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Homenagem a vítimas da tragédia de Entre-os-Rios marcada pelo silêncio e palavras de esperança

“Todos nós vamos partir. Quando, como e onde é que não sabemos, mas aproveitemos que estamos vivos para prestar uma sentida homenagem a quem partiu, não tenhamos medo, talvez a vida eterna seja ainda melhor”. Estas foram as primeiras palavras proferidas naquela que foi a homenagem dos 18 anos da queda da ponte Hintze Ribeiro.

Acender uma vela, colocar uma flor ou simplesmente admirar da fotografia do ente-querido que está fixada no pilar central do monumento Anjo de Portugal. Neste, há uma carga simbólica que muitos desconhecem: “Este pilar que tem os rostos das vidas que desta queda faleceram tem umas escadas. Escadas essas que ligam às águas do rio onde morreram, mas que ligam ao céu na esperança que estejam lá a olhar para nós”. Esta foi a explicação que Paulo Ramalheira Teixeira, que foi presidente da câmara municipal de Castelo de Paiva a 4 de março de 2001, fez questão de dar a todos os presentes.

A olhar para o céu estiveram muitos pais que perderam os seus filhos, muitos filhos que perderam os seus pais. Após 18 anos, continuam a não deixar passar a data em branco – pelo menos muitos deles. As flores brancas, um símbolo de paz, foram atiradas às águas revoltas do rio ao som das lágrimas que escorreram pelos seus rostos de muitos dos que tiveram este gesto e batiam no ferro que reveste a ponte que se reergueu anos mais tarde.

Mas esta data é também símbolo da amizade e de respeito por quem foi e por quem fica. Entre abraços e palavras declamadas nas cerimónias desta tarde de segunda-feira, a palavra “esperança” serviu de mote para lembrar os que ainda estão vivos.

“Nada apaga a memória de quem foi e hoje é prova disso, mas o povo paivense tem a resiliência necessária para superar os obstáculos e juntos seremos capazes de seguir em frente, guardando no nosso coração quem partiu”, proferiu Gonçalo Rocha, atual presidente da câmara.

Também a Associação dos Familiares das Vítimas de Entre-os-Rios fez questão de mostrar a compaixão por aqueles que ainda hoje têm a dor de quem viu partir, mostrando-se disponíveis para ajudar a ultrapassar os sentimentos negativos e a alcançar a normalidade das suas vidas. “Temos gabinetes de apoio psicológico que são gratuitos, são vossos, por isso sempre que sintam necessidade sabem que podem contar connosco”, referiu Augusto Moreira, que também viu os seus pais falecerem nesta tragédia.

A sua filha, que ainda estava na barriga da esposa de Augusto Moreira aquando da queda da ponte, fez questão de dizer algumas palavras endereçadas aos seus avós e àqueles que, como eles, faleceram nesta tragédia.

“Hoje lembramos o acontecimento que foi, é e será sempre parte da nossa história. Neste dia mais uma vez a saudade nos visita e o vazio da saudade aumenta. E porque recordar é viver, recordemos todos os momentos que ao vosso lado foram partilhados”, disse Ana Leonor.

“Alem da morte existe vida e é esta vida que temos de agarrar e projetos como a CAT, que acolheu nestes 10 anos de existência imensas crianças, é um projeto que nos ajuda a manter vivos”, salientou Augusto Moreira. Também Gonçalo Rocha corroborou com a sua opinião, apelando à “coragem para encarar o futuro pois se encarar é viver, é este o desafio que temos pela frente”. 

Mas, embora tenham sido várias as palavras proferidas nesta cerimónia que assinala o dia em que se deu o maior acidente rodoviário do país, o certo é que o silêncio conseguiu “dizer” mais e ser a marca desta cerimónia. 59 flores foram hoje pela água corredia, mas ficaram as saudades e a amargura de quem  viu a “culpa morrer solteira” e os dos que nunca chegaram a encontrar os corpos – 36 nunca apareceram – e que ainda hoje admitem não terem o seu luto completo.

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