A humanização nos cuidados de saúde esteve em discussão esta manhã em Amarante

A humanização nos cuidados de saúde esteve em discussão esta manhã em Amarante

Na manhã de hoje, dia 15 de fevereiro, realizou-se no Hospital de Amarante a I Jornada de Humanização do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS). A iniciativa contou com as intervenções de diversos convidados, sempre com a humanização nos cuidados de saúde como tema central.

José Ribeiro, enfermeiro-diretor do CHTS, considerou “absolutamente essencial colocar as pessoas no centro para fazer germinar a ideia”, uma vez que, referiu, “nós tratamos patologias, mas cuidamos de pessoas”.

Miguel Ricou, presidente da Comissão de Ética da Ordem dos Psicólogos Portugueses, defendeu que a humanização é “ir à procura do que o indivíduo tem de específico e tratá-lo de acordo com essa especificidade” e que “diagnosticar é desumanizar”. O investigador do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) afirmou ainda que “o doente não espera ser tratado normalmente, porque ele é uma pessoa especial e tem que ser tratado como tal”.

Após as intervenções dos especialistas de saúde, foi dada a voz a uma doente crónica e a mãe de uma bebé prematura.

Vânia Lopes, portadora de uma doença degenerativa, revelou que “o pior dia foi o do diagnóstico”, mas que, no final de cada consulta, fica com “uma nova perspetiva”. “De repente, torno-me mais ativa na doença, no enfrentar da doença. A doença é uma situação, não é uma condenação e é isso que me transmitem”, conclui.

Já Gabriela Carvalho, é mãe de uma bebé que nasceu prematura e esteve mais de um mês internada no Serviço de Neonatologia. A progenitora garante que foi sempre “tratada como uma mãe especial” e que esse comportamento se estendia todas as mães e todos os pais que lá estavam a acompanhar os filhos. “Senti ali a humanização”, sublinhou.

Durante o evento, foram apresentadas a recém-criada Comissão de Humanização e o projeto “Humanizar+”. Em comunicado, o CHTS refere que estas medidas terão como objetivos “reforçar a aproximação à realidade das pessoas, não só no cuidado e nas relações pessoais, profissionais e interprofissionais, como também em toda a globalidade do sistema de saúde através da abertura e proximidade da instituição ao cidadão, espaços terapêuticos, nas equipas e processos assistenciais”.

Entre os presentes na cerimónia, esteve também o Bispo Auxiliar do Porto, D. Pio Alves, que elogiou a criação do projeto “Humanizar+” “porque não esperaram pela publicação de um qualquer decreto-lei para avançar”. O Bispo sublinhou ainda que “a humanização ou nasce no nosso coração ou, se não, não floresce, não funciona”.

José Luís Gaspar, presidente da Câmara Municipal de Amarante,  classificou a iniciativa como o exemplo perfeito do que significa colocar em prática a “carinhoterapia”, que considera “essencial nos dias de hoje, em que tantas vezes nos esquecemos de olhar à nossa volta e de ver o outro”.

Por sua vez, Carlos Alberto Silva, presidente do Conselho de Administração do CHTS, salientou que, num centro hospitalar onde “os números de produtividade e de eficiência merecem um sinal verde, não é tolerável que o semáforo fique vermelho no que respeita à humanização”. “É absolutamente fundamental que sejamos capazes de dar o salto”, reforçou.

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