José Vieira. O jovem de Marco de Canaveses que dá cartas no Portugal Fashion

José Vieira. O jovem de Marco de Canaveses que dá cartas no Portugal Fashion

É natural de Santo Isidoro e Livração e, desde que se lembra, gosta de moda. José Vieira tem apenas 19 anos e, pela segunda vez consecutiva, apresentou criações originais no Portugal Fashion, na categoria “Bloom”.

Com um percurso notável desde a sua entrada no mundo da moda, José Vieira frequentou a Escola de Moda do Porto, tendo sido um dos melhores alunos do seu ano. Após terminar o curso foi convidado para se apresentar, juntamente com a escola, no Portugal Fashion, em outubro do ano passado. Este ano foi convidado, a título individual, para apresentar os seus coordenados, criando desta forma a marca “ARIEIV”.

Na Escola de Moda do Porto sempre participou em vários concursos e, apenas no segundo mês enquanto aluno, foi o vencedor de um concurso em que toda a escola participou, garantindo que esta conquista “foi um impulso para continuar”. Classifica o seu último ano na escola como “uma fase negra”, uma vez que um problema de saúde o condicionou. “Todos diziam que não ia acabar o curso. No entanto acabei e fui o melhor do ano”, sublinhou.

Neste momento, e depois de terminar o curso, José Vieira vê a moda como um “hobbie”, pois afirma que ainda não consegue ter retorno. Considera que, a forma como interpreta a moda “é um risco”, mas um risco que assume correr. “Se é para as pessoas se lembrarem de mim que se lembrem daqui a um ano e não apenas dois dias depois”, sublinhou.

O jovem marcoense afirma que a roupa que produz é “exclusivamente para desfile, performance e espetáculo”, não para consumo. “É a minha identidade, é o que eu gosto de fazer”, rematou.

A coleção que apresentou em março no Portugal Fashion é, de acordo com o jovem artista, “um conjunto de criatividade” que foi feita durante um mês. “Não tive tempo de pensar se as pessoas iam gostar ou não. Sou eu que faço tudo, não peço ajuda a ninguém. É um investimento que estou a fazer que, a longo prazo, pode ou não dar muito dinheiro”, disse.

Com um patrocínio apenas, José Vieira garante que, se houvesse uma maior abertura por parte das empresas, “seria muito mais fácil”. O jovem confidenciou que já procurou patrocínios em várias empresas da região, no entanto a resposta é sempre negativa. “Só as empresas que conhecem o trabalho é que dão patrocínio. As que pedi nem analisam a situação”, recordando que, esta ajuda seria positiva para as empresas, uma vez que a marca “ARIEIV” também daria visibilidade a estes patrocínios.

Influência da mãe foi crucial para o futuro

José Vieira é filho de uma costureira. Desde que se lembra que vive no meio dos tecidos da mãe que sempre fez vestidos de noiva.

Quando questionado sobre a influência da mãe no seu percurso profissional, admite que “se não fosse ela provavelmente estava noutra área qualquer”. Neste momento, a mãe é um apoio a 100%, mas nem sempre foi assim. “No início foi um pouco difícil. Ela sabia o que era trabalhar na área e pensava que ia ser costureiro e que não ia ter trabalho. Mas agora já aceita melhor, já me apoia e já me ajuda”, afirmou.

Atualmente, José Vieira está “numa procura desenfreada por emprego”, uma vez que acabou o curso no ano passado e ainda não conseguiu arranjar trabalho. “Penso que as pessoas não me dão trabalho porque têm medo que eu tenha o emprego como um ‘passar tempo’ mas não é assim”, garantiu.

De acordo com o jovem, quando encontrar um emprego, será “muito mais fácil” conseguir criar as coleções. “Preciso de um trabalho. Não posso estar constantemente a depender de outras pessoas quando podia estar a depender só de mim”, recordando que, aquando da confeção das suas criações, “tem de ser tudo muito bem pensado para não haver desperdícios”.

Aposta na roupa sem género é a principal característica

As suas criações, desde o seu tempo de escola, têm a particularidade de não serem específicas para homens ou para mulheres. “Eu faço roupa, quem quiser veste, seja homem ou mulher”, apontou.

Na sua primeira apresentação no Portugal Fashion, José Vieira primou pela irreverência, com homens vestidos com sais de tule e mulheres de fato e com uma atitude masculina. Nesta segunda apresentação, e já a título individual, a inspiração foi o filme “Interstelar”.

“Criei o meu mundo a partir daquela estética. Nada do que estava escrito na minha memória descritiva foi retirado da internet. Fui eu que criei aquilo, que pensei e passei para a roupa. A minha coleção foi inspirada num banco de cinco embriões que foram enviados para o espaço e que não tinham género”, explicou.

Após a sua apresentação em março no Portugal Fashion, José Vieira mereceu destaque na Vogue Itália. “Foi o melhor ponto no meio disto tudo. O feedback deles foi incrível. Foi a melhor repercussão que podia ter tido, perceberam-me e deram-me valor”, sublinhou.

Agora os convites para apresentar as suas criações já são vários, com destaque para um filme na Holanda e uma capa da Vogue Portugal que, até ao momento, José Vieira ainda não tem conhecimento de quando vai acontecer.

“Sei que não tenho uma vida a longo prazo no Portugal Fashion, mas sei que estou a ser coerente comigo. Não estou a seguir a maré. Se não é a minha identidade qual é a necessidade de estar a fazer uma coisa que não tem nada a ver comigo?”.

Próxima coleção “já está a fervilhar”

Ainda mal terminou a apresentação no Portugal Fashion e já José Vieira está a pensar na próxima apresentação. “Quero apresentar e já tenho ideias”, acrescentando que a continuidade do seu percurso não está posta em causa.

“Quero muito continuar a apresentar-me no Portugal Fashion, porque foi uma porta que se abriu e eu não quero desistir na primeira oportunidade”, referiu.

Apesar desta paixão pela moda, o jovem marcoense admite que, o seu futuro, pode passar por uma área diferente. “Futuramente penso em tirar uma licenciatura na área de Design, Comunicação e Marketing. Não quero algo para trabalhar em moda, quero algo diferente, porque daqui a 10 anos não sei onde posso estar”, concluiu.

Com a vontade de mostrar novidade e criatividade, José Vieira integra a plataforma “Blomm” do Portugal Fashion e dá cartas em Portugal e no estrangeiro com a sua forma característica de olhar para a moda.

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