Especial Mulher: Cristina Vieira defende que “a política é um instrumento para ajudar a comunidade”

Especial Mulher: Cristina Vieira defende que “a política é um instrumento para ajudar a comunidade”

De menina que não se adaptou a Lisboa pela falta de afetos à liderança do município de Marco de Canaveses, o percurso ascendente de Cristina Vieira.

Nascida e criada na freguesia de Soalhães em Marco de Canaveses, Cristina Vieira afetuosa, de sorriso fácil e de abraço repentino, optou por se formar em sociologia, sabendo cedo que queria contribuir para o desenvolvimento das comunidades, nomeadamente na sua terra. E assim foi. Cinco anos em Coimbra, depois de estar um ano a subir notas e a trabalhar na Sonae. Trabalho que até hoje lembra e que a ajudou a lidar com pessoas.

Coimbra foi, também, a sua escola política. Foi lá que se fez militante do Partido Socialista, partido que considera representar os seus ideais, com “justiça social e igualitária”, começou por dizer a presidente da Câmara Municipal de Marco de Canaveses que recebeu dos professores “a maior influência para estar na política. Os professores davam as aulas exemplificando com a política atual. Era inevitável não me envolver”. E a partir daí toda a sua vida foi feita numa dualidade profissional e política.

O primeiro emprego surgiu ainda durante o estágio profissional pela Segurança Social e Instituto do Emprego e Formação Profissional. Foi convidada a ocupar o lugar da coordenadora do Centro Social de Santa Cruz do Douro, em Baião, que tinha de se ausentar. E foram 11 anos de dedicação à instituição, num trabalho próximo, de cuidado com os mais frágeis, no caso os seniores.

Nesse período foi bebendo das influências profissionais e quis contribuir para a terra que a viu crescer. Foi a par da sua atividade profissional que reuniu com o professor Alfredo Orlandino Moura e juntos foram construindo o que hoje conhecemos por Centro Social S. Martinho de Soalhães. No fundo, Cristina Vieira queria contribuir com o seu conhecimento e trabalho para o desenvolvimento da terra.

Percebeu, também, que a política era “um instrumento para ajudar a comunidade” e por isso em 2001, concorreu à junta de freguesia de Soalhães. Não venceu, mas ficou na oposição quatro anos. Em 2005 não deu margem aos adversários e esteve na liderança da freguesia 12 anos.

“Muitas pessoas dizem-me que sou a mesma. Quer quando estava como presidente de Junta de Freguesia como agora que sou presidente de Câmara. Sei que devia distanciar mais, mas nem sempre consigo”, disse Cristina Vieira que em 2017 fez história vencendo as eleições, tornando-se a primeira mulher a presidir o concelho de Marco de Canaveses.

E se de mulheres falamos, a presidente garantiu “as primeiras pessoas a criticar o meu trabalho, não tenho dúvida, vão ser as mulheres. Infelizmente nós somos assim, muito críticas e exigentes com o mesmo género. Os homens são mais solidários entre eles”. Cristina Vieira também é da opinião que senão houvesse lei da paridade não havia tantas mulheres na política. “Durante muitos anos os homens tiveram a soberania na política e é difícil agora aceitarem que as mulheres também podem liderar”. No seu executivo não é a única mulher, mas sabe que causa algum constrangimento aos homens que tem de liderar.

Conhecida por ser dura e exigente, a verdade é que se define como uma mulher sensível e dócil. “Eu sei que as pessoas têm uma ideia sobre mim um pouco distorcida. Não sou tão dura assim, sou muito exigente comigo e por consequência com os outros. Não gosto de falhar e muito menos que falhem em consciência”, adiantou a mulher que sempre lutou pela sua autonomia.

Solteira, independente e bonita. Três caraterísticas que os amigos consideram “um problema para os homens” e que Cristina Vieira, sorridente, disse ser um exagero natural dos amigos. “Eles dizem mais que eu tenho uma check list difícil de corresponder”, avançou. Segura de si mesma, conservadora nos sentimentos, percebe que o facto de ser figura pública pode prejudicar um possível relacionamento. “Ser namorado da presidente pode assustar”, disse concluindo que é uma parte da sua vida que tenta preservar ao máximo e que sabe que é dos temas que mais curiosidade causa às pessoas que a rodeiam. “Ainda há olhares constrangedores com mulheres que decidem viver sozinhas e independentes”.

Ser mãe é algo que já pensou mais, atualmente está focada nas suas funções enquanto presidente e não tem dificuldade em adiar mais um pouco, apesar de ser notória a sua cumplicidade com as crianças. “Adoro sentar-me ao lado delas e descobrir o mundo. É que fazer perguntas às crianças é esperar toda uma “catástrofe” como resposta”, afirmou.

Adora pessoas bem-dispostas à sua volta e não dispensa boas gargalhadas. “Por vezes têm de me chamar à atenção porque esqueço a função de presidente e sou naturalmente a Cristina que se deixa levar pelas pessoas”, terminou.

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