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Dia dos Namorados: “Acho que somos mesmo almas gémeas”

Dia dos Namorados: “Acho que somos mesmo almas gémeas”

Nem sempre a morte é um final infeliz. Para Adelaide Pereira, o verdadeiro amor será para todo o sempre. Ficou viúva aos 28 anos e hoje, com 70 anos, considera-se uma mulher feliz sem nunca perder a fé no marido que acredita estar ao lado dela em todos os momentos.

“Só namoro um dia com alguém de quem goste muito muito muito”, era esta a premissa de Adelaide Pereira, de Penha Longa.

Quando era jovem, não lhe faltavam pretendentes. “Tinha rapazes que vinham comigo da missa e pediam-me em namoro. Mas eu estava uma vez com eles e não voltava. Não eram a pessoa certa”, afirmou.

Tinha 17 anos quando, num ensaio para uma festa da paróquia, conheceu Luís Silva, ele sim “o certo” e por isso futuro marido. “Ele passou por mim com o irmão e meteu-se comigo. Achei-lhe logo piada, ele era tão bonito e tão simpático”, conta ainda apaixonada.

A partir daquele primeiro encontro os pensamentos de Adelaide foram inundados pelo Luís. É ela quem admite que “só pensava naquele rapaz”. Como estavam destinados, não demorou muito até começarem um namoro “com muita simplicidade e muita verdade”.

“Passado pouco tempo ele deu-me um esmalte, que era um alfinete de ouro com uma fotografia. E dizia que queria casar aos 18 anos”, confidenciou.

O casamento aconteceu em 1969 e a vida a dois também era de “muita simplicidade”. “Parecia que éramos duas pessoas iguais. Acho que somos mesmo almas gémeas”, garantiu.

Luís Silva partiu para a tropa, onde esteve três anos. Quando voltou foi trabalhar para Felgueiras, como encarregado de uma obra. Foi nesse local que perdeu a vida. “Tinha 27 anos. Estava a passar um fio de alta tensão por cima da grua, que acabou por fazer contacto. O senhor que estava na grua desmaiou com aquela descarga toda. Foram chamar o meu marido, ele deitou-lhe as mãos e faleceu logo”, lamentou sem esquecer que “Ele morreu para salvar outra pessoa!”.

Com três filhos pequenos, Adelaide viu-se “num mundo todo negro, onde o sol não brilhava”, e confidencia ter passado momentos muito difíceis, que foram ajudados por amigos, familiares e, segundo a mulher, pelo próprio Luís. “Sonho com ele todas as noites”, garante.

“Ele para mim existe, mas numa outra dimensão. É o grande amor da minha vida. O nosso amor é eterno e nunca se apagará. Ele está presente em todas as alturas da minha vida, sinto-o comigo”, confirmou Adelaide.

Fala do marido com verdadeira paixão e casar novamente nunca lhe passou pela cabeça. “Nunca traí o meu marido, nem em sonhos”, disse assertivamente.

Agora, com 70 anos, tem Luís Silva “como um anjo da guarda”, que a acompanha sempre, não se considerando uma pessoa viúva. “Tenho o meu marido espiritualmente. Um dia lá o vou encontrar, tenho a certeza absoluta. A minha fé diz-me isso”, disse com um sorriso e olhos a brilhar.

Os seus três filhos – Pedro, Célia e Luís – deram-lhe cinco netos, que são a sua alegria. O que nunca a deixou ir abaixo novamente foi a sua fé incondicional. “A minha fé ajudou-me. Até hoje continua a dar-me forças para lutar e caminhar. Deus deu-me força, nunca me abandonou, sempre me ajudou e amparou, como o meu marido”, revelou.

Também perguntamos a Adelaide se era uma pessoa feliz. Respondeu sem pensar duas vezes: “Apesar de tudo o que passei e a minha luta pela minha família, sim, sou feliz. Sou pobre em dinheiro, mas rica em muitas coisas”.

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