De Boa Saúde: Faz-me uma Febre

De Boa Saúde: Faz-me uma Febre

Com a solenidade que o momento requer, permita-me que, neste mês de maio, com a sua autorização, desfaça um verdadeiro mito em saúde. Preparada/o? Aqui vai: 37ºC não são febre! É isso mesmo, leu mesmo bem, não há engano. Nem engano nem subjetividade: venha quem vier, diga-se o que se disser, seja qual for a temperatura que acha ser a sua habitual, 37ºC referem-se sempre a uma temperatura corporal considerada normal e não há volta a dar a esta questão.

MAS AFINAL, DO QUE FALAMOS?

Ora bem, em primeiro lugar, importa dizer que a febre é um mecanismo de defesa do nosso corpo contra, por exemplo, infeções ou outras condições que lhe possam causar dano. Desfaçamos, portanto, um segundo mito: a febre não é sempre uma coisa má. Muito pelo contrário: em boa verdade, a febre é uma resposta que o nosso organismo promove perante uma dada agressão, demonstrando que a identificou como tal e que, por isso, a pretende combater. No entanto, se a febre for sustentada ao longo de vários dias, atingir valores muito elevados e/ou estiver associada a outros sinais ou sintomas que causem um mal-estar significativo, aí sim, passa a ser “pior a emenda do que o soneto” e faz sentido que a encaremos e tratemos como algo negativo.

ENTÃO E 37ºC NÃO SÃO FEBRE?

Definitivamente, não, 37ºC não constituem febre!

Para que não restem dúvidas, vamos então simplificar as coisas: quer meça a temperatura corporal com um termómetro oral, axilar, retal, frontal ou auricular, uma regra prática que pode fixar para interpretar mais corretamente o valor é a seguinte: se este é igual ou superior a 38ºC, aí sim, falamos em febre.

Permita-me, ainda, uma última nota neste contexto: quando a temperatura é de 37.5ºC, o que pode acontecer é um chamado estado subfebril, no qual podem existir arrepios, suores e desconforto corporal, mas (ainda) sem haver febre.

E ISTO DA FEBRE VAI LÁ COM A MÃO?

Lamento, mas neste mês dos três pastorinhos, tenho mesmo que desfazer um terceiro mito sobre este tema: esqueça lá essa ideia de pôr a mão na cabeça de alguém para determinar a febre. No máximo o que avalia é a temperatura da testa (se ela está quente ou fria); lembre-se é que essa sensação será sempre uma comparação com a temperatura da sua própria mão, logo, a fiabilidade de qualquer conclusão que daí possa tirar é muito baixa, por isso, com honestidade, não nos serve de muito!

E sim, é certo e inquestionável que há muita subjetividade nisto do “estar-se doente”, até porque não há duas pessoas iguais, no entanto – e tal como lhe demonstrei – há também coisas que já estão bem definidas há largos anos e, por isso, não há justificação para que se continuem a perpetuar estes mitos em saúde. Combinado?

Ora, e como estamos em maio, eu despeço-me com a frase talvez mais ouvida do mês: “may the 4th be with you”! E que nos reencontremos por cá em junho, sempre, claro, de boa saúde. Até lá.

 

Dr. Francisco Santos Coelho

Médico Interno de Medicina Geral e Familiar

 

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