Moçambique: O retrato de um emigrante de Marco de Canaveses afetado pelo ciclone

Moçambique: O retrato de um emigrante de Marco de Canaveses afetado pelo ciclone

Fotografia: UNICEF

Sérgio Freitas é natural de Marco de Canaveses e emigrou para Moçambique com o objetivo de melhorar a sua vida. Tudo corria bem até que o ciclone Idai afetou o país e deixou um rasto de destruição tal que já morreram 518 pessoas e muitas continuam desalojadas. Perante esta situação, o marcoense não baixou os braços e está a tentar angariar bens para ajudar a população afetada.

Natural de Várzea, Aliviada e Folhada, no concelho de Marco de Canaveses, Sérgio Freitas está em Moçambique desde 2012.“Sou empresário da construção civil, vim para cá com o meu pai, para trabalhar”, contou ao Jornal A VERDADE.

Sérgio Freitas descreveu o cenário que ainda permanece em Moçambique cerca de três semanas após o ciclone, que assolou a 14 de março. Sérgio Freitas tem passado os seus dias a prestar auxílio em Moçambique, tendo em conta que apenas o seu estaleiro ficou destruído.

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“As ruas já estão a começar a ficar limpar, a energia a pouco e pouco chega”, explicou. Mas o pior de tudo é a falta de água, condição básica de sobrevivência humana. “Há muito medo de beber a água” pois pode estar contaminada com epidemias. Produtos alimentares já não escasseiam e  têm chegado através de ajudas de outros países. Sérgio Freitas afirma que a ajuda vinda dos portugueses tem sido “muito importante” e que se vê muitos militares “espalhados em equipas”.

Neste momento, o marcoense está a fazer listas de materiais necessários para que, juntamente com a ajuda da população, consigam colmatar as maior debilidades e fragilidades que ameaçam a vida de muitos em Moçambique. Até porque, afirmou, os empregados a quem Sérgio Freitas dava trabalho com a sua empresa “sofreram muito” com o ciclone.

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“Eu estou a tentar ter a ajuda do povo do Marco de Canaveses para trazer donativos para eles, gostaria muito de realizar esse sonho”, explicou. No dia 11 de abril, Sérgio Freitas espera regressar ao Marco e conseguir reunir com a presidente da câmara, Cristina Vieira, para que, juntos, delineiem o que é possível fazer.

A intenção deste marcoense é ajudar diretamente quem conhece, isto porque, afirma, “muitos donativos não chegam às pessoas certas”. No entanto, salienta que sozinho não tem capacidade para ajudar todos quanto gostaria.

A população moçambicana “está agora a pensar entrar na fase de fazer novas casas, até porque as que foram destruídas pelo ciclone eram feitas de estacas e matope (terra espécie de barro)”, explicou, evidenciando a necessidade de construir-se casas mais resistentes a este tipo de catástrofes naturais.

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Sérgio Freitas afirma que as epidemias são mais uma das preocupações, mas que o povo tem-se “tentado proteger através da sua higiene e de tratamento de águas, evitar comer verduras, assim como impedir que as crianças saiam muito de casa”. Ainda assim, começam a surgir os primeiros casos de cólera.

Sérgio Freitas é presidente do Rotary Club de Dondo e apela à ajuda de todos. “Toda a ajuda é bem-vinda, desde roupa, calçado, medicação. As pessoas daqui precisam muito e agradecem”, realçou.

Quem quiser ajudar pode entrar em contacto com Sérgio Freitas, através dos números 00258868342278 e 00258848342278, ou do e-mail [email protected]

Recorde-se que os CTT – Correios de Portugal estão a organizar uma ação de recolha em todos os postos do país, a partir desta segunda-feira, dia 25 de março, que serão enviados para Moçambique.

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