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Bagagem pelo Mundo: Educar à distância é a maior dificuldade do emigrante Hugo Silva

Bagagem pelo Mundo: Educar à distância é a maior dificuldade do emigrante Hugo Silva

Hugo Silva nasceu em Pedorido, uma freguesia onde o cheiro a rio se sente e o verde predomina, localizada no concelho de Castelo de Paiva.

Trabalha com fibra ótica e surgiu uma oportunidade de trabalho na Bélgica. Não teve outra hipótese se não ir até esse país. Esteve lá há cinco anos mas, após sete meses, regressou a Portugal. Quase nem teve tempo para desfazer a mala pois três meses depois de voltar a sentir o calor da sua terra natal pegou num avião e emigrou até Inglaterra e, de lá, foi para França, país por onde ainda permanece e não sabe quando regressará.

Vive numa pequena vila chamada Bonzouville, a 30 quilómetros do Luxemburgo, e que faz fronteira também com a Alemanha. Hugo Silva estima que seja o único português por ali, até porque nunca ouve falar a sua língua. Só quando liga para os seus filhos – que deixou em Portugal – é que Hugo Silva pode falar português.

Mas a cada palavra que escuta das suas vozes doces, Hugo sente uma saudade imensa. Mas sabe que foi por eles que pegou na bagagem para emigrar.  Vai de dois em dois meses até casa para ver os seus três filhos. Um dos filhos tem 13 anos, outro tem sete e a menina tem seis anos. Educar três filhos à distância “é muito difícil” pois Hugo Silva poucas vezes os vê.

“Eu quando estou com eles tento dar tudo porque é muito difícil educar em quatro dias. Claro que gosto dos bons princípios, mas tento-me divertir ao máximo com eles quando estou em Portugal”, explicou.

Por esse motivo, tenta vir cá de dois em dois meses, mas ainda assim “sabe a pouco”. Hugo Silva tem sentido que está a perder parte do crescimento das crianças que colocou no mundo e isso custa-lhe muito. Ter que dizer-lhe “não” torna-se difícil, porque quando está com os filhos apenas quer aproveitar ao máximo os dias, dando-lhes todo o carinho e amor que não deu enquanto estava emigrado.

“Em todo o caso, eles não são crianças que precisem de ouvir muito um ‘não’, têm uma mãe presente que lhes dá uma boa educação”, confessa. Hugo Silva tenta compensar todo o tempo em que esteve ausente quando regressa, até porque a data de “volta” está sempre marcada no calendário para dar alento e força para aguentar os dias que passa se a sua família.

Mas por França tem tentado encontrar força para viver. Ao contrário de Inglaterra – país para onde emigrou e por onde afirma ter sido alvo de discriminação – na França tem um bom ambiente, o que o faz gostar de estar neste país.

Afirma que fazer vida na vila onde se encontra não é difícil e não dá grande despesa. “Os ordenados são muito mais altos que em Portugal. As casas têm rendas mais baixas do que em Castelo de Paiva”, adiantou. No entanto, afirma que a qualidade de vida de um emigrante em França é sempre diferente do que em Portugal, pois “não há os mesmos sabores, os mesmos cheiros, o mesmo conforto”.

Em todo o caso, deixa um conselho a quem quiser emigrar: “Não se acreditem nas mil e uma promessas que fazem nas propostas. É melhor avisar que vão sofrer muito com saudades, mas acreditar em dias melhores é a melhor forma de lutar”.

No fundo, para Hugo Silva, “lutar” é a palavra de ordem para quem é emigrante.

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