De Bagagem pelo Mundo: A viagem de Erasmus levou Vítor Soares até à Irlanda para voar nos sonhos

De Bagagem pelo Mundo: A viagem de Erasmus levou Vítor Soares até à Irlanda para voar nos sonhos

Vítor Soares nasceu, há 26 anos, nas Termas de São Vicente, em Penafiel. Sempre gostou de andar pelas ruas. Vivia a cerca de um quilómetro da escola o que permitia ir e vir com os amigos, a correr pelas ruas diante da natureza. Teve uma infância feliz, com uma família que lhe deu os pilares necessários para crescer com ambição.

Sempre foi aplicado na escola. “Ainda participei em algumas jornadas de matemática. Não era aquele aluno fabuloso mas também não era mau”, conta. Já no Secundário, aos sábados de manhã, costumava ir com “uns professores andar de bicicleta para mostrar um pouco da nossa bela região, como a Serra da Boneca, montes, lugares altos com grandes vistas”.

Lutar por uma licenciatura era a sua missão. Conseguiu entrar no curso de Multimédia, no Instituto Politécnico de Bragança. Depois de queimadas as pestanas e as fitas, deixou os livros repousados na estante do seu quarto, enquanto foi “arregaçar as mangas” no estágio numa estação televisiva.

Cidade de Cork, onde Vítor Soares está há quatro meses

Foi mais um estagiário a quem foram feitas mil e uma promessas. “És bom, vais ficar connosco”, foi ouvindo dos colaboradores. Mas o certo é que “o processo não se desenrolou”. Com a amargura de percecionar o mundo de promessas falhadas com que os jovens têm de lidar, e do quão difícil era ter uma oportunidade, Vítor percebeu que era melhor juntar aos livros o canudo que lhe valeu uma especialidade.

“Durante as férias da faculdade fazia trabalhos para uma empresa de projetos fibra ótica. Comecei a interessar-me por isso, tive algumas formações e surgiu a oportunidade trabalhar nesse ramo”, explicou.

De Penafiel foi para o Porto, cidade onde trabalhou durante dois anos a fazer projetos de fibra ótica, ou seja, a ser projetista. No entanto, nunca lhe saiu da cabeça a maior viagem e aventura que tinha tido até então.

“Fui fazer Erasmus em Budapeste durante seis meses. O colega que foi comigo teve uma pneumotórax, um distúrbio pulmonar e, por isso, não podia viajar de avião”, começou por explicar. Por isso, decidiram pegar na bagagem e ir de autocarro e comboio de Budapeste até ao Porto: “Budapest – Cracóvia – Praga – Munique – Milão – Paris – Porto”. Com esta viagem, ganhou vontade de ter uma experiência de trabalho fora de Portugal.

“Gostei muito de estudar em Budapeste porque existe muita mistura de culturas, eram muito abertos aos estrangeiros, podíamos ir a qualquer sítio nos arredores, sempre com transportes públicos”, exemplificou.

Vítor e os seus amigos na viagem a Budapeste

Foi tal experiência enquanto estudante que o fez emigrar para Cork, a segunda maior cidade da República da Irlanda e a terceira mais populosa da ilha da Irlanda. Foi fazer o mesmo que fazia em Portugal, ou seja, ser projetista. Teve de se adaptar às novas formas de trabalhar daquele povo, mas, ainda assim, diz que não pensou duas vezes em aceitar.

É, assim, um recém-emigrado. Está em Cork apenas há quatro meses, movido pelo objetivo de enriquecer-se, em termos profissionais e pessoais. Chegou a 4 de fevereiro de 2019.

“Mudei-me por vários motivos, um deles foi pela experiência profissional que poderia adquirir, novos métodos de trabalho, novos desafios novas culturas, porque acho que nos enriquece como seres-humanos”, frisou.

Embora “tenha pouco de vida de emigrante”, afirma saber que se trata de um grande desafio. Tanto mais em datas especiais, como o Dia da Mãe, em que está a longos quilómetros de distância da sua progenitora. A família tem sido o seu suporte, apoiando Vítor Soares nas suas decisões, como a de emigrar.

“Sei que foi difícil para eles por ser o filho mais novo e ter sido o último a sair de casa, e logo para o estrangeiro, sei que não foi fácil para eles”, disse.

Mas a situação não é fácil para os pais, nem para ele. A adaptação profissional “não foi, nem é, fácil” pois teve de se habituar “aos novos métodos e ferramentas de trabalho”. A língua era nova e a comunicação tornou-se difícil. Ainda assim, Vítor Soares afirma que o gosto pelo que faz “torna tudo bem mais fácil”. Ao mesmo tempo, lamenta que esteja a perder o crescimento do seu afilhado, assim como dos sobrinhos, por estar longe ele. As fotografias que lhe vão chegando, mostram as evoluções e aguçam as saudades.

“Com empenho e dedicação consegue-se ultrapassar as diversidades do dia-a-dia . Como disse anteriormente, podemos crescer e, quem sabe, daqui a alguns anos, poder regressar”, revelou.

Jogou durante cinco anos no São Vicente do Pinheiro

Mas falar em regresso fez Vítor Soares lembrar do momento da partida. Deixou para trás a família, os amigos, mas também uma paixão: o futebol. A jogar pelo São Vicente do Pinheiro, Vítor disse “adeus” aos companheiros no dérbi concelhio frente ao Croca. A vitória do jogo tinha um belo sabor, mas a consciência de que era a despedida deixou-lhe um toque amargo na boca.

“Foi complicado, tinha cinco anos de casa, entreguei-me à missão e à equipa, deixar nunca é fácil”, constatou. Guardou no coração esta casa que, afirma, lhe deu ferramentas importantes para a nova etapa. “Ensinou-me a concentrar, a empenhar, e a saber lidar com as vitórias mas também com as derrotas”, salientou, evidenciado o orgulho de quem, mesmo à distância, continua a seguir o São Vicente do Pinheiro.

Embora não saiba se vai voltar, nem quando, Vítor sabe que vai ser eternamente grato, à sua família futebolística, mas acima de tudo aos seus pais e irmãos. Se ainda permanece na aventura, tal deve-se ao apoio que tem dos seus pilares: a família.

Deixar um comentário

O seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios marcados com um *

Cancelar resposta

Apoie o jornalismo de qualidade.
Faça uma doação para este projeto.