Páscoa: Das limpezas ao Pão-de-Ló, nada falta para receber o Compasso na região

Páscoa: Das limpezas ao Pão-de-Ló, nada falta para receber o Compasso na região

As tradições da Páscoa continuam a ser cumpridas. De norte a sul do país, fazem-se rituais que têm perdurado no tempo.Do Pão-de-Ló ao borrego, até às limpezas a fundo, tudo faz parte do preparar para receber a Cruz de Cristo no domingo de Páscoa.

Na região do Tâmega e Sousa, não importa em que concelho se esteja, mas o “cheiro” a Páscoa faz-se sentir de véspera. Vários grupos de pessoas juntam-se para limparem as ruas por onde o Compasso vai passar. Lavam-se calçadas, ruas e ruelas, em jeito de asseio e preparação para um dia voltado para a religião e família.

Nas casas as limpezas executam-se com o mesmo rigor. “Arrastam-se todos os móveis, pintam-se os tetos, arranjam-se os jardins”, explica Adelina Fonseca, habitante no concelho de Cinfães. O alecrim também já está cortado. “Colocamos desde o passeio até à entrada das nossas casas de modo a que o Compasso saiba que somos uma das casas que quer que entre Cristo”, continuou a explicar a tradição.

Há quem diga que se trata da limpeza mais profunda de todo o ano. “Antigamente, era praticamente só na Páscoa que muita gente se dedicava às limpezas”, brincou Adriano Sousa. Em Castelo de Paiva as limpezas pautam a época, mas o cheiro que deixam no ar é diferente: “Lembro-me que em casa dos meus pais limpávamos o chão com sabão. Os que tinham mais dinheiro era com cera, porque os pisos eram em madeira e, tanto a cera como o sabão, deixavam o chão a brilhar”. 

Hoje, o cheiro mais intenso é o da lixívia. Pouco já é o cheiro do sabão pelas casas, só na das gerações mais antigas.

Pão-de-Ló à mesa para receber o Compasso

Depois da casa perfumada e limpa, é a vez de levar ao forno o Pão-de-Ló. Uns, já não os fazem em casa, preferem comprar. Nesta altura do ano, as confeitarias não têm “mãos a medir” para a procura.

Mas ainda há quem esteja cerca de 15 minutos a bater os cerca de 20 ovos com o açúcar, à espera da hora para desligar a batedeira e envolver a farinha. Menos de uma hora no forno, em formas de barro, estão prontos para decorarem a mesa.

Antigamente, só as pessoas com mais posses conseguiam ter este doce em dias de festa, como a Páscoa. Os mais pobres, faziam grandes esforços para conseguirem levar este doce à mesa para receber o Compasso.

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