Especial Mulher: Ó mulher! Como é fraca e como és forte! – Opinião de Lucrécia Costa

Especial Mulher: Ó mulher! Como é fraca e como és forte! – Opinião de Lucrécia Costa

Ó mulher! Como é fraca e como és forte!

A Mulher, Florbela Espanca

 

As mulheres no Direito! Nos dias de hoje pode parecer que sempre houve mulheres a exercer a advocacia e na magistratura mas nem sempre assim foi!

Na verdade, a primeira mulher a exercer a advocacia em Portugal e na Península Ibérica foi uma transmontana, natural de Bragança, Regina da Glória Pinto de Magalhães Quintanilha de Sousa Vasconcelos, nascida no ano de 1893, e que terminou o curso de Direito, na Faculdade de Direito, na Universidade de Coimbra, em 1913, numa época em que o exercício da advocacia estava vedado às mulheres.

Em Portugal, só no ano em 1918 o Decreto nº 4676, de 19 de julho, consagrou a abertura da advocacia às mulheres.

Desde então muita coisa mudou na sociedade e hoje são mais as mulheres advogadas do que os homens, número que tem vindo sistematicamente a aumentar desde os anos 90 do século passado.

Eu exerço a advocacia em prática individual há 21 anos, tendo-me formado, tal como a primeira advogada portuguesa, na faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, faz este ano 25 anos. Desde então, tive de frequentar a formação na Ordem dos Advogados, efetuar estágio e abrir o meu escritório.

E é fácil ser-se advogada num mundo em que os homens ainda ocupam os cargos mais relevantes e decisivos ao nível do poder? Não, não é!

A advocacia é uma profissão liberal que se traduz na defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, na luta pela boa aplicação das leis, pela boa e rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e instituições jurídicas, estando a atividade reconhecida na Constituição da República Portuguesa como vetor fundamental da administração da justiça e da realização do Estado de Direito.

É por isso, uma profissão de elevada responsabilidade, exigindo grande dedicação, muito estudo e formação permanente, de grande desgaste psicológico.

O dia a dia de uma advogada, sendo igual ao de todas as outras mulheres, que têm de ser mães, esposas, companheiras, donas de casa, passa ainda por dedicar muitas horas ao estudo, à preparação dos processos,  a atender os clientes, em deslocações para os mais variados locais para julgamentos ou outras diligências judiciais, ao mesmo tempo que se é confidente e quase psicóloga.

Ser advogada e mulher é chegar ao fim do dia e levar para casa os problemas: aquela vítima de violência doméstica, aquela criança que vive o divórcio dos pais ou que é vítima de maus tratos pela família, aquele que foi privado da sua propriedade ou vítima de crime, etc. etc. É viver com a constante pressão de tentar alcançar o melhor resultado e não deixar de cumprir os prazos.

Ser advogada é fácil? Não, não é!

Apesar de toda a dedicação que a profissão exige não deixo de ser mulher, mãe e filha, tendo de prestar o necessário apoio que nos é exigido quer pelos filhos, quer pelos pais, que, com o avançar da idade, vão dependendo cada vez mais de nós, e arranjar um tempo para dedicar a mim mesma, ao meu bem estar físico e psicológico.

Num mundo onde as mulheres ainda são mal tratadas, vítimas de abusos, consideradas por muitos seres inferiores, ser mulher, advogada, é uma honra, é um privilégio porque sei que estou a contribuir para um mundo mais igualitário, com mais justiça!

Estou certa que as mulheres trabalhadoras, empreendedoras, profissionais liberais, empresárias, se revêm nas minhas palavras, por enfrentarem o mesmo dia a dia, sem deixarem, no entanto, de sentirem um imenso orgulho naquilo que fazem e em serem, acima de tudo, mulheres!

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