Paredes: Tradição do Compasso enche ruas de Castelões de Cepêda de Alegria

Paredes: Tradição do Compasso enche ruas de Castelões de Cepêda de Alegria

A Páscoa, tal como outras celebrações da religião católica, simboliza a vida, a alegria e compaixão na terra. “É o dia em que festejamos a passagem da morte para a vida, da tristeza para a alegria”, começou por dizer Vitorino Soares, pároco de Castelões de Cepêda, paróquia do centro da cidade de Paredes que mantém a tradição do compasso há várias décadas.

São 12 as cruzes que levam a cruz de Cristo às casas da paróquia. Equipas de seis elementos acompanhados por duas bandas de música que dão alegria às ruas da paróquia. São 76 pessoas envolvidas no processo para que no Domingo de Cristo se possa celebrar a ressurreição “do Ser mais especial na terra”, avançou o padre Vitorino Soares.

Todos os anos um homem assume o lugar de Juiz da Cruz. Significa isso que no ano anterior já passou “pela caldeira, uma espécie de estágio para conhecer a paróquia e no ano seguinte assegurar todos os trabalhos da organização do compasso”, explicou o pároco.

O trabalho do juiz da cruz passa por estar presente com a cruz em todos os funerais que ocorram nesse ano e procissões, que no caso, corresponde apenas à procissão das festas da cidade e concelho de Paredes, em julho.

Pela primeira vez em dezenas de anos de tradição, quem assume o cargo de juiz da cruz é Celeste Pinto, uma mulher. “Sinal dos tempos modernos e do papel da mulher na igreja”, realça o padre Vitorino que há alguns anos tem alertado para o facto de ser necessário envolver mais a comunidade, sejam homens ou mulheres. “Cada vez mais, a mulher está presente nos grupos da igreja, é normal que vão assumindo cargos que até então eram assumidos por homens. Nada contra, pelo contrário”, assumiu.

A comunidade católica local vive dias “saudáveis”. 50% das equipas são jovens que fazem parte dos grupos da igreja.

Celeste Pinto , assídua na vida paroquial, tem nestes últimos dias que antecedem a Páscoa muito trabalho para gerir. É que as bandas musicais têm de estar contratadas para acompanhar as 12 equipas que dividem a paróquia em dois: norte e sul. E o almoço e jantar têm de ser preparados. Cabe à juiz da cruz oferecer o almoço a todos os elementos das equipas pascais e à banda de música. Já o jantar é oferecido às equipas pascais e respetivas famílias diretas – conjugues e filhos pequenos.

“É um trabalho que receamos que em pouco tempo as pessoas pensem que só quem é rico pode ser juiz da cruz. E, claro, que não queremos isso. Já disse que a fábrica da igreja pode ajudar nos custos”, adiantou Vitorino Soares.

O lanche esse é oferecido há vários anos pelo casal Gina e Carlos Rego. A casa recebe o compasso por volta das 17 horas e entre o almoço e a chegada da cruz de Cristo a família prepara um generoso lanche para todos.

O padre Vitorino Soares acompanha os variados momentos da visita pascal, sempre na equipa do juiz da cruz. A missa pascal é celebrada às 7 horas por forma a dar tempo às equipas de percorrerem todas as casas. Às 11 horas, o pároco ausenta-se da visita pascal para celebrar nossa missa. Este ano o almoço é com a “família” da paróquia da Madalena. E de tarde volta a juntar-se à visita pascal. Mais próximo da missa do recolher das cruzes, às 20 horas, padre Vitorino regressa à Igreja matriz à espera das 12 cruzes e banda de música que se despede dos paredenses na avenida da república, às portas da igreja.

O recolher das cruzes é outro ponto alto desta celebração de alegria e vida. As 12 equipas juntam-se no parque José Guilherme com as bandas de música e desfilam até à igreja, visitando as últimas casas da avenida.

A última missa está, tal como a primeira, repleta de fiéis que passaram o dia a celebrar a vida. “A celebrar a vida de Jesus Cristo, vida única que devemos lembrar todos os dias e todos os anos”, conclui padre o Vitorino Soares.

Fotos: Arte e Color – Paredes

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