De Boa Saúde: SEM PÉ(NI)S NEM CABEÇA

De Boa Saúde: SEM PÉ(NI)S NEM CABEÇA

Diz o ditado que “abril, ora chora ora ri”. Aproveitando este mote – e pegando num tema que, em boa verdade, dificilmente dá para rir – escrevo-lhe este mês sobre disfunção erétil. Mas se pensa, porventura, que este é um tema só para homens, desengane-se, porque essa ideia não tem pé(ni)s nem cabeça!

DO QUE FALAMOS?

Disfunção erétil é a incapacidade persistente de o homem obter uma ereção que tenha rigidez suficiente para lhe permitir uma atividade sexual satisfatória. Ora, como se percebe, a própria definição já deixa adivinhar o forte impacto que esta situação clínica tem na qualidade de vida do homem e da sua parceira ou parceiro sexual, por isso, é fundamental que a percebamos.

NEM SÓ DE STRESS VIVE O HOMEM

Desde alterações neurológicas até variações anatómicas, passando por medicamentos ou transtornos hormonais, são múltiplas as possíveis causas da disfunção erétil. No entanto, é a componente psicológica (ansiedade e/ou depressão) que explica a maioria dos casos.

O que se calhar não sabe é que esta condição clínica pode ser a primeira manifestação de uma doença cardiovascular! Isso mesmo: as primeiras artérias a sinalizarem que algo não está bem podem mesmo ser as do pénis, uma vez que são periféricas e, por isso, têm menor dimensão, sendo mais facilmente afetadas pela deposição de gordura no seu interior. Indivíduos com obesidade, diabetes, mau colesterol elevado, hipertensão arterial ou hábitos tabágicos têm maior risco, no entanto, a disfunção também pode ocorrer em homens sem estes fatores identificados.

FAÇA MAIS POR SI

Muitas vezes, por receio ou vergonha de falar sobre este assunto, o homem acaba por protelar a conversa com um profissional de saúde habilitado para o ajudar. Mas não deve fazê-lo. Em primeiro lugar, porque é essencial que devolva à sua vida a qualidade que ela merece; depois, porque é importante que seja devidamente questionado e avaliado, de forma a que se perceba o real impacto e contexto desta condição.

O passo inicial desta avaliação cursa com uma tentativa de identificar possíveis fatores reversíveis que estejam na génese da disfunção. Após ser escrutinada a história clínica, se a causa for identificada, a abordagem terapêutica passa, claro, pelo tratamento desta. Uma outra vertente importante é a modificação de estilos de vida (alimentação, atividade física, cessação tabágica), de forma a diminuir alguns dos fatores de risco de que já lhe falei e que, por muito estranho que lhe pareça, aumentam comprovadamente a probabilidade de disfunção erétil.

Por fim, saiba que existem diversas possibilidades terapêuticas, sempre devidamente individualizadas, e que podem ajudar nestas situações: fármacos orais, tópicos ou injetáveis, cirurgia para colocação de implante peniano e/ou terapia sexual.

Neste mês da revolução pela liberdade, combata o receio de falar sobre este assunto e, acima de tudo, a vergonha de pedir ajuda. Seja mais livre e, consequentemente, mais feliz, porque a felicidade é essencial para que estejamos de boa saúde. Até maio!

 

 

Dr. Francisco Santos Coelho

Médico Interno de Medicina Geral e Familiar

A Verdade
ADMINISTRATOR
PERFIL
banner-felgueiras-600x229

Deixar um comentário

O seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios marcados com um *

Cancelar resposta

Apoie o jornalismo de qualidade.
Faça uma doação para este projeto.