Bagagem pelo Mundo: Andreia Nóbrega deixou Paredes para viver o amor na Catalunha

Bagagem pelo Mundo: Andreia Nóbrega deixou Paredes para viver o amor na Catalunha

Andreia Nóbrega tem 33 anos. Nasceu em Paredes, na vila de Cete. Sempre gostou do lugar onde nasceu mas foi quando a vida a obrigou a ir viver para outro lugar do mundo que lhe deu o verdadeiro valor.

Na sua educação, sempre foi estimulada a estudar. Diziam-lhe que era uma mais-valia e que a ajudaria a ter um futuro melhor e estável. Tirou a licenciatura e decidiu que ainda lhe faltava mais formação. Foi então que enveredou pelo mestrado em Educação Infantil.

Foram cinco anos de estudo, de noites sem dormir, de “pestanas queimadas” e um elevado investimento monetário. Ainda conseguiu trabalho na sua área. Antes de emigrar para Espanha – país onde ainda permanece – Andreia Nóbrega dava aulas de expressão musical nas AECS e Jardim de Infância, na cidade do Porto.

Mas a música tocou o seu coração e, há três anos, Andreia deixou tudo por amor. O seu marido trablhava na área da construção civil. Com os períodos de chuva mais acentuados, chegou a ficar semanas em casa, sem trabalho. Tal facto fez com que este casal repensasse sobre a vida. Andreia dava aulas mas o rendimento proveniente da sua profissão era pouco. O seu marido ficava sem trabalho vários dias por ano. A conjuntura não ajudava o jovem casal, pelo que decidiram partir rumo a uma vida melhor.

Foi há três anos que emigraram. Nunca imaginaram dar este passo um sem o outro. “Unidos na alegria e na tristeza, todos os dias da nossa vida”. Assim prometeram um ao outro no dia do seu casamento, e assim cumpriram.

Tristeza é a palavra que Andreia Nóbrega ainda hoje usa para descrever o facto de ter deixado a sua profissão, após o investimento monetário e mental que fez. Atualmente, está na Catalunha.

“Vim para uma montanha no meio do nada, trabalhar como empregada de limpeza num hotel. Completamente o oposto do que algum dia fiz em Portugal. Mas a verdade é que vim ganhar o dobro do que algum dia ganhei aí”, explica com a amargura pautada no tom do seu discurso.

Voltar a trabalhar na área da educação é difícil, “pois isso implicava dominar o catalã e o castelhano”. A dificultar ainda mais, estão os concursos de entrada no ensino, que se assemelham a Portugal, explicou. O sentimento de frustração é enorme e isso faz com quer já tenha procurado fazer mais formação na sua área. “Mas tudo o que gosto é necessário ir à universidade e não há nenhuma perto, as propinas não são propriamente baratas e acabo sempre por perder a ideia”, confessa.

Andreia foi-se mentalizando. Afinal, é um dos muitos casos de pessoas com elevada formação académica que, no mundo de trabalho, pouca diferenciação sente no seu país. “Atirei a toalha ao chão, deixei de remar contra a maré e tento não fazer disso algo assim tão importante para não cair em tristeza. Mas não é nada fácil. Faz tudo parte de um jogo mental para me manter saudável”, explica.

Além deste fator profissional, Andreia Nóbrega afirma que sente saudades “de quase tudo o que tinha em Paredes”. Nasceu, cresceu e amadureceu numa vila cheia de sol, em Cete, com poucos serviços comerciais mas bastante perto da cidade do Porto, Paredes e Penafiel. Gostava da tranquilidade que pautava os seus dias, das comidas saborosas, do calor da sua família e da musicalidade da natureza que circundava a sua habitação.

Quando partiu, Andreia afirma que estava “anestesiada”. Pensava que iria emigrar por pouco tempo, só até começar a endireitar as economias. Mas, na verdade, estava a construir a sua vida por lá. Aos poucos e poucos, este casal foi investindo em terras catalãs.

“O meu marido conseguiu trabalho na cidade, trouxemos a nossa filha, compramos apartamento. Aos poucos, estamos a fazer cá a nossa vida”, disse. Mas, ao mesmo tempo, o casal não consegue descurar a ideia de voltar à sua terra de origem: Paredes. Por isso, ao mesmo tempo, os blocos de tijolo vão assentando e construindo as bases da sua casa. Enquanto isso, é em Espanha que criam os pilares para um regresso saudável e feliz.

Andreia Nóbrega diz que já não faz planos para voltar. Deixou de agendar um data pois a falha da mesma só lhe acarretava sofrimento. Por isso, conta que vão aproveitando o dia-a-dia e pensando no que de bom há na Catalunha. “Temos de pensar que aqui temos coisas que aí não tínhamos, como boas acessibilidades e a possibilidade de nos movermos quase sempre a pé”. Mas enquanto descrevia o que gosta na cidade que acolheu a sua aventura de emigração, Andreia ia tocando nos pontos que menos gostava por lá: “Detesto sair à rua e ouvir tanto o catalã e tão pouco o português. Mas acima de tudo, o que menos gosto é a pouca harmonia entre a comunidade portuguesa”.

A rivalidade e inveja pauta a comunidade portuguesa, segundo Andreia, e isso deixa-a desconfortável e com mais vontade de regressar a Portugal. Mas são muitos os quilómetros até à sua terra. “Estou a três horas do aeroporto, acabo por ir de carro ou autocarro ver a minha família”, salientou.

Por isso, vai tentando colmatar as saudades com outras coisas: “Tento sempre falar com portugueses, procuro em Andorra (que estou ao lado) produtos portugueses, tento ir ao café e relaxar um pouco. Quanto à família, todos os dias falo com os meus pais pelo WhatsApp”.

Por agora, vão construir casa em Portugal. “Portanto, quero ir aproveitar essa futura casa e a convivência com os meus pais, que já se fazem crescidos”. 

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