o ano. O trabalho corre-lhe bem, o que faz com que não saiba quando regressar. A reforma ainda está longe e, por isso, sabe que trabalhar ainda vai pautar os seus dias, por muitos anos. O certo é que não lhe sai da cabeça o regresso a Celorico, ou a outra parte do país para viver. “Já tenho planos para quando regressar, e sei que isso vai acontecer um dia, se Deus quiser”, frisou.

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