Venha conhecer os segredos por detrás dos citrinos da Pala

Venha conhecer os segredos por detrás dos citrinos da Pala

São diversos os produtos pelos quais Baião é conhecido: a cozinha típica, o fumeiro, os vinhos verdes, o doce da Teixeira, as bengalas de Gestaçô, entre outros. No entanto, poucos conferem tanta fama ao concelho como os citrinos produzidos na aldeia da Pala, situada na freguesia de Ribadouro.

Naquela freguesia, onde o Douro desliza sobre as margens repletas de cores, sobressai, por entre as casas deslumbrantes e os imponentes pinheiros-mansos, o manto verde das folhagens das laranjeiras, salpicado de tons laranja quando o fruto amadurece. Na primavera, estas árvores cobrem-se de flores de uma cor branca digna da neve que ali não chega, cujo perfume se derrama pela encosta íngreme até ao rio.

Graças a um conjunto de fatores que serão esmiuçados mais à frente, a região de Ribadouro é rica em produção de citrinos, sendo este o único produto que permite ter uma produção durante 10 a 12 meses por ano.

Destes, o limão tem vindo a ganhar destaque, desviando algum protagonismo da rainha laranja. Porém, convém não esquecer que foi devido a ela que, durante muitos anos, o apeadeiro da Pala e a estação de Mosteirô significaram paragem obrigatória para comerciantes e particulares em busca do afamado fruto, que, assim, enriqueceu muita gente da terra.

Disso mesmo nos dá conta José Miguel Caeiro, engenheiro responsável pela produção da Casa da Torre, que indica as razões pela qual a laranja da Pala é tão singular. “Classicamente, a laranja é um fruto de inverno – quando chega a março, começa a secar. A da Pala, não: conserva-se naturalmente na planta nos quatro/cinco meses a seguir e, portanto, matura sem que tenhamos de fazer nada até agosto”, explicou.

Relativamente às caraterísticas do fruto que ali se produz,  José Miguel Caeiro acrescentou ainda: “é uma laranja completamente distinta das outras, tem um tamanho diferente – é mais pequena – e tem uma concentração de sumo maior”.

Mas, afinal, por que razão a região da Pala é tão favorável à produção de citrinos? João Saramago, administrador da Quinta do Miradouro, dá a explicação. “Aqui, toda a região tem condições edafoclimáticas bastante vantajosas para a produção de citrinos: solos franco-arenosos e franco-argilosos, temperatura média ótima, o abrigo contra geadas e ventos e boa humidade durante todo o ano”, revelou.

Com oito trabalhadores a full-time e mais uns tantos em períodos específicos da produção, a Quinta do Miradouro produziu 160 toneladas de limões em 2018 e planeia crescer até às 450 num futuro próximo. Por isso mesmo, João diz ter um “potencial de crescimento enorme”, crescimento esse que contribuirá para o “impacto colossal” que a produção de citrinos tem para a economia local.

Se os produtores, naturalmente, sabem do que falam, os vendedores não lhes ficam nada atrás. É o caso de Ana Pinto, dona de uma frutaria em Campelo, Baião, que assegura que não lhe faltam clientes que “perguntam pela laranja da Pala”.

E estará a qualidade deste fruto à altura da fama que, indubitavelmente, tem? A comerciante não tem dúvidas e até a compara com exemplares de outras regiões. “É uma laranja muito boa e saborosa, sem dúvida! É das melhores em termos da relação qualidade-preço. É mais barata do que a laranja do Algarve e do que a espanhola, que não vale nada”, refere, entre risos.

 

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