De Bagagem pelo Mundo: Saiu de Lousada sozinho para criar filho de dois anos

De Bagagem pelo Mundo: Saiu de Lousada sozinho para criar filho de dois anos

Em 2009, Rui Teixeira fez as malas. Não foi movido pela curiosidade cultural, muito menos iria passar umas férias. Foi antes mergulhar naquela que seria a viagem de partida e que, passado 10 anos, nunca mais teve o regresso definitivo.

A vida pregou-lhe partidas. Teve uma infância feliz em Lousada, cidade que o viu nascer e crescer. Por lá aprendeu a escrever e a ler. Subiu a montes com sua bicicleta que tanto gostava e jogou à bola na terra molhada de Lousada. O verde das paisagens da sua terra continuam a permanecerem cintilantes na sua mente e não hesita a recomendar Lousada a quem pergunta o que de bom tem o Tâmega e Sousa.

A comida da mãe deixa saudades, mas 10 anos fazem parecer o dobro e aumentar em triplo quando se fala da mãe, do pai e dos amigos. A Bélgica foi o país que o acolheu mas também aquele pelo qual não demonstra grande paixão. Nos primeiros tempos foi o local onde chorou a ausência da mulher e do seu filho. O que lhe valia é que 10 horas do seu dia eram ocupadas a trabalhar, cenário que ainda se mantém idêntico.

A comida da mãe deixa saudades, mas 10 anos fazem parecer o dobro e aumentar em triplo quando se fala da mãe, do pai e dos amigos. A Bélgica foi o país que o acolheu mas também aquele pelo qual não demonstra grande paixão. Nos primeiros tempos foi o local onde chorou a ausência da mulher e do seu filho. O que lhe valia é que 10 horas do seu dia eram ocupadas a trabalhar, cenário que ainda se mantém idêntico.

Enquanto esteve emigrado em Espanha, Rui Teixeira não se considerou emigrante. Vinha todos os fins-de-semana a casa e isso era a realidade de muitos portugueses dentro do seu próprio país. Mas em Bruxelas foi diferente. Vir a Portugal duas vezes por ano mal dava para apaziguar as saudades que tinha de Lousada, do seu povo e da sua família.

Mas o facto de não haver trabalho na sua área- construção civil- fez com que não tivesse outra alternativa. Com um filho de dois anos para criar ficar sem trabalho não era uma opção. Embora admita que o custo de vida em Bruxelas seja elevado, o certo é que os salários são consideravelmente altos.

Em 2012, o custo de vida tornou-se maior mas por uma boa causa. Os seus dois filhos e a sua mulher  foram viver com o Rui pois as saudades tornaram-se insuportáveis. Assim, como a consciência de que Rui estaria a perder os primeiros passos, as primeiras palavras dos seus filhos foram uma agravante. Ouvir “Adoro-te” pelas ferramentas de comunicação deixou de ser viável. Mais duas malas se puseram a caminho e três vidas mudaram.

“Foi o dia em que começamos a viver em vez de sobreviver”, disse.

Ainda assim, a vida não mudou tanto como considerava.“Saio de casa as 5h30 e entro as 19 horas. Trabalho debaixo de condições atmosféricas péssimas num país com duas línguas diferentes faladas”, explicou.

Neste “corre correu” de vida em que vive, Rui ainda tira tempo para brincar com os filhos e amar a sua mulher.  Voltar à tranquilidade de Lousada em definitivo não sabe para quando mas espera em julho sentir todos os cheiros, gostos e abraços de que tem saudades por terras portuguesas

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