Marco de Canaveses: Meia centena de peregrinos de Soalhães rumam a Fátima por estes dias

Marco de Canaveses: Meia centena de peregrinos de Soalhães rumam a Fátima por estes dias

Como é sabido, o mês de maio tem um relevo especial para a comunidade católica em Portugal, fruto da primeira aparição da Virgem Maria aos três pastorinhos no dia 13, em Fátima. Assim, movidos pela fé, milhares de peregrinos de norte a sul do país, bem como do estrangeiro, percorrem a pé o caminho até ao Santuário de Fátima a fim de cumprir as respetivas promessas.

Em Soalhães, Marco de Canaveses, há um grupo que, anualmente, parte dali com o mesmo propósito há já 26 anos. São liderados por Joaquim Ribeiro, que vem “todos os anos sem parar”. “Nunca falhei um”, assegurou, antes de contar como se estabeleceu esta prática. “Tudo começou com uma promessa de dez anos. Agora, já não é promessa: são as pessoas que vêm ter comigo e combinamos de ano para ano esta caminhada”, revelou.

No início, a comitiva era composta por cerca de uma dúzia de pessoas. Entretanto, esse número cresceu exponencialmente, tendo já atingido a sua capacidade máxima, como nos explica o marcoense. “Hoje, estamos em 50, mas não passa daqui, porque não pode passar. Não gosto de dizer que não, mas é difícil em termos de estadia e de toda a logística”, admitiu, apesar de não faltar vontade de quem vem em voltar no ano seguinte: “a maior parte do grupo já me diz para contar com eles para o ano”.

E se alguns caminhantes vão somente acompanhar, no caso de Joaquim Ribeiro, o que o move é mesmo a fé: “a Nossa Senhora ajuda-me durante o ano e eu só lhe venho retribuir”, afirmou, descrevendo a tarefa que considera “um dever”.

O objetivo maior da caminhada, esse, é claro: “chegarmos todos”. “Nunca deixei ninguém para trás”, afirmou orgulhoso Joaquim Ribeiro, que diz liderar um “grupo fantástico”.

Com 67 anos, Aida Monteiro, tia de Joaquim e de todos os peregrinos, porque todos a tratam por ‘tia Aida’, é o elemento mais velho do grupo, o qual integra de forma contínua há já cerca de 15 anos. Para Aida, o momento de chegada tem um significado particularmente especial: “é o melhor momento da minha vida, não tem explicação!”

No lado oposto da faixa etária, encontramos a filha de Joaquim, Maria Inês Ribeiro, que desempenha a função de enfermeira, oferecendo os seus cuidados a quem deles necessita no decorrer o percurso. Estreante naquelas andanças, Inês não vê a sua participação como uma passada de testemunho de pai para filha. “Não tenho capacidade para desempenhar o papel dele e ter o empenho e dedicação que ele tem diariamente para poder estar aqui”, confessou.

Cristina Vieira, presidente da Câmara Municipal de Marco de Canaveses, também dá o seu apoio no local à comitiva, que diz tratar-se de um “grupo especial”. “São pessoas por quem tenho muita estima e consideração, de muita devoção e que aproveitam para fazer da peregrinação um momento de partilha e de emoção entre todos”, referiu a autarca, sublinhando ainda o “espírito de entreajuda” entre os peregrinos e todos os que apoiam a sua missão.

António Monteiro, presidente da Junta de Freguesia de Soalhães, já tinha efetuado uma peregrinação há 17 anos, tendo decidido então “voltar outra vez sem data marcada e sem compromisso nenhum”. Em 2019, resolveu cumprir esse desígnio para “apoiar o grupo da terra”, que conhece como poucos. “O líder é meu amigo desde a infância. É como um irmão”, revelou o presidente, que já conhece o sentimento de chegar ao Santuário após vários dias de marcha: “ao entrar no recinto, a gente chora, mesmo que não queira”.

Para alguns peregrinos, a caminhada em si não representa um desafio suficiente para o cumprimento das respetivas promessas. É o caso de Vanessa Faria, que, dos três anos em que realizou a peregrinação, dois deles foram feitos “a pão e água”. “Tive o meu pai muito mal, às portas da morte, e, por isso, prometi que vinha a Fátima a pão e água”, revelou Vanessa, para quem “todos os momentos do percurso são bons”. “Todo o grupo é fantástico, em especial o Joaquim, que dá muito apoio”, elogiou.

Já no caso de Ester Vieira, que participa nesta peregrinação pela primeira vez, não é uma promessa que a move: “tenho o objetivo de chegar ao fim e vou cumpri-lo”. A estreia, contudo, está a revelar-se complicada para a marcoense, que já pretendia integrar o grupo “há cerca de três anos”. “Não é fácil, é muito difícil mesmo. Devido ao esforço e ao cansaço, acabo por chorar. Não estou a imaginar a sensação que será chegar ao Santuário no domingo”, admitiu.

Dadas as dificuldades com que os peregrinos como Ester se deparam, é necessário alguém que lhes dispense alguns cuidados. Para além da enfermeira Maria Inês, o grupo de Soalhães pode contar com as massagens dadas por Natércia Pinto, a quem não falta “vontade de ajudar”. “Chegamos todos, uns melhor, outros pior. Não fica ninguém para trás, temos de nos ajudar uns aos outros”, realçou a marcoense, que aprecia particularmente “a companhia e o companheirismo” sentidos durante a peregrinação.

Para Fátima Vieira, 2019 também foi o ano de estreia no que às peregrinações ao Santuário diz respeito. Apesar de “muito cansada”, a habitante de Paredes de Viadores diz estar a viver uma experiência “ótima”, alimentada pelo “grupo espetacular” que integra.

A comitiva marcoense espera chegar ao Santuário de Fátima no final da manhã do próximo domingo, dia 12 de maio, após uma desafiante caminhada de mais de 200 quilómetros.

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