Especial Mulher: Beatriz Meireles transitou da Advocacia para a Política

Especial Mulher: Beatriz Meireles transitou da Advocacia para a Política

A doçura de quem vê Paredes pelos olhos apaixonados do Pai. Beatriz Meireles, hoje vereadora na Câmara Municipal, assume-se uma apaixonada pela terra pela clara influência do amor que a sua maior referência tem pela terra. “A menina dos olhos do Pai. É assim que todos me caracterizam e muito me orgulha. Sou claramente o reflexo de toda a influência que bebi do meu pai ao longo da vida”, disse o mais jovem elemento do executivo de Paredes.

Para Beatriz Meireles a condição mulher desde muito cedo teve impacto na sua vida. É que ser advogada num mundo onde os “maiores e melhores advogados do país são homens, sente-se e muito a diferença”, explicou a jovem que venceu três casos a um “advogado consagrado” que no final assumiu a ter “menosprezado” por ser jovem e mulher.

E na política não foi diferente. Aliás, adiantou “sempre fui contra as cotas para as mulheres, no entanto, hoje reconheço que sem a lei as mulheres não tinham a mesma participação”. Beatriz Meireles é muitas vezes acusada de estar na política por causa do Pai. E não é mentira, o que não pode ser assumido é o percurso que faz após a entrada na política pelas mãos do pai. “Desde jovem que acompanhei o meu pai no associativismo e até na política. É inevitável conhecer tudo pelos olhos do meu pai, mas o caminho percorrido por mim é à minha responsabilidade”, prosseguiu, mostrando-se desiludida por não haver um reconhecimento pelo trabalho apresentado em prol de um rótulo pouco justo.

E ser mulher, segundo Beatriz Meireles, é passar por todas estas provações. “Uma mulher tem de trabalhar muito mais para ser reconhecida. Ser bonita, ser jovem chega a ser prejudicial”, disse a vereadora que de entre uma equipa de cinco pessoas, quatro são homens. Todavia, garantiu que “evito lembrar os colegas que sou mãe, que sou mulher porque isso seria pior. Estaria a lembrar como se fosse uma condicionante, e não é”. Isto porque Beatriz Meireles a par da vida profissional mantém saudável uma vida a dois, ou a três, desde que o Bernardo chegou.

“É tudo uma questão de gestão de tempo e claro de ajuda dos meus. A minha mãe, a ama e o meu marido são as pessoas que mais ajudam na organização do dia a dia”. De segunda a sexta-feira consegue ter uma vida “normal”, com entrada no trabalho a horas que permite deixar o filho com a ama e sair a horas passíveis de ir buscar o Bernardo e tratar dele e da casa. Ao fim de semana “conto com o meu marido que está mais livre e ele trata do menino tanto ou melhor que eu”, arrogou.

E nesta gestão de tempo também afiançou que “não me anulo e não deixo de tratar de mim. Sempre o fiz e continuo a fazer”. Gosta de estar rodeada de pessoas felizes e bem-dispostas e considera que quando se trata de mulheres “estarem bonitas e arranjadas contribuiu para uma maior autoestima e consequentemente mais produtividade”.

Quem a conhece sabe que não mudou rotinas por deixar de exercer a advocacia para estar na política. Aliás, a advocacia ou a diplomacia que tanto usava nas suas funções profissionais transportou-as para as suas relações institucionais. “Gerir pessoas não é fácil, com o uso à diplomacia torna-se mais agradável e o ambiente de trabalho mais feliz”, findou Beatriz Meireles.

Uma mulher criativa que gosta de “absorver” o que os outros têm para lhe dar. “Apesar de ser criativa, de ter mil ideias por dia, tenho a plena noção que não perco oportunidades. Sempre que alguém dá uma ideia eu agarro e desenvolvo”, disse convicta que “o melhor da política é poder ouvir os outros e juntos fazermos mais e melhor”.

E é sempre em equipa que se vê a trabalhar. Por vezes, não teria de fazer certos trabalhos, no entanto, garantiu que “exijo dando o exemplo”. Fazer será o verbo que melhor define a sua vereação. “Fazer com doçura” talvez a mais acertada definição. Beatriz Meireles é no trabalho como na vida: doce. Embora saiba que a vida é poucas vezes colorida, não deixa de dar cor a tudo que se propõe fazer. “Acredito até à última nas pessoas. Depois desiludo-me, mas nunca me zango”, concluiu a jovem que tem dado cartaz na cultura, na área social e turística do concelho de Paredes e que tem como sonho mais lato “fazer o bem e dar o meu melhor, sempre”.

Com uma visão romântica da vida, Beatriz Meireles não se fica pela política. A escrita surge pelo gosto pelo jornalismo e a vontade que um dia teve de tirar um curso na CENJOR. Como “menina de afetos” não se habituou à vida desprendida de Lisboa e alimenta o gosto pela escrita através dos seus livros. Um já está editado, outros serão futuramente. “Apesar de ter muito menos tempo agora, não deixo de escrever. Outras novelas e romances vão surgir”, garantiu.

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