Penafiel: Enfermeiros do CHTS solidários com greve de fome do presidente do Sindepor

Penafiel: Enfermeiros do CHTS solidários com greve de fome do presidente do Sindepor

Vários enfermeiros do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa concentraram-se ao meio-dia desta quarta-feira, dia 20 de fevereiro, em frente ao centro hospitalar para demonstrarem a solidariedade com Carlos Ramalho, presidente do Sindicado Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor) que iniciou hoje uma greve de fome em frente ao Palácio de Belém.

Em causa está o parecer do conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República que considerou a greve cirúrgica dos enfermeiros, que decorria há mais de um mês, ilegal, alegadamente por não corresponder ao pré-aviso que foi entregue e porque o fundo usado para compensar a perda de salário – crowdfunding – não foi constituído, nem gerido, pelos sindicados que decretaram a paralisação.

Após a publicação em Diário da República, foi dada a ordem aos hospitais para que se marcassem faltas injustificadas aos profissionais que não comparecessem ao serviço. Apesar desta pressão por parte do Governo, apenas um dos sindicatos suspendeu a greve, o ASPE. O Sindepor manteve a paralisação utilizando o argumento de que apenas o tribunal pode decretar ilegalidade à manifestação. O presidente deste sindicato, Carlos Ramalho, iniciou então uma greve de fome, em frente ao Palácio de Belém, até que sejam retomadas as negociações.

Em frente ao Hospital Padre Américo encontravam-se dezenas de enfermeiros, solidários com esta decisão do presidente do Sindepor. “Cortaram-nos as relações com a nossa ordem, portanto estamos estagnados e estamos a ser intimidados”, disse ao Jornal A VERDADE Rosa Leão, enfermeira de reabilitação.

De acordo com a profissional de saúde, os enfermeiros que se encontravam em greve cirúrgica, na madrugada de terça-feira, “receberam mensagens a intimidar e retornaram ao trabalho com medo das repercussões da sua ausência”, nomeadamente processos disciplinares, com direito a despedimento por justa causa, garantindo que apenas “o tribunal arbitral pode declarar a legalidade da greve”.

Rosa Leão afirma que os enfermeiros “estão mais unidos do que nunca”, e que este protesto tem o objetivo de demonstrar a solidariedade com a causa. “Queremos voltar às negociações, porque no fundo é a base da greve de fome que o Carlos Ramalho está a fazer. Não temos apoio de ninguém, apenas coação, de uma luta que é mais do que justa”, sublinhou.

O panorama encontrado em frente ao Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa verificou-se um pouco por todos os hospitais do país. Enfermeiros de várias áreas mobilizaram-se e demonstraram a sua solidariedade para este ato de Carlos Ramalho que garante que só saí do banco do jardim em frente ao Palácio de Belém quando não conseguir aguentar mais.

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