Pão de Ló aprovado por Rei D. Manuel II resiste na Confeitaria da Ponte em Amarante

Pão de Ló aprovado por Rei D. Manuel II resiste na Confeitaria da Ponte em Amarante

Em 1910, pouco antes da queda da monarquia, D. Manuel II foi recebido à entrada de Amarante pela doceira Ana Flores Andrade que lhe ofereceu um Pão de Ló. Ao provar tal doçaria, o Rei terá dito que em nada devia ao Pão de Ló de Margaride. Vinte anos depois, a mesma doceira fazia parte da Confeitaria da Ponte, que ainda hoje mantém a receita original do Pão de Ló.

A doçaria conventual é a marca deste espaço tão característico de Amarante e o Pão de Ló não fica para trás. São 20 caixas de 30 dúzias de ovos por dia nestas semanas da Páscoa. São centenas de encomendas que saem de Amarante para vários pontos do país. Na região do Tâmega e Sousa poucos lhe resistem, e Ricardo Ribeiro, atual proprietário do espaço, admite que “nestas alturas é difícil calcular o número de ovos, quilos de farinha e açúcar que utilizam para dar resposta a todas as encomendas”.

É que, na verdade, todas as saborosas receitas desta casa são feitas a partir destes três ingredientes. Os doces conventuais sobejamente conhecidos por terras de Amarante são confecionados diariamente nesta casa e há por isso uma equipa de pasteleiras que ajudam a que tudo saia na perfeição. A D. Alexandrina trabalha na confeitaria há 40 anos, a irmã Antónia há cinco e ambas são responsáveis por fazer soltar o “cheiro do forno” que faz com que os clientes que estão no piso superior “salivem pelos doces”, admitiu Ricardo Ribeiro.

Há ainda a mais recente funcionária que tem a árdua tarefa de nesta altura passar o dia a separar a clara da gema. “São litros e litros de claras que desperdiçamos diariamente. Os nossos doces são confecionados à base de gema”, avançou o gerente, que segundo as funcionárias “não ajudando muito à «massa» é fundamental para esta casa durar há tantos anos e não acabar com as tradições”, confirmaram.

Ricardo Ribeiro pegou neste negócio há nove anos, ficando com o projeto que o padrinho José Pinheiro Ribeiro tinha desde 1974. “Não tinha nada que ver com a minha área profissional, gestor de recursos humanos, mas como queria mudar de vida achei que poderia passar por aqui”, disse, acrescentando que na altura tinha dado um prazo de dez anos para estar neste negócio. Agora próximo do limite imposto, percebe-se que o negócio está para continuar. “Gosto muito desta casa, embora me assuste o facto de cada vez mais ser difícil encontrar pessoas que queiram trabalhar desta forma tradicional. Temo que daqui a 20 anos seja impossível ter alguém a dar continuidade”, admitiu o jovem gerente.

Se na Páscoa o Pão de Ló é Rei, mais certo é falar nas amêndoas, rainhas da época. E na Confeitaria da Ponte encontram-se de todas as formas e sabores. Das mais simples às mais requintadas, Ricardo Ribeiro confia em duas grandes marcas internacionais italianas que conferem um selo de qualidade. Amêndoas e chocolates. Os coelhos da Páscoa são imperativos nesta altura e os ovos achocolatados. Pequenos, médios e grandes.

Quantidade, variedade e qualidade são garantidas nos produtos disponibilizados neste espaço de Amarante à beira rio plantado.

 

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