Novo comandante quer levar os Bombeiros Voluntários de Penafiel “para outro nível”

Novo comandante quer levar os Bombeiros Voluntários de Penafiel “para outro nível”

Os Bombeiros Voluntários de Penafiel têm um novo comandante: Alexandre Alves. A cerimónia da tomada de posse decorreu no passado domingo, dia 17 de março, no quartel da corporação.

Alexandre Alves já comanda a corporação – à qual se juntou há 26 anos – desde julho do ano passado, passando agora a executar funções a título oficial.

Natural de Macieira da Lixa, em Felgueiras, onde fez a escola primária, o comandante cumpriu todo o percurso escolar atá ao 12º no Colégio de S. Gonçalo, em Amarante. Aos 16 anos, juntou-se aos pais em Penafiel e de lá não voltou a sair, enveredando por uma carreira em crescendo na área do socorro e proteção civil.

Tendo passado tantos anos em Penafiel, Alexandre Alves dá-nos conta da “ligação especial” que criou com a cidade, ligação essa que não é insólita no seio familiar. “O meu pai, apesar de também ser natural da Lixa, passou quase a vida toda em Penafiel. Quanto a mim, já estou cá há 20 anos e estou bem”, afirmou.

Foi ali que, em 1991, começou a trabalhar no Centro de Coordenação Operacional de Penafiel, situado nas instalações do quartel dos bombeiros voluntários que, décadas volvidas, viria a comandar. Alexandre relata a experiência passada num projeto que ainda dava os primeiros passos. “Quando comecei no Centro de Coordenação Operacional, era uma coisa nova e sempre tive aptidão para mexer em coisas novas, que não estão desenvolvidas”, referiu.

No entanto, apesar do gosto pela posição nos bastidores, não tardou a manifestar o desejo de entrar em ação fora de portas. “Quando entramos numa coisa, é com uma atitude de descoberta. Quis perceber o que era estar do outro lado, no campo de intervenção”,admitiu.

Foi assim que, em 1997, aos 26 anos, ingressou na corporação dos Bombeiros Voluntários de Penafiel como estagiário. Dois anos depois, foi promovido a bombeiro de 3ª e, mais tarde, a bombeiro de 2ª.

A competência demonstrada fez com que, há 10 anos, Alexandre Alves tivesse sido convidado pelo comandante de então, António Rodrigues, para assumir funções como adjunto de comando. O convite foi aceite e o operacional permaneceu nesse posto até ao ano passado, altura em que, por ter atingido o limite de idade, António Rodrigues teve de se afastar do cargo que exercia há mais de uma década.

Com a vaga em aberto, a direção tinha em cima da mesa os nomes dos dois adjuntos de comando para substituir o veterano comandante. De uma conversa entre ambos, ficou decidido que seria Alexandre Alves a assumir a batuta, ficando José Silva como segundo comandante.

Como é natural, o homem natural de Macieira da Lixa, mostrou-se orgulhoso pela nomeação, que foi bem aceite por todo o quartel. “É um orgulho e o reconhecer do trabalho que fiz para trás. Não tem havido contestação nenhuma à minha entrada e isso merece reconhecimento” afirmou com satisfação.

Apesar de só agora o fazer a título oficial, Alexandre já assumiu a liderança da corporação no verão passado, o que lhe permite agora adaptar-se mais facilmente à função. “O serviço já estava a ser feito e muitas das minhas ideias já estavam em prática. Agora, posso implementá-las e levar o corpo de bombeiros para outro nível”, referiu.

Nesse sentido, o novo comandante indicou quais os principais desafios para esta nova etapa. “O principal desafio é a formação dos homens. Temos de apostar na formação, porque há sempre aspetos novos a aparecer. A seguir, vem a manutenção dos meios, onde vamos tentar adquirir um novo veículo de desencarceramento”, anunciou.

A carreira de bombeiro já vai longa e foram inúmeros os episódios vividos. No entanto, nenhum marcou tanto Alexandre como o acidente rodoviário na variante de Cavalum, em Penafiel, que vitimou sete jovens no ano de 2009. “Para já, graças a Deus, não tive momento difíceis, mas o momento mais marcante foi ter sido dos primeiros a chegar ao despiste da variante de Cavalum. Isso deixou-me marcas”, confessou.

São muitas as valências do comandante enquanto soldado da paz e o reconhecimento por parte da corporação é geral. Porém, Alexandre Alves não tem dúvidas ao apontar o seu principal defeito: “sou muito distraído”. “Às vezes, levo a comida para o quartel e, por distração, deito-a ao lixo sem querer”,contou bem-disposto.

Pai de quatro filhos e casado com uma bombeira da mesma corporação, Alexandre Alves afirma que é a esposa quem “apaga” os fogos lá de casa. “A minha esposa só é bombeira há meia dúzia de meses e a maior parte dos problemas são resolvidos por ela. Estamos em sintonia, mas, lá em casa, ela é que decide”, revelou.

Com os dois membros de casal a braços com uma profissão em que têm de estar disponíveis 24 horas por dia, conciliar a vida pessoal com a profissional pode revelar-se um desafio difícil. Contudo, Alexandre Alves vê as coisas de outra perspetiva. “Quando os bombeiros me dizem que têm pouco tempo, costumo responder que quero é que tenham algum tempo. Temos de saber que temos de dar algo aos bombeiros, mas para tudo há um limite. Todos têm tempo para estar em casa – como eu tenho – e esse aspeto tem de ser bem gerido, porque a família é muito importante”, sentenciou.

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